sábado, 12 de Abril de 2014 05:37h Atualizado em 12 de Abril de 2014 às 05:53h.

Pequenas empresas movimentam a economia de Divinópolis

A economia divinopolitana vem sendo mantida nos últimos anos pelas pequenas e médias empresas que, embora com muitas dificuldades impostas especialmente pela alta carga tributária.

A economia divinopolitana vem sendo mantida nos últimos anos pelas pequenas e médias empresas que, embora com muitas dificuldades impostas especialmente pela alta carga tributária, são as principais responsáveis pela movimentação da economia local. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2011 havia 8.517 empresas em funcionamento em Divinópolis. O levantamento do Instituto aponta que este número caiu para 8.012 unidades empresariais em operação no ano passado, indicando que em dois anos 515 empresas suspenderam suas atividades na cidade.
Chama a atenção o fato de que 80% são pequenas e médias empresas e boa parte daquelas que encerraram atividades foram motivadas pela volumosa carga tributária e o pesado custeio das contribuições sociais. Os encargos para a manutenção de um empregado chegam a 70% do valor do salário, tornando praticamente inviável para pequenas empresas, com baixa liquidez, a melhoria salarial dos funcionários. O que ocasiona, em muitos casos, o encerramento das atividades.
Essa situação não é novidade e é motivada pela volatilidade do mercado diante da instabilidade econômica, especialmente nos últimos dois anos – período em que a inflação registrou alta e mostrou que continua sendo uma ameaça. As pequenas empresas são as que mais sofrem em razão do alto custo para sua manutenção e são elas que, em função de todos os encargos, as que mais encerram atividades em curto prazo de funcionamento.
“A gente trabalha quase sempre no prejuízo, é difícil se manter porque as vendas nem sempre cobrem os custos”, diz o comerciante, Maurício Humberto de Melo, 39 anos, proprietário de um pequeno estabelecimento comercial no bairro São José. “Além dos impostos e outras dificuldades impostas pelo governo, ainda trabalhamos inseguros, pois agora os pequenos comerciantes são os mais visados pelos ladrões”, reclama.

 

Metodologia
Para contabilizar 5.012 empresas em funcionamento na cidade, o IBGE considerou todos os pequenos, médios e grandes comerciantes, desde que cadastrados na Junta Comercial do Estado. O salário médio pago na cidade representa 2,2 mínimos e 54,9 mil pessoas estão empregadas, especialmente nas pequenas empresas, que são as responsáveis pelo maior movimento da economia local.
Em março Divinópolis recebeu R$ 4.063.302,66 em repasses do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), conforme dados disponibilizados pela Secretaria de Estado da Fazenda. Desse total, 60% vem das pequenas e médias empresas.

 

 

COMPARAÇÃO
Em número de empresas Divinópolis perde no Estado somente para Belo Horizonte, Juiz de Fora, Montes Claros, Contagem, Uberaba e Uberlândia. Entretanto, quando se compara o volume de pessoas empregadas, verifica-se que cidades com menor número de empresas ofertam maior número de vagas de emprego e recebem ICMS muito superior.
É o caso de Ipatinga, por exemplo, que, com base no IBGE, tem 7.986 empresas e oferece 85.208 vagas no mercado de trabalho. Em março, a cidade do Vale do Aço recebeu R$ 9.802.847,63. Essa situação se dá em razão de que a maioria das empresas que atua no mercado divinopolitano é de pequeno porte.
De acordo com o secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico, Paulo César dos Santos, Divinópolis vive atualmente uma intensa movimentação empresarial e ele acredita que em menos de 10 anos os efeitos serão sentidos na economia da cidade. Conforme matéria veiculada pela Gazeta do Oeste na semana passada, a Prefeitura aguarda a instalação de 15 pequenas empresas no Centro Industrial no segundo semestre. O secretário assegurou, ainda, que outras 30 empresas já estão com pedidos de instalação.
Segundo Paulo César dos Santos a maioria das empresas que estão em vias de se instalar na cidade é de pequeno porte. “É preferível trabalhar pela instalação de várias empresas de pequeno porte do que ficar aguardando uma única de grande porte. As grandes empresas fazem muitas exigências, impõem condições e nem sempre dão o resultado esperado. Já as pequenas empresas em maior número vão oferecer vagas de trabalho proporcional e como querem entrar no mercado, não impõem dificuldades e condições exageradas”, finaliza o secretário.

 

Crédito da foto : Jotha Lee

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