sexta-feira, 6 de Maio de 2011 13:16h André Bernardes

Mulheres passarão Dia das Mães em fila de espera para adoção

A burocracia e as exigências de alguns futuros pais fazem um processo de adoção durar anos e provocam a lotação nos abrigos. Estima-se que 80 mil crianças e jovens vivem em abrigos no país, cerca de 8 mil, ou 10% delas estão em condições jurídicas de serem adotadas e aguardam pais dispostos a levá-los para casa


Em Divinópolis existem 73 crianças e adolescentes em abrigos, mas somente 20 estão aptos para adoção. Na fila de espera para adotar as crianças existem 44 casais aprovados. Sandra Amaral, presidente do Grupo de Apoio à Adoção diz que é preciso um direcionamento para estes casais para acontecer a adoção. “O que é a adoção? Muitas pessoas chegam ao grupo afoitos, pois para muitos é a ultima chance de ter um filho. Só que por inexperiência o casal busca uma criança parecida com eles. Adoção não é isso”orienta. A presidente conta que crianças maiores têm dificuldade de ser adotadas, pois os candidatos temem ter dificuldade com a adaptação. Essa afirmação pode ser observada nos abrigos de Divinópolis. Todas as crianças que estão para adoção na cidade tem entre 9 a quinze anos.
 

Com as mudanças da lei de adoção as pessoas que querem adotar têm que estar devidamente habilitadas no cadastro de adoção. É necessário procurar o fórum onde será passada uma relação de documentos e um requerimento ao juiz. A partir destes documentos, o psicólogo da Vara da Infância e Adolescência convida os interessados para um curso de preparação que hoje é uma exigência. Nesse curso os pretendentes são orientados sobre os mitos, preconceitos e o perfil das crianças. Depois de passar pela assistente social o casal entra no cadastro e fica aguardando a criança com o perfil desejado.


Só na parte documental, o processo pode durar de seis a oito meses. Já a espera pela criança não tem um tempo previsto.
Atestado de antecedentes criminais, envolvimento com drogas e convívio social são alguns dos fatores avaliados.


A grande procura é por crianças recém nascidas até três anos e são raros os casais que aceitam crianças maiores. Em Divinópolis, a última adoção de recém nascido foi em junho do ano passado. Mas isso não quer dizer que não existam bebês para adoção. De acordo com o centro psicossocial, é comum mulheres darem seus filhos a casais próximos por ter afinidade. Mas esta adoção, no âmbito judicial é ilegal e pode gerar transtornos futuros.
Para as mães que decidem entregar os bebês, podem procurar a justiça, pois isso não é crime. Crime é abandonar essas crianças como o caso do bebê na caçamba em São Paulo.


A vendedora Daniela de Oliveira é mãe de duas meninas e decidiu adotar uma criança, pois a burocracia é muito grande. “Só para visitar as crianças, é preciso de muito papel e reunião com outros pais” conta.


Para acabar com a burocracia, o Grupo de Apoio à Adoção estáo trabalhando para mudar a lei de adoção. “A burocracia é grande no Brasil. Nós estamos buscando mudanças no processo de adoção. Nós sugerimos uma mudança na lei e corrigimos alguns artigos” conta Sandra.


A presidente do grupo tem dois filhos biológicos e adotou uma menina. “Era um sonho meu, poder dar esse amor por alguém. Para adotar uma criança é preciso a família estar de acordo. É a família que vai fazer diferença na vida da criança. Nós temos muito amor para dar. Os pais adotivos têm esse dom de pegar um filho de outra pessoa e cuidar como seu” conta. Quando Sandra resolveu adotar sua filha, exigiu apenas uma criança entre dois a três anos do sexo feminino. Hoje a menina tem doze anos e traz alegria para Sandra. “Hoje eu vejo minha filha que chegou toda debilitada, e vejo como ela é uma menina boa, ela me beija e demonstra que me ama” disse Sandra emocionada.


Os casais que estão na espera para adoção podem procurar o Centro de Apoio para receber mais orientações pelo telefone 3222-4410.
 

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