quarta-feira, 8 de Abril de 2015 11:16h Atualizado em 8 de Abril de 2015 às 11:19h. Pollyanna Martins

Número de usuários do plano São João de Deus cai 33,5% em dois meses

Médicos reclamam da falta de pagamento das consultas

O número de credenciados do plano São João de Deus caiu 33,5% em dois meses, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A queda é resultado de uma severa crise que o plano passou em 2014, com descredenciamento de médicos e especulações de decreto de falência. Em novembro de 2014 o São João de Deus Saúde contava com 61.461 usuários, este número caiu para 40.867 em janeiro deste ano.
Um dos motivos que levou ao descredenciamento de vários médicos foi a falta de pagamento. De acordo com a ginecologista Heloísa Cerri, de maio a outubro de 2014 o plano de saúde não pagou as consultas realizadas por ela. O acerto do valor veio somente em outubro, mas como o plano não pagou as consultas realizadas de outubro a dezembro, a médica decidiu não atender mais a operadora.
“Na verdade a gente não precisa descredenciar, a gente só deixa de atender pelo plano e avisa aos pacientes. Eu fiquei de maio a outubro sem receber o pagamento do plano, recebei em outubro, mas fiquei [sem receber] de outubro a dezembro. Foi quando eu decidi não atender mais pelo plano. E a gente liga lá para saber quando vai receber e eles usam a frase ‘ainda não temos previsão’”, relata Heloísa.
A médica diz que lamenta pelos pacientes, mas que a situação chegou a um ponto que não tinha como atendê-los. “Eu lastimo muito pelos pacientes, mas por respeito a mim eu resolvi não atender mais pelo plano. Agora se os médicos continuarem a atender sem receber vai criar uma situação muito confortável para as pessoas responsáveis pelo plano. Quando eu recebi os valores atrasados, o plano me pagou sem correção monetária, sem nada. São vários colegas que estão na mesma situação e optam por não atender mais pelo plano São João de Deus Saúde”, ressalta.

Falta de atendimento
A falta de atendimento médico e hospitalar é a explicação de alguns usuários para o cancelamento do plano. A empresária Rosemeire Couto cancelou o plano que atendia toda a família dela em novembro, e disse na época que, como não conseguia marcar consultas médicas, a única saída que ela e o marido encontraram foi mudar de operadora. “A dificuldade para marcar consulta e a demora eram demais. Além de não ter pediatra nos hospitais que atendiam pelo plano e, no meu caso, o pediatra da minha filha descredenciou com o São João de Deus Saúde. Quando eu tentei agendar ginecologista para mim, só tinha data para dali três meses”, conta Rosemeire.
Após cinco meses da troca dos planos, a empresária garante não se arrepender e diz ainda que o que mais a deixava insatisfeita com o plano de saúde era a falta de transparência. “Eu e toda a minha família, os meus irmãos, cunhado e sobrinhos, tínhamos o convênio e não vimos nenhuma melhora. Não tinha um esclarecimento se ia melhorar ou não e os médicos que a gente procurava estavam descredenciando do plano. Muitas vezes eram médicos que nós já estávamos acostumados a consultar. Eu liguei e a secretária falou que o plano não estava pagando”, completa.

 

DÍVIDAS
Após passar por um período de direção fiscal, que ocorre quando uma operadora de saúde suplementar fica sob acompanhamento especial da ANS – em decorrência de anormalidades graves de natureza administrativa ou econômico-financeira, que ponham em risco a continuidade ou a qualidade do atendimento à saúde – na manhã de ontem houve mais uma especulação sobre o decreto de falência do plano de saúde. Médicos e usuários ficaram alarmados com o possível fechamento da operadora. Porém, esta informação foi negada pela assessoria de imprensa do Hospital São João de Deus e por uma funcionária do plano.
No início do ano, um empresário de Divinópolis denunciou que, ao protestar no Tabelionato de Protestos de Títulos da Comarca de Divinópolis uma dívida que o plano de saúde tinha com ele, teria encontrado outros onze débitos protestados, que juntos somam R$ 228.458,44. Na época o empresário alegou que a dívida do plano com ele chegava a R$ 1 milhão.
O site Divinews divulgou que com a empresa Biológico e Medicina e Laboratório Ltda a dívida era de R$ 95.518,24, em quatro títulos. Já a terceira empresa que protestou um único título de R$ 3.686,11 é o Centro de Pesquisa e Análise Clínica (Cepac). O último protesto registrado era de R$ 838,08, feito pela empresa Michigan Importação e Exportação Ltda.
A Gazeta do Oeste entrou em contato com o plano de saúde, que se negou a fornecer o valor atualizado da dívida.

 

Crédito: Pollyanna Martins

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