sexta-feira, 3 de Junho de 2016 13:44h

Moradores dos bairros Rinaldo Campos e Nova Fortaleza cobram eficiência no abastecimento de água

A água chega apenas de madrugada e, durante o dia, as casas ficam sem uma gota de água.

POR POLLYANNA MARTINS

pollyanna.martins@gazetaoeste.com.br

 

 

Moradores dos bairros Rinaldo Campos e Nova Fortaleza I cobram da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) uma solução para o abastecimento de água dos respectivos bairros. Os moradores sofrem com o abastecimento precário que é feito pela Copasa e já chegaram a ficar mais de três dias sem água em suas casas. Em fevereiro deste ano, o Gazeta do Oeste mostrou a situação dos bairros. Na época, a dona de casa, Terezinha Maria do Carmo Laporaes, contou que “se vira como pode” para armazenar água em casa. “Sempre falta água, e o sacrifício é muito para a gente. A gente tem criança em casa, e ficar sem água é muito difícil. Tem um ano que a rotina é a mesma”, reclama.

A moradora detalhou ainda o que ela e a família fazem para driblar a falta de água. Segundo Terezinha, para tomar banho, o jeito é ir à casa do filho, que mora no bairro Realengo. Um estoque de garrafas pet foi criado para estocar água em casa e, assim, garantir que o filtro de água não fique vazio, pois as torneiras da casa chegam a ficar sem uma gota d’água. “Eu arrumei garrafas e armazeno água lá. Fica aquela coisa feia, esse tanto de garrafa no quintal da gente, mas é a única forma que eu encontrei de não deixar faltar água na cozinha. Para não deixar o banheiro sem água, eu comprei tambores, onde armazeno água. Acabou a água da caixa, a gente fica sem nada”, descreveu.

 

 

 

A ouvidora de plano de saúde, Priscila Duenhas Santos, emenda as palavras da vizinha e reclama do serviço prestado pela companhia. Priscila mora no bairro há um ano com o marido e conta que, antes de se mudarem, o casal precisou fazer um muro na residência, mas a obra ficou parada, pois no imóvel não tinha água. “Antes de mudar, precisei fazer o muro, e cheguei a pagar alguns dias do pedreiro sem ele trabalhar, pois não tinha água na casa. Quando a água vem é só na madrugada, por volta das 7h já não está mais correndo”, conta.

Com a ineficiência no abastecimento de água, a moradora reclama que já chegou a ficar três dias sem água em casa. Priscila relembra que, na época, foi necessário que a Copasa enviasse um caminhão pipa para abastecer as residências do bairro. “Sempre ficamos de dois a três dias sem água, já foi necessário a Copasa enviar caminhão pipa para encher as caixas d'águas. Quando falta água, temos que recorrer às casas de parentes para tomar banho, lavar roupa e comer na rua. Já tive que comprar água mineral para dar aos meus cães”, reclama.

 

 

 

NOVA FORTALEZA

O montador de maquinário, Fernando Severino Azevedo, mora no bairro Nova Fortaleza I há dois anos. O bairro fica ao lado do residencial Rinaldo Campos, e os moradores também sofrem com a ineficiência do abastecimento de água. De acordo com o montador, a falta de água é constante, e assim como no bairro Rinaldo Campos, o abastecimento só é feito durante a madrugada. “De dia, rapidinho a água acaba. Durante o dia não corre água hora nenhuma, só chega de madrugada e acaba por volta de 6h, 7h no máximo”, detalha.

Assim como Terezinha e Priscila, Fernando recorre à casa de parentes quando o abastecimento é interrompido. Outra medida adotada pelo montador e sua família foi a instalação de outra caixa d’água para fazer o armazenamento. “Só tem água na caixa, e as torneiras de dentro de casa são abastecidas pela caixa d’água. As torneiras de fora que têm água da rua, aí você quer lavar uma roupa e não tem jeito”, critica. Conforme Fernando, a situação complica no final de semana, quando toda a família está em casa. Na semana passada, o bairro ficou de quarta-feira (25) até sábado (28) sem abastecimento de água. “No sábado à noite que veio a água, nós ficamos sem água sábado e domingo. Nós ficamos sem água quarta, quinta e sexta e sábado de manhã”, destaca.

 

 

 

RECLAMAÇÕES

Fernando relata que ele e os vizinhos fizeram várias reclamações na companhia, solicitando o abastecimento. Mas, segundo o montador, apesar do mutirão de reclamações, a resposta da Copasa a cada ligação era revoltante. “A gente ligava lá na Copasa reclamando, e eles usavam o mesmo argumento com qualquer um que ligava, que não tinha reclamação de falta de água, sendo que todos do bairros estavam ligando”, afirma.

Cansada da falta de água no bairro, Priscila protocolou uma reclamação na companhia, e a resposta foi a mesma que sempre recebe. “Considerando a situação altimétrica do bairro, em relação à Zona de Abastecimento em que está inserida, a região é mais propensa aos efeitos e impactos de eventuais manutenções e/ou anormalidades que ocorrem no Sistema de Abastecimento de Água. Desta forma, a COPASA vem efetuando estudos de melhorias para minimizar tais efeitos.”

 

 

 

CONTA DE ÁGUA

Fernando reclama da conta de água que chega todo mês pontualmente em sua residência, para não ter um serviço adequado. “A [conta de] água todo mês vem e nós pagamos em dia. Nós abrimos a torneira para sair ar, a gente está pagando ar, a gente paga água para não ter água”, reforça. Mesmo sem água durante o dia, ou ainda enfrentar vários dias sem abastecimento, a conta para pagar chega à casa de Terezinha, e o valor não é baixo. Em fevereiro, a dona de casa contou que já chegou a pagar R$130 de água. “Eu acredito que a água vem cara, porque nós temos que deixar o registro aberto para a água subir para a caixa de madrugada, então, com isso, a entrada de ar é maior”, avaliou.

Priscila revela que, por mês, paga cerca de R$ 50 de conta de água. A ouvidora de plano de saúde reclama também da falta de abastecimento de água que atenda aos moradores da região. “Na minha casa é apenas eu e o meu marido, trabalhamos a semana inteira, o dia todo, pagamos em média de R$ 50 ao mês, para chegar no final de semana e não ter água nem para lavar roupa e nem banheiro”, frisa. Priscila cobra ainda uma solução urgente para o problema. “A água potável é caso de saúde e dignidade humana, que é um direito constitucional. Uma residência sem água traz sujeira e, consequentemente, doenças. Sem falar que pagamos pela água e por um tratamento de esgoto que nem existe”, conclui.

 

 

 

COPASA

Em nota, a companhia se limitou a dizer que “o abastecimento de água nos bairros Nova Fortaleza e Rinaldo Campos, em Divinópolis, ocorre normalmente”.

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