segunda-feira, 7 de Março de 2016 09:54h

No dia Mundial do Rim, SBN reforça cuidados com o rim na infância

Os rins tem função primordial na vida de qualquer ser humano. A principal delas é a filtragem do sangue e pouca gente sabe, que deixar de lado a saúde dos rins traz consequências gravíssimas para o restante do corpo

Durante os próximos três dias a Assessoria de Comunicação do Hospital São João de Deus, enviará a você textos de referência sobre os rins, uma vez que no dia 10 de março será comemorado o ‘‘Dia Mundial do Rim’’. Na campanha de conscientização deste ano, a SBN (Sociedade Brasileira de Nefrologia), aborda o tema:  ‘‘Prevenção da Doença Renal Começa na Infância’’, assunto que será abordado neste primeiro texto realizado a partir de uma entrevista com a Médica Nefropediátrica Jussara Fontes.

 

 

Por que é importante a prevenção renal desde criança?
O diagnóstico precoce é extremamente importante e começa durante o pré-natal. No ultrassom morfológico, já é possível identificar alguma anormalidade e providenciar um tratamento como forma de evitar a perda renal ao longo da vida. Além disso, problemas também podem surgir após o nascimento do bebê. Se a criança fizer xixi em excesso ou urinar pouco, se a urina tiver tom avermelhado ou ainda apresentar inchaços pelo corpo, é melhor procurar um especialista.

 

 

É muito importante que durante as consultas pediátricas, os profissionais se atentem ao aumento da pressão arterial sistêmica, intimamente ligada à função dos rins e, também, a presença de infecção urinária. Os riscos são maiores para as crianças em relação aos adultos. Os médicos devem solicitar nos exames de urina, a dosagem de proteinúria. O exame avalia a quantidade de proteína perdida ao urinar, um dos indícios de lesão renal. Outro exame capaz de diagnosticar problemas renais é o da creatinina.

 

 

Segundo a Médica Nefropediatra do Hospital São João de Deus, Jussara Torres, o exame de creatinina também aponta possíveis problemas nos rins e orienta sobre alterações nos valores de referência utilizados em exames de laboratório. “Esse exame é válido e deve ser realizado. Hoje nós profissionais preconizamos que deve ser feito o exame da creatinina basal, que é do próprio paciente. É importante ficar atento aos valores de referência, uma vez que podem sofrer alterações de um exame para o outro. Por exemplo, se você tinha uma creatinina em 0,6 e que o valor de referência era de 0,5 a 0,9, mas depois de um tempo você faz outro exame e a sua creatinina está em 0,8. Isso nem sempre vai ser um problema. No caso das crianças, esses resultados podem ser devido ao crescimento. Elas crescem e ganham massa muscular, mas é sempre bom verificar se não tem alterações na creatinina, mesmo que estejam dentro do valor de referencia”, explica.

 

 

 

Crianças podem ser submetidas à diálise/hemodiálise?
Desde o nascimento existe essa possibilidade. As crianças com disfunção renal também são submetidas à TRS (Terapia Renal Substitutiva), que inclui a hemodiálise, diálise e transplante renal. Ainda conforme a Nefropediatra Jussara Torres, “em bebês e crianças pequenas é comum realizar a diálise peritonial, mas também é possível a hemodiálise em crianças maiores. Já em menores acima dos 10 quilos, pode-se analisar a possibilidade de um transplante. Eu costumo falar sempre ao paciente que a melhor coisa é o rim dele. E muita gente pensa, perdeu o rim, agora vai transplantar. O transplante é uma das terapias que exige medicação sempre, exige consultas médicas de dois em dois meses e que confere uma melhor qualidade de vida, mas nunca será como antes”, declarou.

 



Transplante em crianças
O transplante é uma das opções da Terapia Renal Substitutiva (TRS) e como em qualquer procedimento médico, também apresenta riscos. A Médica Jussara Torres explica que o transplante, especialmente em bebês, demanda bastante cuidado. “São vários riscos, um deles é a trombose. O rim tem uma artéria que traz o sangue e outro que o leva de volta, além do ureter, onde é dispensada a urina para seguir até a bexiga. Quando feito o implante, é necessário ligar a artéria do rim na artéria do paciente. Pensa em um bebezinho então, onde há risco de ocorrer algo que obstrua essa pequena artéria e ele perca esse enxerto. Sabemos que em crianças menores de 10 quilos, realizar tal procedimento é perigoso. Isso sem contar que o organismo da pessoa vai rejeitar o enxerto, e se você colocar outro rim, ele vai produzir mais anticorpos e vai rejeitar cada vez mais o órgão, aquilo é algo estranho para o corpo. Tem pacientes que transplantam com um, dois ou três anos de idade e o interessante é o que rim também se desenvolve à medida que a criança cresce”.

 

 

Depois de finalizado o transplante, o sistema de defesa do nosso organismo entra em ação, criando anticorpos que vão atacar o novo rim. Para evitar a deterioração rápida do órgão, é necessário que o paciente tome medicamentos para evitar que o sistema de defesa o ataque indevidamente. Mas aí está o problema. Os remédios utilizados para evitar que o nosso corpo ataque o rim, também prejudicam a imunidade. “Então o paciente toma os remédios para baixar o sistema de defesa e ele não percebe mais o corpo estranho [rim], assim como também não percebe uma bactéria, vírus ou fungo. Aí o paciente está apto a adquirir infecções e com isso, esse enxerto sofre. Mas uma vez eu falo que a melhor coisa é o rim da pessoa, mas se ele não der conta do recado, temos duas opções, ou a pessoa morre ou entra na terapia. O enxerto dura em média de 10 a 12 anos”, contou a Nefropediatra.

 

 

 

Cuidados
Evitar problemas renais logo na infância é sinônimo de uma vida mais saudável no futuro. São medidas simples, que começam dentro de casa, no ambiente familiar. A principal mudança deve ser na alimentação. Reduza de todos os membros da família, o consumo excessivo de sal, gordura e açúcar. “Na correria em que vivemos, às vezes fica difícil praticar bons hábitos, mas não é impossível. Deveríamos consumir, em média, três gramas de sal. Sabe aqueles saches que ficam no restaurante, que a gente costuma temperar a salada? Cada um contém um grama de sal. O brasileiro, em média, consome 16 gramas de sal, ou seja, 16 pacotinhos daquele por dia. Isso é muito, muito mesmo. Outra coisa é o aumento de peso, a obesidade também está ligada a problemas renais, quem consome muita gordura deve ficar atento, evitar consumir bolachas, sucos artificiais e beber muito líquido – preferencialmente água ou também sucos naturais. O rim é o filtro do nosso corpo.

 

 

Ele tem funções únicas, como ativar a vitamina D, que controla o cálcio nos ossos. Uma dieta sem fritura deveria ser opção para todas as famílias, não só para as crianças. A prática de exercícios físicos também auxilia o metabolismo do corpo. De uma forma geral, eu ressalto a necessidade de dar mais atenção pediátrica ao sistema renal, fazer um exame de urina rotina bem feito e para medir a dosagem da creatinina, isso pelo menos uma vez por ano, em crianças onde não há suspeitas de nada, apenas como forma de prevenção”, recomenda Jussara Torres.

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