quinta-feira, 22 de Janeiro de 2015 09:16h Atualizado em 22 de Janeiro de 2015 às 09:22h. Jotha Lee

Piso nacional para costureiros é visto com restrição no Sindicato em Divinópolis

Setor confeccionista oferece 20 mil empregos entre diretos e indiretos

Considerado o maior polo confeccionista de Minas Gerais, Divinópolis vê o setor enfrentar a crise que afetou a economia nacional nos últimos anos, com investimentos em qualidade e qualificação da mão de obra. O setor ainda enfrenta a concorrência da importação chinesa, tornando os produtos nacionais menos competitivos não pela qualidade, mas pelo preço, conforme assegura o presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário (Sinvesd), Antônio Rodrigues Filho. Entretanto, as dificuldades estão sendo superadas e, além de fornecer confecção para boa parte do país, as indústrias da cidade também já atuam na área de exportação.
O último levantamento feito pela Regional Centro-Oeste da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) mostrou que o polo confeccionista de Divinópolis possui 786 empresas, com mais de 26 mil funcionários, entre empregos diretos e indiretos. De acordo com Sindicato dos Oficiais Alfaiates, Costureiras e Trabalhadores nas Indústrias da Confecção (Soac), 95% da mão de obra utilizada no setor em Divinópolis é feminina e o salário pago pela indústria chega a R$ 853 mensais.
O Soac acompanha com atenção a tramitação na Câmara dos Deputados do Projeto de Lei 8.053/14, proposto pela Nova Central Sindical de Trabalhadores, que fixa o piso nacional salarial do costureiro em R$ 900 e estabelece outros direitos para a categoria profissional. O projeto define como costureiro profissional o trabalhador que opera máquinas de costura e faz acabamento em peças de tecido sem uso de maquinário.
Pelo texto, o piso salarial dos costureiros deve ser reajustado em janeiro de cada ano pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Ainda sobre a remuneração desses profissionais, o projeto prevê que as horas extras prestadas em domingos e feriados sejam remuneradas com adicional mínimo de 100%.
A proposta garante à categoria, a cada período de duas horas consecutivas de trabalho, uma pausa de dez minutos para descanso, a qual será computada na duração normal de trabalho efetivo. E intervalo obrigatório para refeição e descanso de duas horas após período de quatro horas de trabalho.
O projeto tramita em regime de prioridade e será analisado pelas comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, de Trabalho, de Administração e Serviço Público e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Em seguida, será apreciado pelo Plenário.

 

RESTRIÇÃO
O Soac vê a proposta com restrições. De acordo com Ana Lúcia Santos, servidora do Sindicato, é preciso ter cuidado com relação à proposição. “Esse projeto tem como objetivo corrigir algumas distorções em alguns polos confeccionistas do país, como Goiás, por exemplo, onde o profissional ainda enfrenta muita dificuldade”, afirmou.
Para Ana Lucia Santos, se aprovado o piso nacional de salários, pode haver prejuízos para os costureiros divinopolitanos. “Hoje o salário é de R$ 853 e certamente pode ultrapassar a R$ 900 após a campanha salarial. Se há um piso fixando o limite de salário, o empresário vai chegar no máximo até o piso e isso é prejudicial”, explicou.
Para a sindicalista, os costureiros do polo divinopolitano têm boa remuneração, mas é preciso melhorar mais, pois trata-se do segmento que oferece o maior volume de vagas no mercado de trabalho. Entretanto, ela não vê no piso nacional salarial uma solução para todas as necessidades da classe. “Esse projeto enfraquece as negociações e reduz muito nosso poder de negociação”, finalizou.

 

Crédito: Arquivo/GO

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