terça-feira, 7 de Junho de 2016 14:47h Atualizado em 7 de Junho de 2016 às 14:52h. Pollyanna Martins

Polícia Civil faz reconstituição do homicídio de Daniela Mesquita Chaves

Daniela foi assassinada na noite da última terça-feira (31), próximo à Praça Candidés, quando ia ao supermercado com a família

POR POLLYANNA MARTINS

pollyanna.martins@gazetaoeste.com.br

 

 

A Polícia Civil realizou, na tarde de ontem (6), a reconstituição do homicídio de Daniela Mesquita Chaves. O crime aconteceu na noite da última terça-feira (31), quando Daniela ia com a família a um supermercado. A vítima, o marido e o filho, de oito anos, estavam no carro, próximo à Praça Candidés, quando Daniela foi atingida por uma bala. O disparo acertou o peito da vítima, que chegou consciente ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos.

Agentes da Secretaria de Trânsito e Transportes (SETTRANS) interditaram um lado da ponte do Niterói, para que a reconstituição fosse feita. O marido da vítima, Márcio Evaristo Chaves, participou da reconstituição, o médico legista que examinou o corpo de Daniela, e o perito Carlos Eduardo Leal. Todo o processo durou aproximadamente uma hora e, de acordo com o delegado de homicídios, Marcos Henrique Mont Alverne, ainda não há suspeitos ou motivação do crime, pois nem Márcio e nem Daniela tinham passagens criminais. O delegado acredita que Daniela possa ter sido morta por engano. Mont Alverne esclareceu ainda que a reconstituição foi necessária para elucidar os fatos da noite do dia 31 de maio. “Não ficou preciso ainda de onde partiu o disparo que atingiu a vítima, Daniela, então nós fizemos essa simulação dos fatos justamente para determinar de maneira aproximada o que aconteceu”, explica.

 

 

 

Segundo o delegado, a possibilidade de Daniela ter sido atingida por uma bala perdida foi descartada após a reconstituição. Conforme Mont Alverne, essa hipótese foi levantada, pois o marido da vítima não soube informar se o suspeito que estava de capacete e atravessou a rua, na noite do crime, pouco antes de Daniela ser atingida pelo disparo, estava armado. “Nós cogitamos a possibilidade de essa pessoa que estava correndo estar fugindo de uma terceira pessoa, que poderia ter feito o disparo. Na prática, é um pouco difícil ter ocorrido essa possibilidade, de uma terceira pessoa, por causa da dinâmica do veículo”, esclarece.

Além da reconstituição e o depoimento do marido da vítima, a Polícia Civil já ouviu duas testemunhas para auxiliar nas investigações. Segundo o delegado, as testemunhas disseram que só viram um indivíduo de capacete subindo na garupa de uma motocicleta. “Uma testemunha disse que um mototaxista teria visto o momento do disparo, e nós fazemos um apelo a esse mototaxista que tenha visto essa ação criminosa, que se prontifique e compareça à Delegacia, ou mesmo disque 181, e nos dê informações para que possamos elucidar este crime”, solicita.

 

 

 

PERÍCIA

O perito Carlos Eduardo Leal ficou responsável pela reconstituição, e relatou que três hipóteses foram montadas na cena do crime. A primeira com um suspeito a pé, a segunda com uma motocicleta mais à frente do carro, e a terceira com um veículo à frente do carro da família. “Fizemos aqui três possibilidades de o disparo ter partido do punho desse indivíduo que parou o veículo naquela situação, partimos de outra situação, pois tinha um veículo à frente do carro da família, e a possibilidade de uma motocicleta que poderia estar posicionada na via que intercepta essa rua”, informa.

De acordo com o perito, a possibilidade que mais se aproximou do homicídio de Daniela foi a do suspeito a pé, que interceptou o carro da família. O perito acredita que Daniela viu a arma na mão do suspeito e virou o corpo em uma tentativa de se defender.  “A mais provável é a do indivíduo que atravessou a via, até por causa da forma como a vítima tomou o disparo. Ela foi atingida da direita para a esquerda, é como se ela estivesse se posicionando contra uma situação. Provavelmente, quando ela viu o indivíduo atravessando, e viu que ele movimentou o braço com a arma, ela fez uma posição de defesa”, detalha.

 

 

 

FAMÍLIA

O marido de Daniela participou da reconstituição e relembrou os detalhes da trágica noite do dia 31 de maio. De acordo com Márcio, ele ia com a esposa e o filho ao supermercado, quando, em determinado momento, próximo à Praça Candidés, um indivíduo de capacete fez sinal para que ele parasse o carro e assim atravessasse a rua. Márcio relembra que achou que o homem iria socorrer alguém no outro lado da rua, então diminuiu a velocidade do veículo e assim que o suspeito passou, ele arrancou o carro. “Foi rápido demais, muito rápido. Houve uma movimentação, a princípio, a minha mulher percebeu, e eu só percebi o rapaz de capacete passando na frente do meu veículo, assim que ele acabou de passar, eu ouvi o disparo e ela falou comigo ‘o tiro me acertou’”, relembra.

Márcio acredita que o seu carro foi confundido com o de algum criminoso, o que resultou na morte de sua esposa. “Era uma execução, mas eu fui confundido com alguém. Se fosse assalto, ele poderia ter esperado eu estar parado? Ou então uma bala que era para o sujeito que atravessou na frente do meu veículo, e no eu arrancar [o carro], eu enfiei na frente da bala que era para ele. Eu só vejo essas duas possibilidades”, avalia. O impressor deseja que o crime seja esclarecido e, assim, entender por que aconteceu este crime com a sua família. “A gente quer descobrir o real motivo [do crime], porque aconteceu isso conosco, porque houve duas mortes. A minha esposa faleceu, uma hora depois, a tia dela não suportou a noticia e teve um infarto. As duas famílias estão chocadas, não tem nem o que falar”, emociona.

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