sábado, 20 de Agosto de 2016 11:00h Pollyanna Martins

População questiona atendimento do Crevisa

Em sua página do Facebook, a Organização Não-Governamental (ONG) Spad Proteção Animal fez um desabafo sobre a falta de atendimento no Centro de Referência de Vigilância em Saúde Ambiental (Crevisa)

Bastou um post em uma página no Facebook, questionando a atuação do Centro de Referência de Vigilância em Saúde Ambiental (Crevisa), para que a população se manifestasse sobre o atendimento do centro. Em sua página na rede social, a Organização Não-Governamental (ONG), Sociedade Protetora dos Animais de Divinópolis (Spad), fez um desabafo sobre a falta de atendimento no centro. Na postagem, a ONG questiona o que está acontecendo no centro. De acordo com a Spad, a única atividade da Prefeitura em relação à superpopulação de animais em Divinópolis é a castração de animais, e o Executivo disponibiliza apenas algumas vagas mensais, porém o serviço não é realizado na cidade por falta de profissionais. “Normalmente, dois veterinários são disponibilizados para desempenhar essas funções. Mas, recentemente, um deles saiu, e o outro está saindo de férias. Ou seja, um mês sem atividade, com uma estrutura gigantesca parada por falta de funcionários! O veterinário concursado ainda não foi chamado para ocupar a vaga do primeiro que saiu!”, reclama.

O post teve, até a tarde de ontem (19), mais de 110 compartilhamentos e 30 comentários. A ONG Socorro Anjos Andrades Junqueira também mostrou sua indignação na postagem. Conforme a ONG, há cinco meses eles não conseguem fichas para castrar os animais resgatados nas ruas da cidade e a única saída foi pagar pelo serviço. “Já foram mais de R$ 3 mil nesses cinco meses de castrações pagas, porque não doamos o animal sem castrar” (sic). Uma internauta aproveitou a postagem e disse que, além de o serviço de castração estar parado, a leishmaniose está sem controle e cães sofrendo nas ruas de Divinópolis. A internauta ressaltou ainda que as ONGs estão sobrecarregadas e a população muitas vezes se comove com a situação dos cães de rua e tiram do próprio bolso para ajudar. “Procuramos pessoalmente neste governo, presidente da câmara, prefeito, deputado federal, mostrando o quadro e pedindo ajuda, inclusive mais atenção do Crevisa, e nada! Ninguém”, desabafa.

Na postagem feita no Facebook, a Spad questiona também o que está acontecendo com a verba destinada ao Crevisa. Segundo a ONG, além da castração, o serviço de resgate de animais também é ineficiente. “Quando precisamos de resgates, o caminhão está estragado. Quando precisamos de ajuda veterinária, não tem veterinário”, denuncia. Conforme a gestora do projeto, Amanda Lopes, tudo o que as ONGs da cidade conseguem no centro é após muita luta e stress. Amanda relata que a maior dificuldade enfrentada pelas ONGs no Crevisa é a falta de profissionais qualificados para fazer o atendimento dos animais. De acordo com a gestora do projeto, o centro possuía uma veterinária capacitada, que fazia os atendimentos nos animais, porém a veterinária saiu do Crevisa. “Colocaram um novato que não tinha a menor experiência, ele não aguentou a pressão e saiu também”, conta. No relato feito na rede social, a ONG frisa ainda que resgatam e tratam animais em péssimas condições “porque uma cidade desse tamanho, com uma alta verba destinada ao centro de "controle" de Zoonoses, não tem administração”, condena. Assim como na postagem feita na página da ONG, Amanda questiona o que é feito com o dinheiro enviado pelo Governo Federal para a manutenção do centro e o atendimento dos animais. “Lá é tudo muito vagaroso, tem muito dinheiro vindo do Governo Federal para o Crevisa, e a gente não sabe o que acontece com este dinheiro, porque no Crevisa ele não chega”, destaca.

 

DEMANDA

 

Segundo a gestora do projeto, o Crevisa possui apenas dois veterinários, que fazem rodízio no atendimento e realizam apenas cinco castrações. Além de questionar o que é feito com o dinheiro público, Amanda denuncia que é comum presenciar funcionários parados, porque no local há poucos animais de rua acolhidos. “Lá são mantido apenas 10 ou 15 animais para o caso de haver alguma auditoria, alguma fiscalização, para não ficar muito feio para eles”, critica. Com o baixo atendimento que é feito no centro, a maioria dos regates e atendimentos veterinários feitos nos animais de rua são realizados pelas ONGs da cidade. No post feito no Facebook, a Spad desabafou ainda que “nenhuma ONG ou grupo consegue aguentar sozinhos a alta demanda que uma cidade como Divinópolis traz”.

 

Amanda desabafa ainda que as ONGs da cidade não conseguem manter o atendimento de 12 mil animais que estão abandonados nas ruas cidade, mas muitas vezes fazem o resgate, pois a única medida adotada pelo Crevisa é o sacrifício dos animais. “A nossa gestão atual é péssima e não demonstram nenhum interesse em nos ajudar, 100% dos resgates dos animais doentes são feitos pelas ONGs. Qualquer animal doente que cair no Crevisa é sacrificado e dizem que no Crevisa não cabem mais animais”, relata.

Para pagar a conta dos tratamentos dos animais de rua resgatados, as ONGs da cidade contam com o apoio da população. No post feito na página da ONG, a Spad citou o medo que tem de sofrer retaliações após o desabafo, “esperamos não sofrer nenhum tipo de retaliação (como perda de vagas para castração), apenas por estar cobrando um direito que é de toda população”. Conforme a gestora do projeto, as ONGs cadastradas têm direito a 10 fichas mensais de castração, o que não supre a demanda da cidade. Amanda acredita que o município tem condições de aumentar o número de atendimento mensal para a castração. “A gente poderia ter tranquilamente de 30 a 50 fichas distribuídas mensalmente, mas eles nos dão 10 e nós ficamos com medo de reclamar deles e perder as fichas que nos dão”, finaliza.

 

PREFEITURA

 

A Prefeitura informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o Centro de Referência de Vigilância em Saúde Ambiental (Crevisa) mantém todos os serviços funcionando, exceto a castração de animais. “O serviço volta a ser normalizado com a contratação do médico veterinário. O nome do profissional já foi publicado no Diário Oficial nesta quinta-feira (18) e, quando o mesmo assumir o cargo, a castração de animais voltará a ser realizada”. Ainda de acordo com o Executivo, são realizados no centro, por mês, 150 castrações, 80 exames de leishmaniose e 120 atendimentos de cães de rua.

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