segunda-feira, 9 de Setembro de 2013 07:15h Atualizado em 9 de Setembro de 2013 às 07:46h. Daniel Michelini

O reinado por vários ângulos

Dupla de fotógrafos registrou o reinado de Ermida, em 2012, e promove exposição de diversas fotos no Ataliba Lago, até o dia 13 de setembro.

Desconhecimento, pouca divulgação e tradição. Estes são alguns destaques que podem ser dados às festividades de reinado, que acontecem em diversas cidades do Brasil. Em Minas, uma das mais tradicionais é em Ouro Preto, atraindo um grande número de turistas, devido ao fato de ser uma cidade história.

 


Mas essas festas não são privilégios de cidades longes daqui. O distrito Santo Antônio dos Campos, conhecido como Ermida, conta com as festividade há muitos anos, agregando um grande número de pessoas. Devido à beleza, muita gente busca registrar o fato, guardando ou comprando lembranças.
Pensando nisso, dois fotógrafos de Divinópolis resolveram, a partir de um convite feito por amigos, participar da festa e marcar os principais movimentos e ações dos participantes através das imagens.

 


Eliselbert Penha e Fabiana Souto estão expondo, no segundo piso da Biblioteca Ataliba Lago, algumas fotos da manifestação, numa galeria chamada “Muito Sagrado e Pouco Profano”, clicadas de vários ângulos. “Fizemos um estudo fotográfico e decidimos fazer a cobertura de um evento tradicional, uma manifestação popular, mas que voltássemos com um foco jornalístico, fazendo com que isso fosse um projeto piloto”, afirmou Fabiana.

 


Entretanto, a fotógrafa revelou ter ficado emocionada, devido à generosidade e a fé das pessoas que estavam nessa festividade. Assim, ela e Eli Penha se sentiram na necessidade de retribuir o carinho e compaixão dessas pessoas através das fotos. “Temos a intenção de irmos à Ermida e às comunidades que se encontra o pessoal participante dessa manifestação para mostrarmos as fotografias”.

 


Para Fabiana Souto, o reinado é uma arte pouco divulgada na cidade e também na região. “Depois que eu vivenciei tudo que eles fazem durante as festas, eu começava a me perguntar onde eu estava durante todo esse tempo, devido à grandeza dessa cultura”.
Ela revelou ter achado impressionante o estilo de manifestação daquelas pessoas. “O título da exposição não foi escolhido aleatoriamente. Percebemos que as pessoas que foram para a festividade religiosa foram somente com a intenção de manifestarem sua adoração e religiosidade. Ás vezes vemos festas religiosas que possuem bebidas alcoólicas, acabando em bagunça. Ali não. As pessoas estavam voltadas para aquele momento, cantando músicas lindas e tocando instrumentos, como sanfonas. Tem pessoas de todas as idades, desde crianças até adultos”.

 


Para a fotógrafa, falta a população descobrir e vivenciar a história da região. “A pessoa que não conhece sua história está fadada a repeti-la. Esperamos que as pessoas olhem de uma forma diferenciada para as manifestações. Quando vemos as fotos, percebemos um olhar enigmático das pessoas. A palavra ‘olhar’ quer dizer tudo nesse trabalho”.

 


Eli Penha afirma ter ficado surpreso com a grande repercussão da exposição. “Quando estávamos fotografando, me senti um fotógrafo alternativo, pois não vimos nenhum veículo de comunicação cobrindo aquele evento. Participamos durante todo o dia. Quando tivemos a ideia de expor, surgiram contatos para divulgação e um bom número de visitas. Pelo que tenho contato, as fotos estão bem vistas, pois não tem quem passe e dê uma olhada”.
Para finalizar, ele diz que há um projeto de cobrir reinados em cidades pequenas, onde as pessoas nem sabem muito bem que tem essas manifestações, mostrando as festas fora das cidades maiores. “Um dos próximos que vamos cobrir é em Carmo do Cajuru”.
O público poderá visitar a exposição “Muito Sagrado e Pouco Profano” até o dia 13 de setembro, das 09h às 21h.

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