sábado, 30 de Janeiro de 2016 04:48h Atualizado em 30 de Janeiro de 2016 às 04:57h. Pollyanna Martins

Novo aparelho de radioterapia aguarda vistoria de órgão regulador para começar a funcionar

O aparelho foi adquirido em abril do ano passado e dobrará a capacidade de atendimento do Hospital do Câncer

O acelerador linear, aparelho que vai ser utilizado nos atendimentos de radioterapia do Hospital do Câncer, ainda não tem data definida para começar a atender os pacientes. O aparelho já está instalado no Hospital do Câncer, mas depende da vistoria do órgão regulador para iniciar a radioterapia em conjunto com outro aparelho, que atende os pacientes há mais de dez anos.

 


O acelerador linear custou R$ 3,8 milhões, e chegou à Divinópolis no dia 13 de abril do ano passado. Da verba disponibilizada para a aquisição do aparelho de radioterapia, R$ 1,8 milhão foi viabilizado pelo deputado federal Jaime Martins, por meio de emenda parlamentar e o investimento do Hospital do Câncer seriam de R$ 900 mil. No entanto, a instituição acabou precisando investir R$ 2 milhões para a obtenção do aparelho, porque, para liberar a emenda parlamentar, era necessária a apresentação da certidão negativa de débito do Hospital São João de Deus (HSJD), o que não foi possível de imediato, uma vez que a instituição devia uma série de impostos.

 

 


De acordo com assessoria de imprensa da Associação de Combate ao Câncer do Centro-Oeste de Minas (ACCCOM), o aparelho está totalmente pronto para funcionar, mas precisa da autorização do órgão regulador. “Tem que vir o órgão regulador para fazer os testes e ver que, de fato, a radiação não está vazando da sala, ver se está tudo bem, para dar o sinal verde e poder funcionar”, informa. Ainda segundo a assessoria da ACCCOM, o Hospital do Câncer já aguarda a visita do órgão regulador para dar início ao tratamento de novos pacientes. A assessoria explicou que, por se tratar de um órgão regulador, o hospital será avisado da vistoria um ou dois dias antes da visita. “O Hospital já está aguardando a visita, mas eles [o órgão] devem avisar um ou dois antes que estão chegando à cidade”, esclarece.

 

 


Com o funcionamento do segundo acelerador linear, o atendimento para a radioterapia será dobrado no Hospital do Câncer. Atualmente, apenas uma máquina atende toda a demanda de pacientes. O acelerador que já está no Hospital do Câncer há mais de dez anos já chegou a realizar 130 sessões de radioterapia por dia. O atendimento teve que ser reduzido praticamente pela metade, pois a máquina estava sobrecarregada. “Desde que o hospital começou a funcionar, a demanda é muito grande, e só vem aumentando a cada ano. Hoje, a capacidade do acelerador é de atender 70 pacientes de radioterapia por dia. É uma demanda que dá para o hospital fazer uma manutenção preventiva no equipamento e não ter o perigo de quebrar, e gerar o transtorno de ficar um ou dois dias em manutenção”, esclarece.

 

 


ESPERA
Com a redução no atendimento de radioterapia, para não sobrecarregar o acelerador linear, a fila de espera é inevitável. A dona de casa, Marisléa Frankiln de Souza, iniciou o tratamento contra o câncer de mama em outubro do ano passado. Segundo o filho de Marisléa, Tibério Franklin, um ano antes de ser diagnosticada com a doença, sua mãe fez o exame preventivo e nada foi encontrado. No ano passado, após a descoberta do câncer, Marisléa passou por quatro cirurgias, quatro sessões de quimioterapia e aguarda o início da radioterapia há dois meses. “Minha mãe iniciou o tratamento de quimioterapia em outubro. Estivemos na ACCCOM e, devido à grande demanda e poucos médicos, fizemos a quimioterapia particular pela clínica DOM e aguardamos desde o início de novembro a consulta no Hospital do Câncer para iniciar a radioterapia. Porém, a previsão da consulta é dia 5 de fevereiro e, segundo a médica oncologista particular, se não começar a radioterapia na semana que vem, teremos que levá-la para outra cidade”, conta.
A assessoria explica que, para um novo paciente iniciar a radioterapia, é necessário que outro termine as sessões indicadas. “Para entrar no tratamento, outro paciente tem que sair, porque quando ele começa não para mais. Normalmente, existe um prazo para a pessoa iniciar a radioterapia. Quando a situação está muito avançada e o caso muito grave, os médicos podem remanejar e ver o melhor para o paciente”, ressalta.

 

 


SOBRECARGA
Segundo a assessoria de imprensa da ACCCOM, alguns pacientes que estão aguardando tratamento são enviados para Belo Horizonte para não sobrecarregar a única máquina que faz a radioterapia em Divinópolis. Além da espera para utilizar o novo acelerador linear, o Hospital do Câncer foi surpreendido com a licença de um médico do setor. Problema este que, conforme a assessoria, será solucionado até março. “Nós conseguimos um profissional para substituir este outro que saiu. Foi um esforço exclusivo da ACCCOM, para garantir a vinda deste profissional. A ACCCOM teve que garantir o salário deste profissional, o que não é responsabilidade dela, mas diante deste caos, a associação fez isto, porque é um atendimento direto ao paciente. Em fevereiro, até março ele estará aqui”, explica.

 

 



Créditos: Arquivo GO

© 2009-2016. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.