terça-feira, 25 de Março de 2014 07:26h Atualizado em 25 de Março de 2014 às 10:24h. Simião Castro

Mortandade de peixes reflete poluição no Itapecerica

Eles são os primeiros a responder a alterações no habitat, afirma ambientalista, e a morte denuncia estado crítico do lugar.

Boiando e mortos. Assim estavam milhares de alevinos e peixes no Itapecerica no último domingo. Ontem o número já havia diminuído, mas ainda era possível ver vários sendo arrastados pela correnteza.
Os que continuam vivos sobem à superfície em busca de oxigênio, uma vez que a causa apontada para a morte dos peixes é a insuficiência do gás dissolvido na água. Outra razão apresentada pelo ambientalista, Jairo Gomes, são substâncias químicas despejadas no rio no esgoto industrial.
Ele afirma que é difícil constatar esse tipo de poluição porque quem é obrigado a fazer o monitoramento dos compostos lançados no rio são as próprias empresas que os produzem, e o Estado aceita os resultados apresentados por elas. “A gente não está questionando se é verdade ou se é mentira. O que a gente está questionando é que não se produz contraprova”, defende.

 

 

Mais Razões
Outras características que, segundo Jairo, colaboram para a mortandade dos peixes, são a lentidão das águas e a presença de aguapés, que retém a matéria orgânica poluente, impedindo que seja empurrada pela correnteza. “Qualquer produto que é jogado no rio, a dissipação desse produto é dificultada pela lentidão da água. O rio não tem força pra oxigenar a água”, diz o ambientalista.
Em entrevista à TV Integração, o biólogo, Claudemir Cunha, disse que retirar os aguapés da água nesse momento vai provocar um aumento abrupto na carga poluidora do Itapecerica, uma vez que o vegetal se alimenta desse material, retirando-o do leito. Segundo ele, é preciso esperar o nível do rio subir um pouco primeiro, o que só deve acontecer quando chover.
Claudemir também explica que a mortandade é causada pela queda na oxigenação da água, e alerta para o que pode acontecer se o rio não encher novamente logo. “Caso não aumente o volume da água, levando em consideração a proliferação do aguapé, a tendência que tem é a oxigenação do rio ir diminuindo cada vez mais”. O que coloca em risco a biodiversidade do lugar.
Os peixes mortos têm lesões debaixo das guelras, o que, para Jairo, é indício claro de contaminação química. Ele conta que em 2007 foi feita análise da água do rio – após outra mortandade de peixes que ele considera o pior acidente ecológico da cidade –, e foram encontrados metais pesados e substâncias tóxicas nas amostras. “Chumbo, mercúrio, fenóis, arsênico, zinco, alumínio”, enumera.

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