sábado, 27 de Agosto de 2016 11:00h Atualizado em 27 de Agosto de 2016 às 10:19h. Pollyanna Martins

Na segunda reportagem da série “Precariedade dos bairros”, nossa reportagem visitou a região sudoeste da cidade

Os moradores dos bairros Cacôco, São Judas Tadeu e Jardim Copacabana aguardam por melhorias há anos

Entra ano e sai ano e a situação de muitos bairros é a mesma em Divinópolis. Na segunda reportagem da série “Precariedade dos bairros”, nossa reportagem visitou três dos 45 bairros da região sudoeste, e em todos os bairros visitados os moradores aguardam por melhorias há anos. O primeiro bairro que a nossa reportagem esteve foi o Jardim Copacabana. Apesar de ser novo - apenas quatro anos que foi entregue para a população -, os moradores já acumulam histórias de luta por melhorias. Ao entrar no bairro, o mau cheiro já é sentido. O problema é causado pelo esgoto estourado em várias ruas do bairro.

Sem rede de esgoto, as 498 casas do bairro ainda utilizam o sistema de fossa, e os moradores precisam ter jogo de cintura quando ela estoura. De acordo com uma moradora, que preferiu não se identificar, hoje, o maior problema do bairro são fossas estouradas e a situação piora a cada ano. Conforme a moradora, no ano passado, o Ministério Público Estadual concedeu 15 dias para a Prefeitura de Divinópolis apresentar uma solução para a questão do esgoto do bairro Jardim Copacabana. Na ocasião, o Ministério Público convocou as partes envolvidas no processo – moradores do bairro e Prefeitura – para uma reunião, na qual ficou decidido que a responsabilidade com a manutenção das fossas seria da Prefeitura. “É uma coisa tão cansativa, a gente fala em fossa, mas a situação é de calamidade. Tem casas que esperam pela limpeza há mais de três meses e a fossa está transbordando. O caminhão vinha todos os dias para a limpeza, mas agora vem só duas vezes na semana. Agora em setembro iria fazer um ano da determinação do Ministério Público, mas a Prefeitura simplesmente diminuiu o serviço”, reclama.

Conforme a dona de casa, apenas seis fossas eram limpas por dia pelo caminhão, e agora ninguém sabe quantas recebem a limpeza por dia. A moradora informou que a Prefeitura de Divinópolis está há dois meses sem pagar a empresa que faz a limpeza das fossas, e este seria o motivo de a limpeza ser apenas duas vezes por semana. “A Prefeitura atrasou o pagamento da empresa [que faz a limpeza das fossas] e então o caminhão só vem agora duas vezes por semana para limpar 498 fossas”, detalha. A dona de casa ressalta que a situação se torna mais caótica a cada dia, e muitos moradores não têm outra saída, senão jogarem clandestinamente os resíduos da casa na rede de esgoto. O resultado desta atitude é vários pontos de esgoto estourados pelo bairro. “Tem esgoto estourado pelo bairro inteiro. Se você bater em todas as portas, todos vão falar a mesma coisa. Não tem condição de a gente continuar vivendo deste jeito”, critica. Segundo a moradora, a fossa fica cheia em 15 dias e, após isso, é necessária a limpeza. A dona de casa ressalta que, com o esgoto estourado na rua e escorrendo a céu aberto, ratos, baratas, e todos os tipos de insetos invadem as casas do bairro. “O assunto do [bairro Jardim] Copacabana é fossa. As casas ficam cheias de moscas varejeiras, baratas e ratos. Eles [o Poder Público] jogaram a gente aqui e pronto. Nós fomos a válvula de escape”, reforça.

Uma das saídas apresentadas pela Prefeitura para sanar o problema das fossas no bairro é a implantação de uma fossa comunitária. No dia 7 de maio de 2015, a Prefeitura de Divinópolis informou, através de sua assessoria de imprensa, que a Usina de Projetos estava apenas aguardando a liberação do terreno, por parte do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), para que as obras da fossa comunitária começassem. Segundo a moradora, até hoje, o Executivo não deu nenhuma previsão de quando as obras, que iriam solucionar o problema com fossa, vão começar. “Pelo projeto, que nós procuramos saber como iria funcionar, tudo já estava certo. Que as obras iriam começar agora, porque já era para estar sendo feito, mas não fizeram a fossa comunitária e ficou por isso mesmo. Dizem que já tem verba liberada para as obras, mas até hoje nada”, lamenta.

 

CACÔCO

 

No bairro Cacôco, a situação não é muito diferente. Desde 2011 que os moradores do bairro aguardam por melhorias, porém o projeto de asfaltamento e drenagem pluvial de dois quilômetros das ruas do bairro não saiu do papel. Há mais de quatro anos, o prefeito de Divinópolis, Vladimir Azevedo, assinou uma ordem autorizando o início do serviço, mas as obras sequer começaram. A dona de casa, Nathália Cristina Ribeiro, mora na comunidade há cinco anos e lembra-se do dia em que o prefeito esteve na igreja do local e assinou a ordem de serviço. “Eles [autoridades] vieram aqui na igreja, o prefeito assinou o papel mandando asfaltar isso tudo aqui. Colocaram vários tratores aqui, manilha, até placa indicando a obra na entrada da comunidade. No outro, vieram aqui, levaram os tratores embora e nunca mais mexeram em nada”, conta. O então superintendente de Usina de Projetos, Lúcio Espíndola, afirmou, na época, que a previsão de conclusão da obra seria de aproximadamente oito meses. “Essa é uma obra muito sonhada, reivindicada e esperada pela população e que essa administração, através da sensibilidade do prefeito Vladimir, vem atender, trazendo qualidade de vida e desenvolvimento para a região”.

A obra seria realizada com um investimento de R$ 1,3 milhão. Sendo R$ 1,1 milhão por intermédio do Deputado Federal Domingos Sávio (PSDB), e os R$ 200 mil seriam de responsabilidade da prefeitura. Durante a solenidade de assinatura da ordem de serviço, o prefeito destacou que quando era Deputado Estadual, Domingos Sávio deixou pronto um repasse de R$ 6 milhões, e que a comunidade havia sido escolhida a dedo para ser beneficiada com o asfalto. “Estamos trabalhando e devolvendo os recursos em obras, somando com a população. Essa parceria com os deputados é fundamental para que possamos continuar a levar melhorias para a população”, disse. Para reivindicar as melhorias na comunidade, os moradores já fecharam a entrada no início de 2015. A poeira que toma conta da região em época de seca foi a responsável pela manifestação. Os moradores fecharam o acesso à comunidade na esperança de uma solução. “No dia da manifestação, veio a Polícia Militar, veio gente da prefeitura prometendo que iam calçar as ruas. Aqui é um acesso para São Sebastião do Oeste, então passam muitos carros. Em época de seca, a gente não dá conta da poeira. No dia do protesto, o pessoal da prefeitura entrou em um consenso com o presidente da comunidade, falando que ia arrumar, mas até hoje nada”, reclama.

 

SÃO JUDAS TADEU

 

Andar por Divinópolis e encontrar ruas sem infraestrutura não é uma tarefa difícil. Cansados de esperar pelo Poder Público, moradores de vários bairros pagam para fazer a manutenção das ruas de suas casas. E é assim que os moradores do bairro São Judas Tadeu fazem para manter o pouco de infraestrutura que têm na porta de suas residências. Há mais de 30 anos que eles pagam para capinar as vias, e até mesmo aterrar uma rua, que tem boa parte levada cada vez que chove. A aposentada, Maristela Gonçalves, mora na Rua Euclides da Cunha há 29 anos e conta que, quando se mudou para o bairro, os problemas já existiam. Maristela reclama que o mato alto não está somente em frente à sua casa, os fundos também são cercados pela mata e ainda há um córrego. “No fundo da minha casa é cheio de mato também, tem um córrego no fundo, que nós pedimos para canalizar e até hoje não fizeram nada”, ressalta.

Escondida em meio ao mato que toma conta do bairro, está a Rua A. Quem vai ao local se surpreende, pois é necessário pedir licença ao mato para ter acesso às casas. A dona de casa, Célia Maria Campos, diz que é a filha quem paga para capinar a porta da sua casa. A situação da via é semelhante à Rua José da Paz, no bairro Nossa Senhora das Graças. O córrego que passa pelos fundos da casa de Maristela, passa aberto na Rua A. O pedaço de calçada é levado a cada chuva forte que chega à cidade. “A minha filha mora nessa rua e lá não tem como sair e nem entrar de carro. O córrego fica bem na porta e toda vez que chove vai embora um pouco do passeio. Sem contar que o córrego transborda e a água invade as casas”, conta a dona de casa.

 

PREFEITURA

 

A Prefeitura informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a Secretaria de Operações Urbanas vai verificar a situação da Rua A, no bairro São Judas. “Em relação à limpeza da fossa no bairro Copacabana, o serviço já está normalizado”, porém o Executivo não informou quantas vezes por semana o serviço era feito.

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