terça-feira, 13 de Setembro de 2016 18:03h Pollyanna Martins

Moradores fazem manifestação na BR-494

Os moradores fecharam a rodovia e atearam fogo em galho de árvores

Em meio aos gritos de “Queremos melhorias” e “O povo unido jamais será vencido”, os moradores do bairro Jardim Copacabana fecharam a BR-494 para manifestar contra o acidente que tirou a vida de Andréia Salvino e feriu dez pessoas, entre elas, oito crianças, na última sexta-feira (9). Cansados do abandono e do descaso do poder público, os moradores querem melhorias na região e a construção de uma escola no bairro, para evitar que milhares de crianças andem na rodovia todos os dias para estudar.

Após o susto, a dona de casa, Claudia Barbosa da Silva, e a empregada doméstica, Ana Lúcia Barbosa, hoje dividem o mesmo trauma: receber a notícia que suas filhas se feriram em um acidente com o ônibus da escola. Ana Carolina, de sete anos, filha de Cláudia, está com o olho direito cheio de hematomas e um pequeno corte; Rayane, de seis anos, filha de Ana Lúcia, está com o nariz quebrado. Segundo as mães, as crianças não querem ir para a escola no transporte público escolar, pois ainda guardam na memória as lembranças do início da tarde de sexta. “A gente fica com o coração na mão quando os filhos vão para a escola. Eu tenho três filhos que usam o transporte escolar e todos eles estavam no ônibus na hora do acidente”, conta a dona de casa Cláudia.

Cláudia relembra ainda o momento em que recebeu a notícia do acidente. Conforme a dona de casa, a filha do meio, de apenas oito anos, pegou carona com uma pessoa e foi até em casa para avisar a mãe que a irmã caçula havia se machucado no acidente entre a van e o ônibus. “Minha menina chegou em casa em prantos, sem cor, assustada, me avisando, eu saí correndo preocupada atrás da Ana Carolina”, detalha. Assim como Ana Carolina, Rayane teve ferimentos leves, mas o medo de entrar no ônibus toma conta das duas crianças. Ana Lúcia também foi surpreendida com a notícia de que a filha estava no ônibus envolvido no acidente, e quer melhorias no bairro. “A gente fica com medo e as crianças não querem entrar mais no ônibus, estão com trauma. Eu tenho quatro filhos que pegam ônibus e nenhum quer ir para a escola mais. Essa BR é um perigo danado, acidente naquele pedaço, que eu já contei, foram quatro”, relata.

A manifestação começou no KM 40, por volta das 17h e, uma hora depois, já havia mais de 6 quilômetros de congestionamento dos dois lados da rodovia. Segundo o Major Paulo Antônio, a manifestação foi pacífica e os moradores reinvidicavam melhorias no bairro e alertavam sobre o acidente ocorrido na última sexta-feira (9). “Os manifestantes disseram que estão aguardando apenas a chegada da imprensa, para eles falarem, e vão desobstruir a via”, informou o Major.

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