sábado, 20 de Fevereiro de 2016 05:32h JOTHA LEE

Movimento quer cortar 50% nos salários do prefeito e definir piso para vereadores

O empresário Geraldo Barros, que atua no setor de comércio, hotelaria e construção civil, acaba de lançar oficialmente o movimento pela redução dos salários dos agentes políticos de Divinópolis

Idealizado no ano passado, o movimento agora vai às ruas para recolher assinaturas de apoio à campanha, que terá o apoio do Clube dos Amigos. Fundado há 10 anos, inicialmente o Clube tinha como objetivo reunir amigos e convidados para shows musicais fechados, com um público não superior a 400 pessoas. Nesse contexto, foram realizados diversos eventos musicais, entre eles Guilherme Arantes, Jerry Adriani, Wanderley Cardoso, Vando, Falcão e Fábio Júnior. Agora o Clube amplia sua abrangência de atuação e vai apoiar a campanha pela redução salarial.

 

 


“O Clube é integrado por pessoas ligadas à classe empresarial, trabalhadores e profissionais liberais. Não se trata da elite da cidade, temos pessoas de todas as classes. O clube não é uma sociedade jurídica, é uma união de amigos que se juntaram para fazer o bem”, como define o empresário Geraldo Barros. Como exemplo, ele cita o evento que arrecadou R$ 12 mil destinados à construção do Santuário de São Frei Galvão.

 

 


De acordo com Geraldo Barros, o Clube dos Amigos endossa a campanha pela redução salarial dos agentes públicos. “A política precisa ser resgatada, ela tem que voltar aos moldes do passado. Houve época que vereador nem remunerado era. A política de hoje está afastando o eleitorado e tememos que na próxima eleição os votos perdidos sejam superiores aos votos válidos”, analisa. “A tendência é piorar. Não temos um candidato a prefeito a altura das aspirações do povo. Precisamos de um gestor, de mais seriedade com a coisa pública. Precisamos de vereadores que entrem na política não por questões de salários, em busca de emprego. Temos que selecionar candidatos que tenham boas ideias, boas intenções, que criem oportunidades”, analisa.

 

 


INTERESSES PESSOAIS
Para Geraldo Barros, a política atual é de defesa de interesses pessoais e não visa o benefício do cidadão. “O povo não quer mais manter essa máquina pública, dominada por uma indústria da corrupção. Hoje a política virou um negócio altamente rentável. Pessoas entram na política para se enriquecerem, basta ver a corrupção que tomou conta do nosso país”, critica. “Política é necessária, não se vive sem política em um país democrático. A campanha pela redução de salários de vereadores e prefeito visa filtrar os candidatos, tirando os oportunistas, e para que possam sobrar mais recursos para atender às necessidades do cidadão”, explica.

 

 


Para o empresário, o cidadão tem medo de denunciar os atos de corrupção que ocorrem no serviço público e que tornam a política de hoje desacredita. “O povo precisa perder o medo de denunciar. O maior problema para a evolução da política brasileira é o medo que a população tem de denunciar. Medo de retaliações do poder público”, garantiu. “A população ainda não tem consciência do poder do voto. O político tem. E é por isso, que em época eleitoral, ele trata o cidadão com tapinhas nas costas”, avaliou.

 

 


CORTE DE 50%
A campanha idealizada pelo empresário prevê o corte de 50% nos salários do prefeito, vice e secretários municipais. Já para os vereadores a campanha quer a fixação do piso nacional pago aos professores da rede pública. De acordo com o Ministério da Educação, o piso salarial dos professores esse ano é de R$ 2.135,64. O prefeito de Divinópolis tem um salário de R$ 20 mil mensais, enquanto vice-prefeito, secretários municipais e vereadores recebem R$ 10,5 mi.

 

 


Os salários para o período de 2017 a 2020 já foram fixados pela Câmara, através de propostas votadas e aprovadas no ano passado, sendo mantidos os valores atuais, apenas considerando a reposição da inflação. A lei 8.005, de setembro de 2015, fixou o salário do prefeito para o próximo mandato em R$ 20,5 mil, com revisão anual, porém sem estabelecer um índice de aumento. A mesma lei fixou os salários do vice-prefeito e secretários municipais para o mesmo período em R$ 10,6 mil.

 

 


Os vencimentos dos vereadores para o próximo mandato também foram mantidos. De acordo com a lei 7.989, aprovada em setembro do ano passado, na legislatura de 2017 a 2020, os parlamentares terão salários de R$ 10,6 mil, havendo a revisão anual com base em dispositivos constitucionais.
Segundo Geraldo Barros, a campanha pela redução salarial está em sua primeira etapa, que é a definição dos postos de coleta de assinaturas.  “Queremos chegar a 15 mil assinaturas”, garante. O empresário diz que em uma próxima etapa a campanha visa reduzir o repasse da prefeitura para manutenção da Câmara de 6% para 3%.

 

 


O empresário fez questão de afirmar que não é candidato a nenhum cargo eletivo. “Não tenho nenhuma pretensão política, nem hoje, nem amanhã, nem nunca. Agora, diante dessa mobilização pela redução de salários, surgiram comentários de que eu serei candidato. Fui convidado, sim. Ainda ontem vieram dois representantes de um partido para apresentar essa proposta, mas eu recusei. Não sou e não serei candidato e vamos apoiar os melhores nomes para Divinópolis”, finalizou.

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