quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2015 10:02h Atualizado em 4 de Fevereiro de 2015 às 10:07h. Lorena Silva

Paciente não consegue marcar cirurgia pelo SUS mesmo com todos os procedimentos pré-cirúrgicos já realizados

Segundo paciente, procedimento já teria sido descontado na cota de cirurgias do município. Secretaria de Saúde diz que vai averiguar

Mesmo com todos os documentos em mãos e os procedimentos pré-cirúrgicos já realizados desde outubro do ano passado, a dona de casa Kênia Vanessa Espíndola não consegue ter a cirurgia marcada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A moradora de São Gonçalo do Pará vive um impasse com um hospital de Belo Horizonte, para onde foi encaminhada pelo município para fazer uma mamoplastia redutora – procedimento para diminuição das mamas –, e aguarda até hoje a data da sua operação.
Kênia conta que durante uma avaliação médica realizada há aproximadamente oito anos foi constatado que o excesso de peso das mamas estava prejudicando a sua coluna. “Tenho desvio na coluna por ter muito busto. Tenho lordose [curvatura excessiva na coluna espinhal] e cinfose [aumento do ângulo de uma das curvaturas da coluna, o que causa corcundez]. E cada vez fica pior, porque agora não estou conseguindo nem arrumar casa mais”, relata.
Nessa época, a Secretaria Municipal de Saúde de São Gonçalo já havia sinalizado à dona de casa que ela poderia realizar a mamoplastia redutora pelo SUS, que cobre o procedimento desde que não seja realizado por estética e sim em casos de serem constatados problemas na saúde do paciente. No entanto, o encaminhamento para a cirurgia só ocorreu no ano passado. Devido ao procedimento, a Secretaria enviou a paciente para um hospital de Belo Horizonte.
Nesse primeiro hospital, Kênia fez uma avaliação inicial e foi novamente encaminhada a uma segunda instituição. “Nesse [hospital] o médico me tratou super bem e disse que eu estava acima do peso e que eu teria que emagrecer, porque cirurgia plástica não pode ser feita [com o paciente] fora do peso”. Após conseguir emagrecer, a dona de casa retornou ao hospital, mas alega não ter sido bem tratada dessa vez.
“Me trataram na maior falta de educação, não queriam que eu ficasse lá, não queriam que eu fosse atendida. Mas eu falei com eles que era o meu direito, porque o SUS é direito de todos. Se eu pago meus impostos, eu pagava por esse serviço”. Segundo a paciente, foi preciso entrar em contato com a ouvidoria do SUS para que fosse atendida normalmente e mais uma vez ser encaminhada para outro hospital de Belo Horizonte.

 

ESPERA
No terceiro hospital Kênia conseguiu marcar os exames pré-cirúrgicos e liberar tudo o que é necessário para que a cirurgia fosse marcada. A paciente conta que em outubro do ano passado obteve informações de funcionários da instituição de que a cirurgia já havia sido paga e o procedimento descontado na cota de cirurgias do município. “Meu medo é alegarem que como já foi pago eu já posso ter sido operada”, argumenta.
Após aguardar desde outubro, Kênia retornou ao médico no início de janeiro, mas não conseguiu nenhum posicionamento por parte do hospital sobre a possível data da sua cirurgia. Sem respostas, ela conta que entrou em contato com a ouvidoria do SUS, explicando toda a história e cobrando uma solução. Mas foi informada de que vai precisar esperar por três meses para que a situação seja averiguada e ela possa ter um retorno.

 

SÃO GONÇALO
O secretário de Saúde de São Gonçalo do Pará, Cristiano Galvão, esclareceu que a Secretaria realizou todos os procedimentos que eram de responsabilidade da Prefeitura para viabilizar a cirurgia de Kênia. “Assim como a paciente, estamos aguardando o retorno do médico-cirurgião marcando a cirurgia”, explicou. Sobre o procedimento já ter sido pago e descontado na cota de cirurgias do município, o secretário disse que vai averiguar com o hospital, em Belo Horizonte, e com a Secretaria de Estado de Saúde (SES).

 

Crédito: Lorena Silva

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