quinta-feira, 4 de Agosto de 2016 15:05h Carina Lelles

Moradores entram em pânico em troca de tiros entre PM e bandido

População descreveu cenas de “faroeste” na noite desta terça-feira no bairro Porto Velho

POR CARINA LELLES

carina.lelles@gazetaoeste.com.br

 

Eram cerca de oito ho­ras da noite desta terça-feira quando moradores come­çaram a divulgar nas redes sociais comentários sobre a troca de tiros entre a Polícia Militar e um criminoso no bairro Porto Velho. Populares que passavam pelo local, ou moram próximo, entraram em pânico. O suspeito foi preso e a arma apreendida.

Moradora do bairro Porto Velho há cerca de 30 anos, uma dona de casa, de 57 anos, que preferiu não se identificar, en­trou em contato com a nossa redação relatando que tiros estavam sendo ouvidos na rua e havia muitos militares no local. “Foram assustadoras as cenas, havia pessoas de bem, trabalhadores passando pela rua, no meio do tiroteio” conta.

De acordo com a Polícia Militar, tudo começou quan­do, em patrulhamento, os militares viram um suspeito, de 16 anos, próximo a um hotel no bairro Porto Velho. Ao ver os militares, o suspeito retornou e tentou fugir.

O adolescente, com a apro­ximação dos militares, sacou um revólver, apontou na dire­ção dos policiais e atirou. Os militares revidaram. Mais à frente, o suspeito efetuou mais um disparo, assim como os militares também efetuaram.

Na Rua Isauro Ferreira, ainda no bairro Porto Velho, o adolescente entrou em um matagal às margens do Rio Itapecerica, mas foi contido e apreendido. Quando os milita­res imobilizaram o adolescen­te, apareceu outro suspeito, que atirou contra os militares, que revidaram.

Este suspeito fugiu e não foi localizado. O adolescente foi apreendido, levado para a unidade de Pronto Atendi­mento com pequenas esco­riações, medicado e encami­nhado para a Delegacia em seguida. Um revólver calibre 38 foi apreendido.

 

 

CARRO ATINGIDO

 

Durante a troca de tiros, um policial civil, de 39 anos, teve o carro atingido, no vi­dro lateral traseiro esquer­do, por um dos disparos. De acordo com a Polícia Militar, os estilhaços do vidro atin­giram o investigador sem

gravidade.

Ainda de acordo com a Polícia Militar, “não ficou es­clarecido de qual arma saiu o projétil que atingiu o vidro do veiculo do policial civil, fican­do a cargo da perícia informar posteriormente”.

 

Logo após o tiroteio, recebemos o e-mail de um leitor, que pediu para não ser identificado. Confira na íntegra o desabafo:

“Sr. Comandante da Polícia Militar de Divinópolis.

Hoje, 02/08/2016, graças a Deus, cheguei vivo em casa com a minha família.

Por volta das 19:50h/20h, estávamos de carro descendo a Rua Goiás, no bairro Porto Velho, sentido Centro, quando, logo após a Escola Estadual Tomás de Aquino, ao passar pelo semáforo, nos deparamos com o trânsito na via (Centro x Bairro) bloqueado por um Tucson de cor Preta e outros carros logo atrás.

De pronto, reduzi a velocidade e passei a prestar atenção, quando vimos duas pessoas, aparentemente jovens, atravessando à nossa frente e 3 barulhos, quando a minha esposa disse :‘É tiro’.

No carro, estavam, eu, minha esposa e nossa filha, de 2 meses.

Em segundos, percebi que os barulhos eram disparos de arma de fogo e, na nossa frente, os ladrões e logo abaixo, a Polícia Militar.

Estávamos no meio do tiroteio e sem ter para onde ir.

Por sorte ou destino, os ladrões correram, atravessaram na nossa frente, tomando rumo ignorado.

Em 2004, ouvi do então Capitão da PM, Robson José de Queiroz, ‘O bairro Porto Velho é o bairro com o maior índice de criminalidade da cidade’.

Hoje, 16 anos depois, vi pessoalmente que continua o mesmo índice de criminalidade.

Infelizmente, não teremos um combate à criminalidade, tendo o Comando atrás de uma mesa e usando uma caneta para assinar documentos.

Precisamos de uma maior eficiência no combate à crimina­lidade. Não será aumento de efetivo que trará segurança para a população”.

 

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