sexta-feira, 23 de Março de 2012 09:39h Atualizado em 23 de Março de 2012 às 09:47h. Vinícius Soares

“O negro, a flor e o rosário” chega a Divinópolis

10 mil pessoas já assistiram ao premiado espetáculo que percorre quatro cidades de Minas Gerais

A peça “O negro, a flor e o rosário”, de Maurício Tizumba, abre mais uma temporada e Divinópolis receberá o espetáculo no dia 23 de março às 20h30 no Teatro Municipal Usina Gravatá. O espetáculo aborda as histórias dos orixás, homenageia heróis da resistência negra, como Zumbi dos Palmares, e recorda personagens da tradição popular, como Cosme e Damião e Saci-Pererê.
As apresentações são gratuitas e também serão feitas em outras três cidades mineiras: Belo Horizonte, São João Del Rei e Ouro Preto. A obra chama atenção para a identidade nacional, colaborando com a preservação da memória do país a partir de pontos de vista menos oficiais. “Contamos a história da forma que nós mesmos vivenciamos. Acredito que esses são os fatores de sucesso da peça. Recebemos diversos elogios e pedidos por mais apresentações. Assim, decidimos continuar com o trabalho e temos planos para levar a nossa arte e cultura para outros estados, como Espírito Santo e Rio de Janeiro”, explica Tizumba.
Divertido e bem-humorado, o espetáculo tem como temática a mistura de costumes oriundos dos navios negreiros que traziam escravos da África para o Brasil. Seis contos serão apresentados de forma descontraída: Orixás, Zumbi dos Palmares, Dandara, Saci-Pererê, Cosme e Damião e Nossa Senhora do Rosário. “A minha intenção é contribuir para a formação de crianças e jovens, de forma a despertá-los para a consciência negra. Mostrar, por meio da música, a cultura afro-brasileira, que surgiu da mistura de costumes com a travessia de negros para o Brasil”, enfatiza Tizumba.
Produzido com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura - Belo Horizonte, “O negro, a flor e o rosário” é uma criação de Maurício Tizumba e Vitor Alvim, com direção de Paula Manata. O espetáculo estreou em novembro de 2008, sendo apresentado em várias cidades do interior de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, pelo projeto Trem das Artes.
Compositor, cantor e também ator, Maurício Tizumba falou sobre o espetáculo e as vezes que já veio na cidade. “A peça tem contexto das origens africanas no país e alguns casos lúdicos como o do Saci Pererê, por exemplo. É um show muito enriquecedor, quem assistir sairá realmente com uma bagagem cultural tremenda, resumida em pouco tempo. Estive em Divinópolis em outras oportunidades, quando me apresentei nas ruas, nos bares e até no antigo teatro. É a primeira vez que venho com essa peça, mas, pelo carinho que os divinopolitanos já demonstraram das outras vezes, não espero nada além de coisa boa.” declarou Tizumba.

Maurício Tizumba

Artista preocupado em manter viva a cultura negra, especialmente as várias tradições de origem africana em Minas Gerais, que começou a ser desenvolvida no Brasil desde as primeiras décadas após a chegada dos escravos vindos do continente africano para o país, Maurício Tizumba começou sua carreira trinta e três anos atrás. Como um excepcional apoiador da influência afro nas artes, ele tem trabalhado para manter sua herança africana em seus trabalhos artísticos tais como a música, dança, TV, teatro e cinema. Influenciado por familiares que lutaram para manter viva na cultura brasileira algumas das celebrações africanas tradicionais, Tizumba tornou-se capitão da Guarda de Moçambique, um grupo que celebra o Congado – uma manifestação religiosa de origem africana envolvendo pantomímica que deriva de festivais de coroação africana com elementos europeus e são dedicadas à protetora tradicional dos negros no Brasil, Nossa Senhora do Rosário, e vários santos negros especialmente São Benedito e Santa Efigênia. As celebrações envolvem canto, dança, tambores, procissões de rua, bandas ao vivo e festejos em geral. A origem dessa celebração no Brasil vem do estado de Pernambuco e chegou em Minas Gerais em 1710, o qual tornou-se um dos mais importantes estados na preservação de sua história. Com 40 anos de carreira, Mauricio Tizumba vem desenvolvendo um importante trabalho na área da cultura em Minas Gerais e no Brasil.

 

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