sábado, 25 de Janeiro de 2014 05:38h Simião Castro

Ônibus começam a rodar sem cobrador

Lei aprovada em dezembro passa a valer hoje. Mudança não afeta toda a frota, mas linhas e horários específicos.

O posto de cobrador de ônibus está extinto a partir de hoje de parte da frota do transporte coletivo de Divinópolis. A definição foi regulamentada por uma portaria da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (Settrans) publicada ontem. Com ela, passa a valer a lei que elimina o cobrador de 16 linhas de ônibus da cidade.
A justificativa é de que a mudança vai auxiliar no aumento da eficiência do transporte coletivo. Segundo o secretário da Settrans, Simonides Quadros, o baixo fluxo de usuários em determinadas linhas e horários foi a razão para adotar a medida. Ele considera que assim o transporte coletivo vai se tornar mais atrativo em comparação ao transporte individual. O preço da passagem e o número de ônibus na frota não mudam.
De acordo com a Settrans, os cobradores não atuarão mais em horários noturnos, finais de semana e feriados, e em linhas de baixa demanda. Ao total, Divinópolis conta com 45 linhas de ônibus. Atualmente 50% dos usuários do transporte coletivo utilizam o cartão Divipass, percentual que a Secretaria quer aumentar com uma campanha de incentivo do uso do cartão para facilitar o embarque.
A portaria determina que a gerência de Transportes deve apresentar relatórios nos dias 23 e 30 de janeiro, e 07 de fevereiro, com dados sobre o desenvolvimento da operação que começa agora para avaliação e correções, se necessárias. A partir de hoje, sete das dezesseis linhas passarão a rodar com a mudança. As outras entram no novo regime em 1º e 8 de fevereiro (veja todas as linhas pela internet em jota.pm/SemCobrador).
Reunião
No dia 9 de dezembro de 2013 o Conselho Municipal de Trânsito e Transportes (Comutran) reuniu-se no auditório da Settrans com o presidente do Sindicato dos Condutores Autônomos em Veículos Rodoviários de Divinópolis e representantes do Sindicato dos Empregados em Transportes Rodoviários de Divinópolis e Região, dentre outras autoridades para debater a questão.
De acordo com a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Divinópolis, o sindicato dos empregados foi favorável à medida em função da ausência de mão de obra de cobradores à disposição das empresas operadoras e por que são poucos os trabalhadores que se dispõem a trabalhar durante a madrugada e nos finais de semana. A Associação dos Deficientes Físicos também se posicionou favorável porque o Projeto de Lei resguarda a segurança do deficiente físico em seu parágrafo 4. O Sindicato das Empresas de Transportes de Divinópolis, também votou favorável.
Debate aberto
Entretanto, o presidente do Sindicado dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Divinópolis (Sinttrodiv), Erivaldo Adami da Silva, afirma que, apesar da lei, o sindicato não encerrou as discussões acerca da estabilidade de emprego dos cobradores, e se posiciona contrário à execução da portaria. “A minha opinião é que não deve rodar sem cobrador.”
Ele considera praticamente impossível que a operação funcione bem, a menos que todo o sistema utilize exclusivamente a bilhetagem eletrônica. “O motorista ao parar para fazer troco, com certeza vai trazer algum transtorno”. Erivaldo, no entanto, não teme que haja demissões. Até porque, ele afirma, o quadro de funcionários do consórcio que administra o serviço na cidade está defasado em 40 funcionários, inclusive com linhas que já operam sem cobradores.
A Assessoria da Prefeitura divulgou que na reunião do Comutran ficou de comum acordo entre o sindicato patronal e os trabalhadores a remuneração adicional ao motorista que exercer as duas funções. O que o presidente do Sinttrodiv contesta. “A gente ainda não discutiu nada em questão de remuneração para o motorista exercendo a dupla função.”
Subvalorização
De acordo com estimativa de Erivaldo, o salário de um cobrador gira em torno de R$ 1100 em média, atualmente. A jornada prevista é de 7h20, mas geralmente trabalham cerca de 9h a 10h por dia e em carga horária considerada ruim. “Ou você pega cedo demais da conta, ou você para tarde demais”, critica. Ele avalia que o cobrador que trabalha à noite, para por volta das 23h, meia noite. Enquanto quem faz o turno matutino entra por volta das 4h, 4h30.
Vale lembrar que à época da aprovação da lei na câmara dos vereadores, foi usado como justificativa que “qualquer economia que ocorrer na operação do transporte coletivo através desta lei será refletida na planilha tarifaria do sistema, gerando ganhos ao usuário de transporte com uma tarifa mais adequada e racional”. O que significa que, havendo diminuição nos gastos de manutenção do sistema, obrigatoriamente o preço da passagem tem que cair.

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.