quinta-feira, 14 de Janeiro de 2016 08:48h Mariana Gonçalves

Nem Prefeitura, nem população se responsabilizam por imóvel abandonado no Elizabeth Nogueira

“Era uma casa tão engraçada, não tinha teto, não tinha nada! (A Casa, Vinicius de Moraes)”

Ao contrário da música, o imóvel situado na Rua Padre Paulo, no Conjunto Habitacional Elizabeth Nogueira, tinha, sim, um teto coberto por telhas, janelas de vidro, e portas, no entanto, hoje, o que restou da casa foi somente um ‘esqueleto’.
O imóvel ficou pronto e foi ‘entregue’ ao conjunto logo que a Prefeitura disponibilizou as moradias populares do Minha Casa, Minha Vida para seus respectivos proprietários, entretanto, as informações se divergem quando o assunto é este imóvel, pois o mesmo foi projetado para ser um espaço de uso da comunidade, uma possível sede da Associação de Moradores. Inclusive, pelo que pode ser visto por nossa reportagem, que esteve no local, o ambiente foi preparado para abrigar um espaço de lazer da população, logo na frente da casa, é possível ver pedaços da estrutura de brinquedos infantis.
Nossa equipe de reportagem percorreu praticamente todas as ruas do Elizabeth Nogueira, e todos aqueles moradores que abordamos nos afirmaram que o imóvel nunca foi utilizado pela população, até mesmo em virtude das informações que correram no famoso boca a boca, dizendo que a Prefeitura é quem deveria liberar o uso do imóvel, entregando as chaves à população. Em contrapartida, fomos informados pela assessoria de comunicação da Prefeitura, que essas chaves foram entregues e que o imóvel poderia ter sido usado pela comunidade.

 

LEVARAM TUDO
Em razão do abandono, o espaço passou a ser alvo de ladrões, que depredaram o imóvel, roubando tudo, desde portas e janelas, até as telhas e caibros do telhado. Foram levadas ainda as grades que cercavam a sede e o portão.

 

INSEGURANÇA

Alguns moradores nos relataram que o espaço atualmente tem servido para abrigar usuários de drogas, principalmente porque o lote está tomado de matos. “Aqui à noite é muito perigoso, porque os jovens usam drogas, tem vez que é até na porta da gente mesmo. Naquele imóvel então, nem se fala. Eles usam a casa de esconderijo de drogas, porque nem grades ela tem mais, antigamente era toda fechada, mas acabaram com tudo”, disse uma moradora, que preferiu ter sua identidade resguardada.

 

DISSE ME DISSE

Em janeiro de 2014, o Jornal Gazeta do Oeste trouxe uma reportagem deste mesmo problema, na ocasião, foi entrevistado um dos representantes da construtora responsável pelo projeto no Conjunto. Confirma trecho na integra.
“Segundo o engenheiro civil, Sebastião Fernandes Júnior, da Construtora D'Ávila Reis, responsável pelas obras, a Caixa, que financia o empreendimento, não permite a entrega dos residenciais sem o chamado “centro social”, que pode ser uma creche, uma praça, um campo de futebol, de acordo com o que a prefeitura previu em projeto. No caso do Elizabeth Nogueira, o centro social escolhido foi uma sede para a associação de bairro. Ele afirma ainda, diretamente, as chaves e a documentação do imóvel foram entregues à administração municipal”.
Apesar disso, a população relata que ninguém recebeu nada referente ao imóvel.

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