quarta-feira, 23 de Setembro de 2015 10:04h Atualizado em 23 de Setembro de 2015 às 10:05h. Lorena Silva

Portadores de HIV têm atendimento prejudicado em Divinópolis

Secretaria Municipal de Saúde diz que atendimentos no Serviço de Assistência Especializada (SAE) serão normalizados nos próximos dias

Mais de mil pacientes portadores do vírus HIV que fazem tratamento no Serviço de Assistência Especializada (SAE), ligado à Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), em Divinópolis, estão com atendimento reduzido há um mês e meio devido à falta de profissionais. A informação partiu de uma denúncia de um leitor – que preferiu não ser identificado – ao Gazeta do Oeste.
O motivo para a falta de médicos atendendo no local seria o mesmo que vem ocorrendo nos postos de saúde do município – assunto que foi abordado pelo Gazeta na última sexta-feira. Segundo a publicação, os profissionais entraram de férias como uma forma de contestar uma exigência do Ministério Público de que a classe cumpra determinadas horas por dia no local e comprove por meio de ponto biométrico.
Na matéria, o vereador Delano Santiago Pacheco (PRTB) explica que os médicos entraram de férias para mostrar ao MP como seria caso os profissionais saíssem de seus cargos. “Não há desassistência, os médicos não estão tirando férias como forma de motim, eles estão tirando férias como forma de dizer para o Ministério Público ‘olha o que vai acontecer se todos nós sairmos da Prefeitura’”, pontuou.
NO SAE
Segundo a diretora de Atenção a Saúde da Semusa, Maria Ângela de Souza Alvarenga, dois dos três médicos da equipe do SAE se afastaram do cargo, o que fez com que o atendimento fosse reduzido. O infectologista que permaneceu no local continua atendendo uma vez por semana, às terças-feiras.
“O que aconteceu, na verdade, é que com a dificuldade de cumprimento da carga horária por todos os servidores, os médicos desse setor tiraram férias e se afastaram do serviço até que eles consigam se reorganizar e voltar ao trabalho. Nós da Secretaria e a Prefeitura estamos fazendo todo um esforço que é possível para a gente conseguir resolver esse problema”, esclareceu a diretora.
De acordo com Maria Ângela, a Secretaria já está providenciando a contratação de um clínico, que vai ser treinado pelo profissional que atua no SAE. “[Ele] tem a possibilidade de ir a Belo Horizonte, se a gente entender que é necessário um treinamento maior para os atendimentos dos pacientes do CTA [Centro de Testagem e Aconselhamento] e SAE”. A previsão é que ele comece a trabalhar – de segunda a sexta-feira – ainda nos próximos dias.
Ainda segundo a diretora, a ideia é que mesmo com o retorno dos dois profissionais que se afastaram, o médico contratado passe a fazer parte da equipe do Serviço. “Nossa ideia é que ele permaneça no serviço, a gente quer aumentar [o número de profissionais]. Os dois voltando, nós ficaríamos com os quatro”, comenta.

 

MEDICAMENTOS E ATENDIMENTO
Segundo a denúncia feita ao jornal, uma das preocupações dos usuários do SAE era com relação a contratação de um clínico, e não de um infectologista, para normalizar os atendimentos. Indagada sobre essa questão, Maria Ângela explicou que qualquer clínico vai estar apto a atender os pacientes.
“Nesse caso, o profissional que vai chegar vai fazer o atendimento clínico dos pacientes e vai ser treinado, então vai estar apto a fazer esse atendimento. E ele vai ter o infectologista em retaguarda, qualquer dúvida ou problema que tiver, ele [o infectologista] vai auxiliar no momento”, esclareceu a diretora.
Outra preocupação alegada com a denúncia é se a falta de profissionais estaria afetando o acesso dos pacientes às receitas médicas e, consequentemente, aos medicamentos. Sobre isso, a diretora disse que os pacientes não foram afetados, já que a farmácia municipal conseguiu se organizar e fazer a distribuição dos medicamentos.
Os serviços disponibilizados pelo CTA, como os testes rápidos de HIV, Sífilis e Hepatites B e C, por exemplo, também não foram prejudicados.

 

Créditos: Arquivo GO

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.