segunda-feira, 15 de Agosto de 2016 12:37h Pollyanna Martins

Pai, uma escolha do coração

Tradicionalmente no segundo domingo de agosto, celebra-se o Dia dos Pais.

No dicionário, existem duas definições para o termo ‘pai’, a primeira: Homem que gerou um ou mais filhos. A segunda: Homem em relação aos seus filhos, natural ou adotivo.
Independente se o filho é biológico ou não, o que caracteriza um pai vai além de laços sanguíneos e é exatamente sobre isso que esta reportagem vai falar – pais e filhos gerados pela adoção.

Em 2013, o missionário Eduardo Moreira adotou a pequena Izabela Moreira. Na época, ele já era pai também de três rapazes, mas, ao conhecer Izabela, o amor vindo do coração falou mais alto e o sentimento de que essa criança iria precisar muito dele e de sua família, o fez novamente pai. “Temos três filhos biológicos – o Lucas, que está com 21 anos, o João Pedro, com 20 anos, e o Gabriel, com 18 anos. A Roberta, minha esposa, estava fazendo estágio no Hospital São João de Deus e ela conheceu a Izabela, que, na época, estava com dois meses de vida. Ficamos sabendo da situação de saúde dela, ela tem anencefalia (é uma má formação rara do tubo neural, caracterizada pela ausência parcial do encéfalo e da calota craniana), e existia toda uma dificuldade do Hospital e do Juiz saber para onde que a Izabela ia, ela estava em uma situação de abandono”, disse Eduardo.


Comovidos com toda a situação da pequena, Roberta e Eduardo decidiram tomar um passo muito importante, e claro, esta decisão foi conversada e acordada com os filhos, que abraçaram com carinho a nova irmã. “Quando a Roberta viu ela, me ligou e a gente conversou, ficamos sabendo as condições dela fisicamente, as suas limitações, e conversamos também com os nossos filhos, e aí resolvemos adotá-la mesmo sabendo das dificuldades que teríamos, porque ela ia precisar de nós sempre ao seu lado. A partir daí, conseguimos a guarda provisória num primeiro momento, e a buscamos, hoje temos a guarda definitiva, e ela está com três anos de idade”, explicou o missionário.
Segundo Eduardo, o sentimento de paternidade com Izabela é o mesmo tido com os outros três rapazes, a criança recebe de toda a família e também transmite um grande amor. “Não me arrependo de nada, sinto a Izabela como filha biológica, somos muito felizes por ter ela, é um presente de Deus para nós. Aqui em casa ela recebe muito carinho, meus filhos, a família e os amigos assumiram a Izabela junto conosco. Sou muito feliz e realizado de ter ela, voltaria tudo de novo, começaria tudo de novo se fosse preciso”, afirma.

 

SAÚDE

 

Segundo conta Eduardo, a pequena Izabela requer da família uma atenção redobrada, já passou por quatro cirurgias e, por diversas vezes, necessitou ser internada, contudo, a família faz o que pode para sempre manter o bem estar da pequena. “Ela tem uma saúde debilitada, mas aproveitamos o máximo possível da presença dela, temos uma linguagem com ela e, devido a algumas reações dela, entendemos que ela nos ouve. Somos muito felizes com ela”, completa o missionário.

 

ADOÇÃO

 

A diretora do Grupo de Adoção de Volta Para Casa, Sandra Amaral, falou sobre o crescimento da busca de casais pela adoção e sobre os pais adotivos. “O senador Magno Malta tem uma frase que é verídica, fala assim: ‘O pai adotivo tem a chance de dar a luz, porque ele não tem útero, mas tem a oportunidade de ter um filho’. Tem muitos pais solteiros, tem os homoafetivos, e essas pessoas são pais, escolheram dar amor, carinho e atenção”, acrescenta.
Segundo explica Sandra, os pais, bem como as mães solteiras ou não, enfrentam o mesmo processo de adoção. “Às vezes a pessoa tem o desejo de ter um filho, mas não quer casar, conheço muitos casos, temos muitas experiências de sucesso de adoção, por exemplo, de homens, pais. E eles gostam da adoção tardia, que é aquela adoção da criança acima de 3 anos de idade”, afirma.

Para Sandra, a sociedade passa por uma mudança nos assuntos relacionados à adoção, hoje, os casais e as pessoas interessadas em adotar estão falando mais sobre o assunto, mostrando de fato o seu interesse. “Aquele casal que fica sofrendo por isso agora já está conseguindo mostrar os seus sentimentos, por isso para fora. Tem o fato de mostrarem o filho, sem esconder que é adotivo, porque o importante é não ter mentira. Inclusive, mostramos os nossos filhos (porque eu também sou uma mãe adotiva), com enorme alegria e satisfação, e os filhos adotivos dão depoimentos, falam da alegria de viver em família, e de como é a mesma coisa, isso que é importante”, completa.

No Brasil existem inúmeros abrigos, alguns até abarrotados de crianças e jovens para adoção. Sandra tem lutado constantemente junto a frentes parlamentares para que haja uma mudança nas políticas de adoção. “Se não mudar a lei, não adianta, a mudança tem que ter pulso firme, a criança, por exemplo, tem que ser destituída no máximo em 180 dias, sua situação tem que ser resolvida, e isso é no Brasil inteiro”, finaliza Sandra.

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