terça-feira, 7 de Abril de 2015 10:46h Atualizado em 7 de Abril de 2015 às 10:48h. Pollyanna Martins

Pais e sindicato lutam contra o fechamento de Cmei’s

Após serem avisados sobre o fechamento dos Cmei’s, pais afirmam que não acatam a decisão

Após reportagem exclusiva da Gazeta do Oeste, o anúncio de fechamento de dois Centros Municipais de Educação Infantil (Cmei’s) gerou revolta em pais e sindicatos da cidade, que afirmam não acatar a decisão.
A estudante de direito Flávia de Oliveira Santos é mãe do pequeno Vitor, de quatro anos, que estuda no Cmei Rafael Nunes, no bairro Santa Lúcia desde o ano passado. Segundo Flávia, o menino foi diagnosticado com espectro de autismo e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Parte do apoio na descoberta da doença veio das profissionais do Cmei.
“A adaptação do Vitor foi muito difícil, porque ele elegeu aos poucos as pessoas de confiança dele. Foi passo a passo e eu encontrei na professora dele e na diretora pessoas que me abraçaram e me ajudaram. Mas não só no caso do Vitor, porque esse Cmei é referência na comunidade. Eles abraçam a família e nos ajudam em tudo que podem. Então é completamente equivocada essa decisão de simplesmente fechar o Cmei”, desabafa Flávia.
Indignada com a decisão, a mãe questiona o corte de verbas na educação e ressalta que é justamente onde deveria ter mais investimentos, para assim dar oportunidades no futuro para as crianças. “Que contenção de despesa, que contenção de gastos é essa que corta a possibilidade de um futuro mais digno? Porque a Divinópolis de amanhã são as crianças que estão no Cmei hoje. Essa educação infantil é de extrema importância. Quando essa educação é bem feita, é bem oferecida, a criança aprende a gostar de estudar, ela aprende a gostar de ir para a escola, se torna um profissional mais valorizado no futuro. A escola é uma segunda casa”, frisa.
A estudante de direito é presidente do Conselho da Escola e foi informada que na manhã de hoje a secretária municipal de Educação, Rosemary Lasmar, irá oficializar a decisão em uma reunião com os pais e professores do centro. Flávia reforça que os pais vão resistir à medida, pois as escolas para onde as crianças serão transferidas não têm a estrutura adequada.
“Os nossos filhos vão ser recebidos em escolas que não têm estrutura para educação infantil. Eles não têm o material pedagógico adequado, não têm os profissionais adequados, porque as professoras não vão acompanhá-los. Eles [Smed] não vão fazer sala com aspecto infantil, que é importante nessa idade. Estão tratando os nossos filhos como números, para economizar um gasto médio mensal de R$ 436 por criança. Gasta-se muito mais com preservativo no posto de saúde”, diz Flávia.

 

AVISO
Um dos questionamentos levantado por pais e funcionários dos Cmei’s foi o anúncio do fechamento dos centros apenas dois meses após o início do ano letivo. De acordo com Flávia, as crianças do Cmei onde seu filho estuda já estão engajadas em projetos pedagógicos, incluindo o projeto Minha Cidade Lê. “Essa decisão já é para a semana que vem. E aí, o que vai ser feito com os uniformes, nós vamos ser reembolsados? E os projetos que a escola está envolvida? O que nós vamos falar para as crianças que estão enchendo o bonequinho da caixa de história, que estão pintando, colorindo, que ela não vai mais fazer aquele trabalhinho? Direito à educação é direito constitucional, é direito básico”, reforça.
Mesmo abalada com a situação, a estudante de direito afirma que um movimento será feito para impedir o fechamento dos Cmei’s. “O prefeito está lá para representar a gente, mas eu não me sinto bem representada tendo o meu filho tirado da escola. Está representando mal a minha comunidade. Está fechando uma escola excelente, com profissionais qualificados. Nós estamos tentando conversar com o prefeito, mas não conseguimos falar com ele. Alguém tem que explicar o que está acontecendo, porque isso é uma coisa muito séria. Nós vamos notificar também o Ministério Público e fazer de tudo para não fechar o Cmei”, garante.

 

DENÚNCIAS
A diretora-presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação Municipal (Sintemmd/MG), Maria Aparecida de Oliveira, disse que o sindicato vai apoiar os pais e os profissionais dos Cmeis. E reforçou que discorda do remanejamento de alunos. “Acreditamos que o fechamento oficial desses Cmei’s não venha, porque o caixa escolar de alguns Cmei’s que foram fechados continua, só que o dinheiro não está sendo investido em alunos e professores. Fecham-se as portas, passam cadeados, mas o recurso ainda vem. Nós estamos fazendo uma mobilização, porque o Censo para 2015 já foi feito e o cadastro das crianças já está oficializado, e a verba para os Cmei’s já está empenhada e já tem o recrutamento dos trabalhadores, ou seja, o ano letivo já está organizado”, informa.
De acordo com um membro do Conselho Municipal de Educação, haverá um corte de R$ 7 milhões na educação. Este corte será votado em uma reunião extraordinária no Sintram, na tarde de hoje. A diretora-presidente do Sintemmd informou que vai orientar o Prefeito a vetar o fechamento dos Cmei’s, para que assim ele não infrinja a lei orgânica.
“Nós vamos propor que a Prefeitura tem que [se] ajustar sim à crise, mas ela tem que cortar no próprio sangue como, por exemplo, a Semed tem uma secretaria adjunta que nós achamos desnecessária. Ali ela já conteria tudo o que um Cmei gasta, caso fosse fechada. Não tem justificativa nenhuma para fechar os Cmei’s. Nós encontramos na Lei Orgânica algumas direções, porque escola não cai do céu. Se um Cmei está naquele lugar é porque tinha necessidade. A lei orgânica fala da responsabilidade coparticipativa do prefeito. Se ele fecha um Cmei, ele comete um crime contra a lei orgânica do município”, ressalta Maria Aparecida.
Como forma de apoio à comunidade, membros do sindicato estarão hoje no Cmei do bairro Terra Azul, reivindicando melhorias no local.

 

PREFEITURA
Diante da revolta dos pais, a Prefeitura trata do assunto como uma readequação de vagas na educação infantil. Em nota enviada por sua assessoria de imprensa, a Prefeitura informou que as medidas são necessárias para ajustes financeiros.
“Além da desativação dos Cmei’s teremos alguns projetos suspensos temporariamente: A Oficina Itinerante e o Coletivo de Educadores. Em todas as mudanças tivemos o cuidado de preservar a essência da educação, com alunos na escola, transporte escolar, merenda, diretor, professores na sala de aula, bom funcionamento da escola e o atendimento ao público. De forma alguma o ensino não foi prejudicado”, completou a secretária municipal de educação, Rosemary Lasmar, no texto.

 

Crédito: Pollyanna Martins

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