sábado, 3 de Setembro de 2011 13:57h André Bernardes

Município promete apoio para clínica que trata de jovens dependentes

A direção da comunidade terapêutica João Paulo II que trata de jovens dependentes químicos foi chamada para uma reunião na secretária de Políticas antidrogas para discutir um possível apoio à instituição, que anunciou o encerramento dos tratamentos por falta de verbas.


A Gazeta noticiou na última terça, 30, a situação da clínica, que por falta de verbas atende apenas oito jovens, sendo que sua capacidade máxima são 25 internos. O coordenador da clínica Matheus Henrique Dias disse na reportagem que “Criaram a secretaria antidrogas, ele disse que não teria como ajudar. Fomos até o gabinete do prefeito por quatro vezes tentamos marcar uma reunião com ele para mostrar a importância da casa, a secretária anotava e nunca retornava. Diante de tudo isso, não adianta querer ficar com a casa se ele fica se endividando. Sou ex-dependente químico, sei da importância, é possível mudar estes jovens mas a casa não vai viver exclusivamente de amor. Para trabalhar com adolescente, é preciso de psicólogo, eles precisam de um acompanhamento diário. Nós não cobramos o atendimento pois sabemos que geralmente são famílias sem condições”.


Em resposta, o secretário de Desenvolvimento Social Paulo dos Prazeres disse que não conhecia a clínica, mas sabia que faltavam documentos para um possível convênio. A primeira tentativa de convênio aconteceu em 2009, mas a clínica não possuía o título de utilidade pública. Em 2010, já de posse do título, o convênio não foi realizado por uma “falha de comunicação” entre a prefeitura e a clínica. Agora em 2011 a documentação está completa, porém o convênio só deve oficializar no próximo ano.

“Estatuto, ata de posse, CNPJ, utilidade pública municipal, o cadastro no Conselho de Assistencia Social, certidões negativas. Todas as crianças e adolescentes vem encaminhados pelo conselho tutelar ou pelo juiz. Vamos separar e apresentar para o prefeito” contou Matheus.


O coordenador disse que depois da reportagem o secretário Adjunto de Políticas Antidrogas, Adriano Siqueira entrou em contato com os coordenadores para uma reunião. “Nós fomos na secretaria e conversamos com Adriano e o secretário Paulo dos Prazeres e mostramos a importância da casa, a documentação, o projeto da chácara e perceberam a importância da comunidade terapêutica para Divinópolis e disseram que vão nos ajudar. No outro dia um representante da comunidade Maria de Nazaré esteve em encontro com o prefeito Vladimir Azevedo, que afirmou não conhecer o projeto por ser novo e disse que não poderia de forma alguma deixar a instituição fechar as portas por esse motivo. Vamos separar toda a documentação da casa para apresentar na semana que vem” disse.
A clínica é a única da região que atende adolescentes. O atendimento para estes usuários deve ser diferenciado.

Em visita a clínica, conhecemos o jovem D.S. De 12 anos. Aos nove anos se envolveu com maconha por influência de colegas, e há um mês está na clínica em busca de um recuperação. Conhecido na clínica como “menino dos abraços”, pois gosta de ficar abraçado com os funcionários da clínica, D. S. demonstrou  na emoção em que fala da chácara, a importância do projeto para a cidade. “ O melhor lugar que já passei”. O garoto que convivia com o perigo da drogas, hoje joga bola, toca violão, aprende artesanato  e se mostra convicto dos planos para o futuro. “Quero estudar e ser jogador de futebol”.

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