quarta-feira, 9 de Março de 2016 09:55h Atualizado em 9 de Março de 2016 às 11:03h. Jotha Lee

Moradores resistem a projeto de duplicação do anel e elaboram nova proposta

A duplicação do trecho do anel rodoviário, que vai do trevo do Bairro Bom Pastor até a trincheira da Rua Goiás, com pouco mais de quatro quilômetros, terá nova queda de braço entre a Nascentes das Gerais, concessionária da MG-050

A duplicação do trecho do anel rodoviário, que vai do trevo do Bairro Bom Pastor até a trincheira da Rua Goiás, com pouco mais de quatro quilômetros, terá nova queda de braço entre a Nascentes das Gerais, concessionária da MG-050, e moradores de bairros marginais localizados na região nordeste da cidade. A obra, iniciada em agosto do ano passado, está prevista para ser concluída em janeiro do ano que vem, porém essa data poderá sofrer atrasos, já que continua o impasse quanto ao projeto apresentado pela concessionária.  

 


Esta é a primeira etapa da duplicação do anel, anunciada no final do ano passado pela concessionária. O projeto original prevê 12 quilômetros de duplicação, compreendendo todo o entorno rodoviário da cidade. O projeto apresentado pela Nascentes das Gerais já passou por várias modificações, porém ainda não atende aos moradores da região nordeste, especialmente dos bairros Candelária, Santa Marta e Jardim das Oliveiras. Segundo o líder comunitário, Manoel Cordeiro, presidente da Associação de Moradores do Jardim das Oliveiras, o projeto não contempla a melhoria do acesso à região e vai dificultar ainda mais o tráfego de veículos para entrada e saída dos bairros.

 


A primeira queda de braço entre os moradores e a Nascentes as Gerais envolveu a ligação entre os bairros Alvorada, Serra Verde e Nossa Senhora da Conceição. O projeto inicial apresentado pela concessionária foi rejeitado e a situação só foi contornada após a interferência do próprio governo do Estado, que aprovou uma nova planta elaborada pela iniciativa privada com o apoio dos moradores. A obra já está em andamento e atende às reivindicações das lideranças comunitárias.

 

 


BOM PASTOR
A discussão agora gira em torno do trevo do Bairro Bom Pastor, cujo projeto original, apresentado em dezembro do ano passado pela concessionária, foi descartado por intervenção da Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop). De acordo com o jornalista João Chaves, um dos líderes do movimento e membro da Comissão que representa os moradores, a concessionária já elaborou e está pronta para executar novo projeto, que não foi discutido com os moradores. “Foi elaborado um novo projeto, que ninguém conhece, porque não houve audiência pública, não foi apresentado à comunidade e os empresários do entorno do anel estão se sentindo prejudicados com o novo traçado proposto”, esclareceu.

 


De acordo com João Chaves, o empresariado, que possui empresas marginais ao anel, quer se unir aos moradores, para que a planta da Nascentes das Gerais seja rejeitada. “Na quinta-feira passada, a Comissão de Moradores se reuniu com empresários e apresentou um projeto elaborado a pedido da comunidade, que obteve aval dos empresários presentes”, afirmou. Entre esses empresários estava Waldemar Martins do Amaral, proprietário da Rede ABC, que possui uma grande central de distribuição no local. João Chaves disse que um engenheiro que não quer se identificar elaborou um projeto que atende aos interesses de moradores e empresários e, agora, será iniciada a mobilização para que esta proposta seja aprovada pela Setop. “Vamos buscar apoio da comunidade e de todo o empresariado do entorno do anel. Estamos abertos à discussão, mas não abrimos mão de um projeto que contemple os interesses coletivos”, acrescentou.

 

 


João Chaves, que ontem apresentou à imprensa o projeto alternativo, elaborado a pedido da Comissão que representa os moradores, lembrou que a região nordeste é composta por nove bairros, onde residem cerca de 10 mil famílias. O projeto dos moradores tem como destaque uma rotatória suspensa, que vai permitir acesso aos bairros tanto de veículos, quanto de pedestres, sem que seja necessário cruzar a rodovia principal. Essa proposta será levada posteriormente à Setop, porém João Chaves admite que o tempo é curto, já que a duplicação avança e em breve começam as obras no trevo do Bom Pastor.
A Nascentes das Gerais não respondeu aos questionamentos feitos pela reportagem do Jornal Gazeta do Oeste. Já as obras de duplicação, continuam conforme a previsão e o trabalho atualmente se concentra no trevo de acesso à BR-494.

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