segunda-feira, 19 de Outubro de 2015 08:51h Atualizado em 19 de Outubro de 2015 às 08:53h. Mariana Gonçalves

“Não seremos irresponsáveis a ponto de sair fechando escolas”, afirma Afonso Gonzaga.

O assunto tem sido comentado em todo o país, desde meados de setembro, quando o ministro da Fazenda, Joaquim Levy

O assunto tem sido comentado em todo o país, desde meados de setembro, quando o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, anunciou a proposta de redução de 30% sobre o valor repassado às entidades do Sistema S, que engloba o Serviço Social da Indústria (Sesi), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac).
A medida faz parte da meta do Governo de reduzir o déficit do orçamento de 2016, calculado em R$ 30,5 bilhões. De acordo com a Controladoria Geral da União (CGU), em 2014, as instituições do Sistema S somaram receita de R$ 31,08 bilhões.
Diante disso, especula-se que haverá o fechamento de diversas unidades do sistema, podendo atingir, inclusive, Divinópolis. Porém, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) - Regional Centro-Oeste, Afonso Gonzaga, garante que caso a proposta de redução do governo seja aprovada em definitivo, ainda assim, as instituições serão mantidas abertas. “Teremos dificuldades de manter as escolas que aí estão, são mais de 200 escolas em Minas Gerais. Mas temos um planejamento de investimento para Divinópolis, Itaúna e Pará de Minas já ajustado. Nós não seremos irresponsáveis a ponto de sair fechando escolas, isso com certeza não irá acontecer”, afirma.
Ainda conforme Afonso, o corte orçamentário implicaria também em um remanejamento do quadro de colaboradores para que as instituições se reprogramem financeiramente. A intenção é que nem isso chegue a se concretizar, “o Robson, que é o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), tem estado com o ministro Levi, e com o ministro Mercadante diariamente, tentando encontrar uma solução”, disse o presidente da Fiemg, destacando ainda a possibilidade da Federação assumir a continuidade do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). “Entendemos que é pertinente a manutenção do Pronatec, e isso tem um custo, parece que em torno de três bilhões, temos discutido a possibilidade de o sistema assumir o programa, porque nesse custo estariam envolvidas as questões de instalações, e isso nós já temos. Então teríamos um custo menor do que esse valor, para manter o Pronatec em funcionamento”, avaliou.

 

CONFISCO

O presidente da Fiemg Regional Centro-Oeste classifica como indecorosa a medida de corte pretendida pelo Governo. “Essa proposta tem o objetivo de buscar recurso, o qual, na verdade, teria que ser da iniciativa privada, pois toda a arrecadação do Sistema S – seja na indústria, no comércio, no serviço ou na agricultura, são contribuições feitas pelos empresários, através da folha de pagamento, nós entendemos isso como um confisco”, diz.

 

ESPERA

As negociações com o Governo continuam ocorrendo, Afonso Gonzaga acredita que o bom senso deva prevalecer, até mesmo para que seja possível encontrar outra solução para sanar o 'arroxo' econômico do país. “O momento é grave, difícil, as indústrias passam por muita dificuldade, a arrecadação tem caído sistematicamente, e claro, que estamos sentindo isso na pele. Mas estamos firmes, acreditando que será possível melhorar”, encerra Afonso.

 

Creditos: Mariana Gonçalves

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