sexta-feira, 24 de Julho de 2015 10:33h Atualizado em 24 de Julho de 2015 às 10:36h. Pollyanna Martins

Paciente aguarda Estado cumprir decisão judicial para realizar cirurgia ortopédica

Homem está nos corredores da UPA há quase 30 dias aguardando vaga para cirurgia e corre o risco de ter o pé amputado

Um homem de 47 anos está internado na Unidade de Pronto Atendimento Padre Roberto (UPA 24h) há quase 30 dias aguardando uma vaga para cirurgia ortopédica. Junismar Damas Ferreira caiu no dia 28 de junho e procurou atendimento na UPA. Na unidade, foi constatada uma fratura no pé direito. O médico Giovane Caldeira Higino estava de plantão e indicou uma cirurgia ortopédica em caráter de urgência para o paciente, mas há quase 30 dias que Junismar aguarda o procedimento.
O paciente, que está no corredor da unidade e corre risco de infecção, trombose ou até mesmo de amputação do pé, está tomando diariamente o remédio enoxaparina, de 40 mg injetável. Cansados do descaso do Sistema Único de Saúde (SUS), a família de Junismar recorreu ao Judiciário para que a cirurgia seja realizada. O advogado Eduardo Augusto Silva Teixeira foi quem representou o paciente no processo, que foi julgado a seu favor. “A família não teve outro jeito se não recorrer ao escritório, para fazer com que a Justiça obrigue o Estado a fazer o que já é de sua obrigação. O juiz José Antônio Maciel determinou a cirurgia de imediato. Nós ajuizamos a ação contra o município e contra o Estado, ele entendeu que neste caso o município não necessita estar na lide, pelo fato de que o Estado deve arcar com todo o tratamento”, detalha.
Devido à demora em realizar o procedimento, o advogado recebeu a informação de que o quadro do paciente se agravou. Um médico da unidade disse aos familiares que o osso do pé de Junismar calcificou e, com isto, será necessário quebrar novamente o membro para realizar a cirurgia. “O quadro dele está agravado e ele vai ter mais sofrimento para fazer aquele procedimento que era primário, porque se a UPA o tivesse encaminhado imediatamente para a cirurgia, seria uma cirurgia simples. Pela demora, vai ser uma cirurgia mais delicada”, ressalta.

 

DANOS MORAIS
A cirurgia ainda não foi realizada e o prazo para que o procedimento seja realizado é até amanhã. Caso o Estado não faça a cirurgia, o órgão está sujeito à multa. “A ação já vem pleiteando a pena de multa e também indenização por danos morais. Nós pedimos os danos morais porque o Estado descumpre o prazo razoável de atendimento, gera mais sofrimento ao paciente, e submetê-lo a essas injeções desnecessárias. Sem falar nas sequelas que ele pode ficar”, informa.
De acordo com o advogado, o processo judicial é a única saída para muitos pacientes que aguardam há meses por cirurgias no SUS. Eduardo lamenta que mesmo sendo este o caminho, o Estado descumpre várias ordens judiciais. “Mesmo sendo o único caminho que as pessoas estão tendo, elas ainda aguardam a realização de procedimentos. O cidadão que se encontra nesta situação deve recorrer o mais rápido à Justiça. É um direito garantido pela Constituição, direito à saúde, direito ao tratamento de boa qualidade e o acesso à Justiça”, conclui.

 

Crédito: Arquivo pessoal

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