quarta-feira, 13 de Julho de 2016 13:40h Atualizado em 13 de Julho de 2016 às 14:13h. Carina Lelles

Motoristas denunciam vandalismo na BR-494

Criminosos atiram pedras contra os veículos e motoristas acreditam que ação é para cometimento de assalto

POR CARINA LELLES

carina.lelles@gazetaoeste.com.br

 

Motoristas que utilizam a BR-494, próximo ao radar entre os bairros Santo André e Jardim Copacabana, em Divinópolis, denunciam que criminosos estão atirando pedras nos veículos. Eles acreditam que a ação é para forçar o motorista a parar e, assim, os bandidos cometerem assaltos.

Douglas Leonardo Tiradentes é proprietário de uma empresa de ônibus que realiza turismo por todo o país. Ele conta que, na noite do último sábado (9), o motorista dele seguia pela rodovia sentido Divinópolis/Oliveira, com destino à Cana Verde, a cerca de 150 quilômetros de Divinópolis, quando, ao passar no trecho, o veículo foi atingido por pedradas. “Por causa do radar, o motorista tem que diminuir a velocidade para passar no máximo a 40 quilômetros por hora e a gente fica com a velocidade quase parando e isso facilita a vida dos marginais. O nosso motorista não parou, porque imaginou que, se parasse, quem atirou a pedra iria cometer assalto. Eles fazem de propósito, apedrejam o veículo para o motorista parar e cometerem o assalto”, denuncia.

 

 

O empresário conta que registrou o Boletim de Ocorrência nesta segunda-feira, no posto da Polícia Militar Rodoviária, localizado na MG-050, em Divinópolis. “A gente fez ocorrência na segunda-feira e o policial disse que, no mesmo dia, outras pessoas foram registrar ocorrência de que, quase no mesmo horário e no mesmo local, também foram vítimas dos vândalos. Conversei com o dono de outra empresa de ônibus e ele me disse que já aconteceu com ele pelo menos quatro vezes, no mesmo lugar, mas em data anterior”, revela Douglas.

 

 

“Ninguém toma uma providência. Será que vão esperar acontecer algo pior, como acertar um passageiro ou até mesmo matar, seja com a pedrada ou se caso acontecer o assalto? Se já foram feitas outras ocorrências, por que não colocaram pelo menos uma viatura para passar no local e assim tentar intimidar os bandidos? Não adianta eles me pararem na Polícia Rodoviária durante nosso trabalho para fiscalizar, mas na hora que precisamos de segurança não estamos tendo”, completa.

Ninguém ficou ferido na ação dos vândalos. A rodovia é de grande importância na região, porque é um dos principais acessos para os estados do Rio de Janeiro e São Paulo. “A gente que roda naquele trecho não vê policiamento nele. Trabalho com turismo há muitos anos e nunca vi policiamento ali. Em Divinópolis não tem este tipo de mão de obra (vidros de ônibus), tive que levar o veículo para Belo Horizonte, mas o prejuízo financeiro é o de menos, o principal é a segurança dos passageiros que eu levo. Quando eles entram no ônibus, a responsabilidade é toda da empresa. Tenho medo de machucar um passageiro ou até coisa pior. Não podemos esperar acontecer coisa pior. Não digo comigo, mas com todos os usuários da rodovia. É preciso que se tome alguma atitude. O que eu não quero pra mim, não quero para a família de outra pessoa”, desabafa.

 

 

 

Solução

Para Douglas, a melhor alternativa seria a retirada do radar no local. “Seria melhor, porque poderíamos passar em uma velocidade um pouco maior que 40 quilômetros e isso vai dificultar que eles acertem pedras no veículo. A gente entende a questão da segurança na rodovia, mas, por outro lado, isso está gerando insegurança para os motoristas e passageiros. Radar, no Brasil, infelizmente já não é mais para segurança dos usuários das rodovias, já viraram uma forma de gerar lucro para os governos”.

Os radares na BR-494 entraram em funcionamento no final de 2014. A reportagem entrou em contato com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) para saber da possibilidade da retirada do equipamento no trecho, mas, até o fechamento desta edição, não tivemos resposta.

 

 

 

Segurança

De acordo com o Cabo André, da Polícia Militar Rodoviária, não foi registrado nenhum assalto a motoristas no trecho alvo da reclamação, porém houve registros de dano tanto em ônibus quanto em veículos de passeio. “Eles podem ter atirado a pedra para este fim, porém, até agora, não houve registro de assalto. Os criminosos podem escolher estes horários de menos movimento para praticar este tipo de assalto. Este é um tipo de crime que acontece nos grandes centros, como Rio de janeiro e São Paulo, onde, há pouco tempo, um cidadão morreu após uma pedra que jogaram no carro dele ter o acertado”.

 

 

A Polícia Rodoviária irá intensificar o patrulhamento na região e será feita Operação para tentar identificar os autores.

A Polícia Rodoviária manda um alerta aos motoristas. “A gente alerta a todos os motoristas que, ao trafegar, procure um horário diurno. Caso alguém jogar uma pedra contra o veículo ou um pneu estourar, o motorista deve andar mais um pouco em uma velocidade mais reduzida até um local seguro para solicitar socorro. Quem for viajar à noite deve ser sempre com os vidros fechados, com as portas travadas. Não dar carona para desconhecidos e, caso aconteça o assalto, a gente pede para nunca reagir. Os condutores têm que ficar atentos. E sempre registrar ocorrência”, finaliza Cabo André.

 

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