quarta-feira, 28 de Janeiro de 2015 09:13h Atualizado em 28 de Janeiro de 2015 às 09:16h.

Pacientes alegam falta de estrutura no setor de nefrologia do HSJD

Falta de profissionais, de insumos básicos e de manutenção em equipamentos são algumas das reclamações dos usuários

Os pacientes que fazem tratamento de hemodiálise no setor de nefrologia do Hospital São João de Deus (HSJD) têm enfrentado sérios problemas, principalmente no que diz respeito à estrutura do local. Com o intenso calor registrado nos últimos dias, a principal reclamação tem sido com relação ao mau funcionamento do ar-condicionado. No entanto, os usuários também alegam outras questões, como a falta de profissionais e de insumos básicos para o tratamento.
Ao realizar o tratamento três vezes por semana, o presidente da Associação dos Doentes Renais e Transplantados de Divinópolis (Adotrans), Maldo de Oliveira, vê de perto a situação pela qual passa os pacientes. Segundo o presidente, recentemente o maior problema tem sido a falta de manutenção em ares-condicionados e a necessidade de aquisição de novos aparelhos.
Maldo conta que o calor tem feito com que muitas pessoas passem mal. “Isso é absurdo, porque você está ali por quatro horas. Sua pressão já cai normalmente, com o calor é que você vai passar mal mesmo. Imagina uma sala quente, onde tem 20 pacientes fazendo a hemodiálise e sem ar condicionado. Quer dizer, tem o ar condicionado, mas não funciona. Mesmo se funcionasse não adiantaria, porque a sala é enorme. Teria que ter no mínimo quatro aparelhos”, argumenta.
Se nessa época os pacientes reclamam do intenso calor e da falta de ar-condicionado, no inverno a reclamação com relação ao aparelho permanece. “No frio, quando a sala fica muito gelada e os pacientes pedem para controlar o ar, [os profissionais] respondem que o ar é para [refrescar] as máquinas, não os pacientes”, conta Maldo.
De acordo com a assessoria do HSJD, na semana passada a instituição recebeu a visita de técnicos para darem início às manutenções em aparelhos que necessitavam de ajustes. Além disso, será necessária a compra de três aparelhos para substituir os equipamentos das salas de hemodiálise de número 1, 4 e Osmose. “A compra dos aparelhos já foi autorizada e há uma expectativa de que eles possam chegar até a próxima semana”, garantiu a instituição em nota.

 

FALTA MANUTENÇÃO
A necessidade de manter a temperatura ideal das máquinas vai de encontro a outro problema. Muito utilizados, os equipamentos – que funcionam como o rim, fazendo a filtragem do sangue – quase não passam por manutenção. “Raramente você vê um técnico lá”, relata Maldo. Conforme informado pela assessoria, atualmente são atendidas aproximadamente 240 pessoas por dia no setor de hemodiálise, sendo que o local conta com 43 máquinas. Três delas estão em manutenção.
O presidente conta que, por isso, a troca de pacientes entre as máquinas é uma prática comum. Além disso, alguns precisam aguardar por horas que uma máquina vague para poder iniciar a sessão. “Estão sempre nos mudando de máquinas. Você chega, a máquina não funciona, passa para outro equipamento. Isso é um risco para a vida da gente também, porque essa máquina pode funcionar errado e colocar sua vida em risco.”

 

PROFISSIONAIS E INSUMOS
Falta de profissionais e de insumos básicos no setor também são problemas enfrentados pelos pacientes. Segundo Maldo, as poltronas que acomodam os pacientes estão precárias. “A poltrona está emendada com esparadrapo, toda suja, fácil de pegar uma bactéria. Na maioria delas você não consegue ficar acomodado, sente dor nas costas.”
Também faltam lençóis esterilizados que, de acordo com Maldo, precisam ser levados de casa pelos pacientes. “Eu acho que usam o incêndio que houve no hospital como uma grande desculpa, porque gastam muito forro. [Decidiram] eliminar os forros e pedir que os pacientes trouxessem de casa. Mas 90% das pessoas não trazem. As enfermeiras passam álcool na poltrona, mas ainda assim é fácil pegar uma bactéria.”
Maldo ainda alega que falta acompanhamento dos médicos no local, que às vezes nem estão presente nas salas de hemodiálise. Além disso, há mais de dois anos não há a presença de um psicólogo no setor – previsto por lei, assim como um nutricionista e um assistente social. “Lá você vê pessoas idosas chorando porque não concordam com aquele tratamento. E às vezes as enfermeiras fazendo trabalho de psicólogas”, revela.
Sobre a falta de um profissional de psicologia, a instituição se pronunciou dizendo que o Hospital São João de Deus iniciará as atividades a partir dos próximos dias. Não houve um posicionamento com relação à falta de manutenção das máquinas e de insumos do setor.

 

Crédito: Lorena Silva

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