quarta-feira, 21 de Setembro de 2016 15:48h Jotha Lee

“Na eleição para prefeito, o eleitor vai olhar muito mais para a cara e a capacidade do candidato”

Aos 70 anos, completados no último dia 15, o advogado Iris José de Almeida, tenta pela primeira vez se eleger prefeito de Divinópolis. Candidato pela Coligação “Divinópolis Digna Para Todos”, formada pelo seu partido, o PT, e pelo PSDC, ele tem como candida­to a vice, o professor Alisson Ferreira. Filiado ao PT desde 1981, Iris fala com orgulho da sua militância. “Fui um dos fundadores do partido em Di­vinópolis”, garante. Depois de três uniões conjugais, Iris é pai de oito filhos, dois netos e uma bisneta e se declara como um “homem de família”. Diz que sabe das dificuldades que vai encontrar pela frente, porém garante que está preparado para isso. O advogado diz que é preciso recuperar a autoesti­ma do povo da cidade. “Nosso povo precisa voltar a sentir orgulho de ser divinopolitano”.

QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS PI­LARES PARA UMA POSSÍVEL ADMINISTRAÇÃO PETISTA EM DIVINÓPOLIS A PARTIR DO ANO QUE VEM?

Pretendemos atacar qua­tro pontos principais: saúde, educação, infraestrutura e a questão do funcionalismo municipal. Paralelo a esse eixo administrativo, vamos reestru­turar as Associações de Mora­dores, para fixarmos o man­dato popular e participativo, implantando, obviamente, o orçamento participativo. Esses pontos são fundamentais para o nosso governo.

DE QUE FORMA SERÁ IM­PLANTADO ESSE GOVERNO POPULAR?

Vamos fazer uma chamada para todas as associações de moradores, todos os Conse­lhos, para discutirmos ponto a ponto o que é necessário em cada bairro e, juntos, decidir­mos de forma deliberativa o que é prioritário. Decidido isso, o que é de mais urgente, nós vamos atacar em conjunto com as associações e todas as entidades, além dos Conse­lhos Rurais.

A LEI DE DIRETRIZES ORÇA­MENTÁRIAS (LDO) APROVA­DA PELA CÂMARA FAZ UMA PREVISÃO CATASTRÓFICA PARA O PRÓXIMO PREFEITO, ESTIMANDO EM POUCO MAIS DE R$ 19 MILHÕES OS RE­CURSOS DISPONÍVEIS PARA INVESTIMENTOS NO ANO QUE VEM. É POSSÍVEL REALI­ZAR OBRAS DENTRO DE UMA PREVISÃO COMO ESSA?

Vai ser preciso fazer mila­gre. É humanamente impossí­vel fazer muita coisa com pou­co dinheiro, mas nós temos um projeto para fazer o mais, com pouco. Confirmando essa previsão, não restas dúvida de que está muito longe de atender as demandas do mu­nicípio. Vamos ter que buscar parcerias com o governo do Estado, com a União, para que a gente possa, pelo menos num primeiro momento, ou até no primeiro ano, acudir o necessário que for inadiável. Agindo assim, a gente pode ter um fôlego para organi­zar a nossa administração e equacionar esse problema fi­nanceiro. Vamos buscar meios para isso.

NO SEU PROGRAMA ELEITO­RAL, O SENHOR TEM FEITO CRÍTICAS DURAS À COPASA. UMA PREFEITURA PETISTA TERIA CONDIÇÕES DE BATER DE FRENTE COM A COMPA­NHIA, QUE É UMA EMPRESA PÚBLICA DO GOVERNO, HOJE COMANDADO PELO PT?

Exatamente por esse ponto que nós temos condições de atacar essa questão da Copasa, sem nenhum constrangimen­to. Eu sou advogado há 30 anos e conheço os cami­nhos legais. Os contra­tos estão aí para serem revistos. Nós quere­mos rever as cláusulas desse contrato [de concessão do esgoto], vamos buscar uma redução dessas taxas que estão sendo cobradas com percentual de 50% do valor da conta de água para o consumidor que ainda não tem o tratamento do esgoto e 90% onde o tratamento já está sendo feito. Numa conta de consumo de água de R$ 100, o consumidor paga R$ 150 onde não há o tratamento e R$ 190 onde já há o esgoto tratado. Nós queremos rever isso e, se for ocaso, de haver uma quebra de contrato, nós vamos discutir isso de forma muito clara, principalmente porque o governo mineiro é petista. Queremos rever isso. Nós temos condições de sentar à mesa com o governo e discutir o lado jurídico da questão. É muito desumano os valores que nós estamos pagando pela taxa de esgoto e a reclamação maior que temos ouvido da população é a discordância em pagar por um serviço que não é efetivamente prestado. Mas isso está no contrato e é por esse motivo que temos que rever as cláusulas contra­tuais e readequar a uma nova situação. Juridicamente isso é possível. Embora o contrato seja lei entre as partes, nós precisamos rever aquilo que na visão da população e na minha também está sendo prejudicial. Nós estamos pa­gando por um serviço que não é prestado e a população está indignada com isso. Dou um exemplo da minha conta de água. Vou pagar agora dia 20 [a entrevista foi grava­da na semana passada] R$ 261 e são dois adultos e duas

crianças.

A COPASA NÃO CUMPRIU O CONTRATO, QUE PREVIA A CONCLUSÃO DA ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DO RIO ITAPE­CERICA EM DEZEMBRO DESSE ANO. O ATUAL PREFEITO DEU MAIS DOIS ANOS PARA A COMPANHIA EXECUTAR A OBRA E, NESSE PERÍODO, A POPULAÇÃO CONTINUARÁ PAGANDO A TAXA. O SENHOR CONCORDA COM ISSO?

Não concordo em hipótese alguma. Eu não entendo por­que foi feito dessa forma, es­tendendo esse prazo por mais dois anos. Entendo que essa discussão deveria ter pas­sado pelo Legislati­vo. A gen­te tem que rever isso. Não concordo com esse posicionamento. Primei­ro passo é ganhar a eleição. Ganhando a eleição, antes da posse, eu já quero discutir essa questão na qualidade de pre­feito eleito. E eu vou ter uma porta aberta para conversar com o meu governador. Ora, eu preciso resolver isso antes de começar o meu mandato. Eu não sou contra a gente pagar, mas o correto é pagar o preço justo. A população não aceita essa situação e ela pode ter certeza que nós vamos enfrentar esse problema sem medo.

O SENHOR VÊ POSSIBILIDADE DE VENCER A ELEIÇÃO COM UMA CHAPA PURO SANGUE COMO VEM O PT?

Desde o princípio da nossa pré-candidatura eu já de­fendia isso, porque quanto maior a coligação implica em atendimento a todos os partidos que fazem parte dela. Por essa razão nós estamos questionamento o número de cargos de livre nomeação do prefeito, os chamados cargos de confiança. Já me chegou a informação que eram 280, depois 230 e hoje tem menos porque alguns foram exo­nerados. Vamos avaliar para saber se precisamos de 230 cargos comissionados e além disso, 75% desses cargos serão destinados a servidores de car­reira. Vamos também escolher para esses cargos através de uma lista tríplice que deverá ser elaborada pelos próprios servidores. Para mim, se tiver competência, não importa o partido político. Importa a competência para desempe­nhar aquela função.

O SENHOR ACREDITA QUE É NECESSÁRIO ESSE VOLUMO­SO NÚMERO DE SECRETARIAS QUE COMPÕEM A ADMINIS­TRAÇÃO HOJE?

Não acredito. Acho que 10 secretarias já está de bom tamanho e ainda assim é pre­ciso analisar se realmente esse número é necessário.

NESSES PRIMEIROS DIAS DE CAMPANHA O SENHOR TEM SENTIDO ALGUMA REJEIÇÃO EM RAZÃO DOS ÚLTIMOS ACONTECIMENTOS QUE EN­VOLVERAM O PT?

Muito pouco. Eu consegui falar com três pessoas que mostraram algum tipo de re­jeição. Eu tenho questionado essas pessoas há quanto tem­po me conhecem e se há algo que macule a minha imagem. A gente tem procurado mos­trar que a disputa municipal é uma eleição totalmente dife­rente da escolha de presidente, deputado ou governador. Na eleição para prefeito, o eleitor vai olhar muito mais para a cara, a capacidade do candi­dato e o passado dele. E tenho questionado também que me aponte qual o partido não está envolvido na Operação Lava-Jato. Estão lá PSDB, PMDB, Democratas... todos esses partidos têm envolvimento. Todos. E não se iluda, os par­tidos pequenos, os chamados nanicos, todos têm dono. Tem deputado federal que é dono, tem senador que é dono. Exa­tamente por conveniência, para que eles utilizem desses pequenos partidos para se elegerem.

QUAL A AVALIAÇÃO O SE­NHOR FAZ DA ATUAL ADMI­NISTRAÇÃO?

Não sou eu quem faço. É a população, que tem reclama­do que está abandonada. Re­almente eu tenho andado por aí e a periferia está completa­mente abandonada, como se não fizesse parte do universo do município. Posso citar como exemplo o bairro Jardim Copacabana, onde há uma fossa de um metro e meio para três residências. Um absurdo isso. O calçamento não foi compactado e está soltando. Um grande risco para o povo. Não foi feita uma entrada de­cente para o bairro. Situação de abandono assim há em toda a cidade e avaliação que o povo faz da atual administra­ção é a pior possível. .

QUAL A MENSAGEM O SE­NHOR DEIXA PARA O ELEI­TOR?

Estou cheio de esperança. Sou uma pessoa destemida, sei o que está me esperando. Não tenho medo de enfrentar a atual situação do município, exatamente porque, primeiro eu tenho muita confiança em Deus, e depois nas pessoas de bem. Em nossa cidade existem muitas pessoas de bem. E jun­to com nossa gente, nós vamos resolver os muitos problemas que temos pela frente. Não adianta estar em minha casa e não ter segurança. E estou lá fechado por cercas elétri­cas. Eu quero que nossa gente volte a andar nas ruas de nossa cidade com segurança, de cabeça erguida e que o nosso povo volte a ter orgulho de ser divinopolitano.

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