quinta-feira, 14 de Maio de 2015 11:46h Jotha Lee

Pedido de Comissão para investigar Vila Vicentina causa indignação em voluntários

Causou indignação e constrangimento na Vila Vicentina o pronunciamento feito pelo vereador Anderson Saleme (PR) na sessão da Câmara do último dia 5

Ele pediu a formação de uma Comissão Especial para investigar a instituição. “A Vila não está recebendo as fraldas para os idosos, por omissão ora do município, ora do Estado. É muita falta de atenção com esses idosos. A denúncia que chegou em meu gabinete é que muitas vezes esses idosos estão sendo tratados de forma desumana”, afirmou. “Na falta das fraldas descartáveis, muitas vezes são colocadas fraldas de pano e aí precisa ser investigado e nós queremos que a verdade venha à tona”, acrescentou.
No mesmo pronunciamento, o vereador frisou que não se tratava de uma acusação contra a Vila Vicentina ou sua direção. “Não estamos falando da Vila Vicentina como instituição, pelo contrário. Nós queremos ajudar em tudo que for possível. É preciso saber de quem é a responsabilidade pela falta das fraldas. Isso é um absurdo. Muitos idosos esquecidos pela família, agora também esquecidos pelo poder público. É uma denúncia, que precisa ser investigada. Precisamos comprovar se os idosos realmente estão sendo maltratados por ausência ou omissão do poder público”, relatou.

 

REVOLTA
O pronunciamento do vereador causou revolta a voluntários que há anos ajudam a manter a Vila Vicentina. A atriz Cidah Viana, que participa de diversas atividades sociais como voluntária, e Leila Faleiros, se manifestaram em nome dos voluntários. Segundo Cidah Viana, o pronunciamento do vereador não reflete a realidade. “Ele foi procurado por uma voluntária para pedir ajuda porque realmente a Vila está em dificuldades para adquirir as fraldas, que custam muito caro. Não foi uma denúncia, foi um pedido de ajuda. Ele está tirando proveito disso”, afirmou.
Leila Faleiros afirmou que o pronunciamento do vereador atingiu à Irmã Alice, voluntária que há anos dedica-se ao trabalho vicentino. Irmã Alice, segundo Leila, ficou profundamente magoada, pois os idosos são tratados com carinho e respeito. “Foi constrangedor”, resumiu.
As duas voluntárias admitiram que há dificuldades na aquisição das fraldas, mas negaram que a peça esteja em falta. “Não há falta de fraldas, mas como a Vila vive de doações e o material está muito caro, existe o temor de que possa faltar, o que levou a voluntária a pedir ajuda ao vereador”, declarou Cidah Viana. “Estávamos pensando em fazer uma campanha para adquirir fraldas e uma voluntária disse que procuraria o vereador para pedir ajuda. E deu no que deu. Ele pega o pedido, distorce para outro lado, falando que foi denúncia. Não foi. A voluntária foi pedir ajuda e pedir a intermediação do vereador junto ao poder público”, acrescentou.
A Vila Vicentina atende a 86 idosos e tem uma despesa mensal que gira em torno de R$ 60 mil. De acordo com o presidente voluntário da instituição, Vicente de Paulo Tavares, a sobrevivência da entidade é possível graças às doações da comunidade, além de uma verba federal que varia de R$ 4 mil a R$ 6 mil mensais. Segundo ele, a Prefeitura não contribui financeiramente com a entidade. Cidah Viana critica a ausência do município. “O poder público precisa abrir o olho e ajudar a Vila. Eles não ajudam com nada. Isso é vergonhoso.”
As voluntárias fizeram questão de deixar claro que os idosos são tratados com todo respeito. Cidah Viana negou que estejam sendo utilizadas fraldas de pano, conforme afirmou o vereador. Já Leila Faleiros confirmou as dificuldades e a necessidade de doações. “A Vila sempre está precisando de alguma coisa. Nesse momento, possivelmente, é maior a necessidade de fraldas, mas lá precisa de tudo”, declarou.

 

 

Crédito: Jotha Lee

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