sexta-feira, 19 de Abril de 2013 11:27h Liziane Ricardo

Obstáculos em vias públicas são os grandes desafios dos deficientes visuais

O presidente da Câmara sugeriu alteração no Código de Postura, propondo que a emissão de alvarás para imóveis construídos no Centro da cidade, somente poderá ser realizada com a condição de instalação do piso tátil nas calçadas e rampas.

Buracos pelas ruas, bueiros destampados, postes e orelhões no meio do passeio, ausência de piso tátil, calçadas com elevações, tamanhos e espaços desproporcionais; essas são algumas das dificuldades enfrentadas pelos deficientes visuais. Em Divinópolis, o cenário também não seria diferente, a reportagem percorreu diversos pontos da região central e alguns bairros da cidade para verificar as dificuldades enfrentadas pelos deficientes visuais.   
Nascido em João Pinheiro e cidadão divinopolitano há 33 anos, Carlos Roberto da Silva (conhecido por Beto), há mais de dez anos vem lutando junto as instituições e o município para que os obstáculos encontrados nas ruas de Divinópolis sejam efetivamente retirados, visando facilitar o acesso dos deficientes às vias públicas.
Nesta semana, Beto que atuou durante anos junto Adefom, esteve com o presidente da Câmara Rodyson Kristnamurti para apresentar várias demandas de acessibilidade, que visam facilitar o tráfego dos deficientes nas ruas de Divinópolis.
O cidadão sugeriu a retirada dos telefones públicos que estão sem utilização e permanecem instalados nas vias, colocação de piso tátil nos passeios de frente a locais públicos e instalação de rampas nas esquinas. “As vias principais de Divinópolis, como a Goiás e 1º de Junho tem o piso tátil, porém ele não é adequado uma vez que ele foi colocado muito abaixo da altura ideal para nós deficientes. Não dá pra sentir direito se estamos ou não em cima do piso tátil, é muito difícil diferenciá-lo. Já o piso tátil feito no passeio da loja dos Correios, localizado na avenida Antônio Olímpio de Moraes, é um exemplo de acessibilidade para os deficientes visuais” enfatizou.

 

DIFICULDADES
Dentre os obstáculos mais encontrados, Beto aponta degraus, buracos, bueiros sem grade de proteção e obras sem tapumes de proteção. “Nesta semana fui vítima de um acidente, cai por causa de um bueiro sem grade na rua São Paulo esquina com a Getúlio Vargas. Na hora as pessoas me ajudaram e por sorte não machuquei muito, mas até quando vamos ser reféns desta armadilhas, não podemos depender da ajuda dos outros a todo momento, precisamos de segurança para transitar pelas ruas da cidade”, contou Beto.
O aprimoramento conforme as normas da ABNT dispõe que as melhorias devem ser feitas em toda a cidade, porém os bairros não contam com a adequação.

 

IDENTIFICAÇÃO SONORA
Algumas cidades a exemplo das paulistanas, já contam com uma aparelhagem que disponibiliza a emissão de um som que sinaliza a aproximação do ônibus solicitado pelo deficiente. De acordo com Beto Silva, são dois aparelhos, um transmissor e um receptor, e para a utilização este aparelho receptor fica com o deficiente visual para quando estiver no ponto do ônibus ser acionado quando o número da linha de ônibus passar ele assim poder embarcar. Já os coletivos também terão o aparelho receptor e quando o veículo estiver a 200 ou 100 metros do ponto será acionado um bip acusando a presença de um deficiente a espera da referida linha. “Muitas vezes já peguei ônibus errado ao ser ajudado por alguém que na pressa acabou esquecendo e nos colocando dentro do ônibus, isso quando não passamos do ponto sem sermos avisados”, comentou Silva.     

 

LEGISLATIVO
Após ouvir as demandas, o presidente Rodyson convidou a Consultora do Legislativo, Rozilene Bárbara, a fim de estudarem a elaboração de leis mais rigorosas concernentes a manutenção de calçadas, já que essa atribuição é do proprietário do imóvel.
Na ocasião, Rodyson sugeriu alteração no Código de Postura, propondo que a emissão de alvarás para imóveis construídos no Centro da cidade, somente poderá ser realizada com a condição de instalação do piso tátil nas calçadas e rampas, estas para os imóveis de esquina. Rozilene realizará um estudo de viabilidade da proposta.
No ponto relacionado aos telefones públicos, o presidente enviará à companhia telefônica responsável, um ofício solicitando a retirada dos aparelhos sem utilização, liberando assim, as vias públicas, facilitando o trânsito dos pedestres.
 

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