quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2016 10:10h Atualizado em 24 de Fevereiro de 2016 às 10:14h. Pollyanna Martins

Moradores pagam para manter ruas limpas no bairro São Judas Tadeu

Há mais de 30 anos que a situação é mesma. Os moradores precisam pagar para tirar o mato alto da rua e aterrar parte de outra, que é levada toda vez que chove

Andar por Divinópolis e encontrar ruas sem infraestrutura não é uma tarefa difícil. Cansados de esperar pelo poder público, moradores de vários bairros pagam para fazer a manutenção das ruas de suas casas. E é assim que os moradores do bairro São Judas Tadeu fazem para manter o pouco de infraestrutura que tem na porta de suas residências. Há mais de 30 anos que eles pagam para capinar as vias, e até mesmo aterrar uma rua, que tem boa parte levada cada vez que chove.

 

 


A dona de casa, Célia Maria Campos, mora na Rua Medina há 25 anos e conta que a situação sempre foi a mesma. O mato alto toma conta das ruas e, em consequência, as casas são invadidas por ratos, baratas e cobras. “Ninguém nunca olhou para nós aqui. O meu marido tinha apelido de prefeito aqui, porque ele sempre manteve a rua arrumadinha, pagava pra limpar”, relembra. Ainda de acordo com a dona de casa, funcionários da Prefeitura foram ao bairro poucas vezes para fazerem algum tipo de manutenção. “Uma vez ou outra eles vêm aqui e passam uma patrola, e mais nada, depois somem”, reclama.

 


A aposentada, Maristela Gonçalves, mora na Rua Euclides da Cunha há 29 anos e conta que, quando se mudou para o bairro, os problemas já existiam. Recentemente, a aposentada pagou para que o mato alto fosse retirado da porta de sua casa, pois insetos e roedores estavam invadindo a sua casa. “Eu paguei para jogar remédio no meio-fio e acabar um pouco com esse mato”, detalha. Segundo Maristela, recentemente, o seu marido estava sentado na porta da residência, quando foi surpreendido por uma cobra. “As baratas e os ratos fazem até fila para entrar em casa; cobra já veio até o passeio. O meu marido estava sentado na porta, quando ele olhou, tinha uma cobra perto do pé dele. Tenho vizinha que pegou cobra dentro de casa”, relata.

 

 


Célia questiona para onde vai o dinheiro que a Prefeitura arrecada com o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Além de Célia, vários moradores de outros bairros visitados pelo Gazeta do Oeste já fizeram esta pergunta. “O IPTU já chegou para a gente pagar, nós vamos pagar direitinho, e o mato está ali com as cobras”, critica. Célia emenda as palavras da vizinha. “A gente acha ruim, porque o nosso IPTU está todo em dia, e a limpeza não chega aqui de jeito nenhum, uma limpeza regular”, reforça. O que mais choca os moradores é o fato de o bairro estar próximo ao centro, e receber melhorias apenas em uma parte. Maristela reclama que o mato alto não está somente em frente à sua casa, os fundos também são cercados pela mata, e ainda um córrego. “No fundo da minha casa é cheio de mato também, tem um córrego no fundo, que nós pedimos para canalizar e até hoje não fizeram nada”, ressalta.

 

 


RUA A
Escondida em meio ao mato que toma conta do bairro, está a Rua A. Quem vai ao local se surpreende, pois é necessário pedir licença ao mato para ter acesso às casas. Célia diz que é a filha quem paga para capinar a porta da sua casa. A situação da via é semelhante à Rua José da Paz, no bairro Nossa Senhora das Graças. O córrego que passa pelos fundos da casa de Maristela, passa aberto na Rua A. O pedaço de calçada é levado a cada chuva forte que chega à cidade. “A minha filha mora nessa rua, e lá não tem como sair e nem entrar de carro. O córrego fica bem na porta, e toda vez que chove vai embora um pouco do passeio. Sem contar que o córrego transborda e a água invade as casas”, conta a dona de casa.

 

 


RUA MEDINA
A porta da casa de Célia está cheia de barro. Hoje, sem o marido, o “prefeito” da rua, a dona de casa relata que se não ficar atenta em época de chuva, a água invade a residência. Além de conviver com animais peçonhentos, insetos e roedores em casa, Célia não dorme quando chove. “A porta da minha casa está cheia de barro, se eu não ficar atenta, entra água na minha casa. A enxurrada das ruas de cima vem para a porta da minha casa. A gente paga para limpar, quando chove a gente não dorme direito, e depois da chuva ainda tem barro na porta de casa”, queixa.

 

 


ELEIÇÕES
As moradoras contam ainda, que os políticos aparecem apenas em época de eleição. Célia e Maristela já esperam a chegada dos candidatos com as falsas promessas, entre elas, a de canalizar o córrego, que, pouco a pouco, leva a Rua A. “Os candidatos vêm e prometem que vão limpar, que vão canalizar o córrego, que vão arrumar, aí eles ganham e não voltam mais, nem na rua eles passam mais”, frisa a aposentada. Conforme Célia, vários protocolos já foram feitos na Prefeitura, solicitando vários tipos de manutenção nas ruas, mas nem sequer uma visita dos técnicos do órgão foi feita. “A gente liga lá [na Prefeitura] e eles falam assim: ‘nós vamos aí olhar’, e não aparece ninguém aqui. Eles sempre pedem um prazo e vai ficando do jeito que está”, destaca.

 

 

 

MEDO
Além da falta de infraestrutura, os moradores convivem com o medo. Maristela relembra o dia em que a filha da vizinha foi assaltada. De acordo com a aposentada, dois homens se esconderam no mato alto, e quando a jovem saía com o carro, eles a assaltaram. “Os bandidos esconderam aqui no mato, e quando ela estava saindo com a caminhonete dela, eles a assaltaram. A coisa mais fácil que tem é um bandido esconder nesses matos altos e roubar a gente aqui”, conclui.

 

 


PREFEITURA
Nossa reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Divinópolis, mas, até o fechamento desta edição, não tivemos resposta.

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