quinta-feira, 4 de Junho de 2015 10:18h Atualizado em 4 de Junho de 2015 às 10:21h. Pollyanna Martins

Pacientes com fraturas recebem alta da UPA por falta de vagas em hospitais

O auxiliar de serviços gerais Altair de Oliveira está aguardando vaga para cirurgia desde sexta-feira (29), dormindo em uma cadeira no corredor

A falta de vagas nos hospitais credenciados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) está refletindo diretamente no atendimento da Unidade de Pronto Atendimento Padre Roberto (UPA 24h). Pacientes com fraturas e que necessitam de cirurgia estão recebendo alta por não terem onde ficar dentro da unidade, enquanto aguardam a vaga para a realização do procedimento.
O auxiliar de serviços gerais Altair de Oliveira caiu na última sexta-feira (29), enquanto andava de bicicleta e precisou ser levado para a UPA. Na unidade, foi constatado que o auxiliar quebrou a clavícula e precisa passar por uma cirurgia. Altair então foi internado para receber remédios e diminuir as dores até ser transferido para um hospital, mas para a surpresa do auxiliar, nem cama para dormir foi disponibilizada para ele. “Eu estou dormindo desde sexta-feira em uma cadeira no corredor, aguardando vaga para operar. O pessoal está dormindo nas cadeiras, nos corredores, porque não tem cama para os pacientes. O atendimento é muito ruim. Eu fui procurar o médico que me atendeu e ele falou assim ‘não tem como você ficar aqui, porque a gente não tem recurso para te atender e você vai embora para sua casa’”, detalha.
Segundo Altair, a unidade está superlotada. Sem ter como dar melhores atendimentos aos pacientes, os médicos estão dando alta para eles aguardarem a vaga da cirurgia em casa. O auxiliar recebeu alta, mas recusou por medo de não conseguir a vaga para a cirurgia ortopédica. “Teve mais gente que está na mesma situação que a minha, e recebeu alta. Os médicos estão alegando que não tem mais recursos, que eles não têm como internar ninguém. Muita gente foi embora com perna quebrada, braço quebrado. O médico falou comigo que quando sair a vaga da cirurgia o pessoal entra em contato comigo, mas o meu medo é até sair a vaga dessa cirurgia o meu osso colar torto, fora a dor que eu estou sentindo”, reclama.
Revoltado com a situação, o auxiliar faz um apelo. “Eu gostaria de pedir ao prefeito, Vladimir Azevedo, aos vereadores, para dar um apoio para a gente aqui. Eu sou um pai de família, trabalhador e não estou tendo condições nenhuma para trabalhar. Eu bati o pé e falei que não vou sair daqui enquanto não tiver a vaga para eu operar”, afirma.

 

SEMUSA
A Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o auxiliar está cadastrado no banco de dados da Central de Regulação do Estado. Neste caso, a Semusa não pode interferir, pois quem disponibiliza as vagas para atendimento cirúrgico é a Secretaria de Estado da Saúde (SES). A assessoria ressaltou ainda que a superlotação da UPA é devido à falta de vagas no sistema hospitalar da região macro-oeste de Divinópolis.

 

SRS
A Superintendência Regional de Saúde (SRS) informou em nota que “referente à assistência da região Oeste, a SES [Secretaria de Estado de Saúde] está comprometida em participar da solução do problema juntamente com a Secretaria Municipal de Saúde de Divinópolis, gestora e contratante do Hospital São João de Deus. O objetivo maior é garantir o atendimento da população. A SES reitera que propôs participar da gestão do hospital, o que está sendo discutido e elaborado e não está medindo esforços para resolver a questão, fazendo visitas constantes à região e se reunindo com todas as autoridades envolvidas. Além disso, a Secretaria está promovendo um estudo ampliado sobre a região de saúde, visando resolver os problemas assistenciais nos municípios. O mesmo empenho está sendo dado, desde o início desta gestão, a todas as regiões do Estado, visando proporcionar melhorias significativas na saúde dos mineiros.”

 

 


Crédito: Pollyanna Martins
Crédito: Arquivo pessoal

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