sexta-feira, 26 de Junho de 2015 10:14h Atualizado em 26 de Junho de 2015 às 10:21h. Mariana Gonçalves

Práticas de atendimento a pessoas estomizadas é foco de capacitação em Divinópolis

Por meio da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), campus Dona Lindu, Divinópolis sediou o 2º Encontro Oeste Mineiro de Atenção à Saúde das Pessoas Estomizadas

O evento, promovido pelo PET Saúde/Redes de Atenção, sob a coordenação do professor Juliano Teixeira Moraes, recebeu profissionais da área da saúde de diversos municípios da região.

Segundo Juliano, a intenção do evento é, além de falar dos serviços, trazer relatos de pessoas que atuam diariamente dentro do sistema de atendimento a pessoas estomizadas, para que principalmente estes profissionais consigam orientar os demais a como proceder. Não somente na forma de manuseio dos equipamentos, mas também a forma de acolher o paciente.

“Ao pensar esse evento é justamente para poder articular toda essa rede de atendimento a saúde da pessoa estomizada aqui no Oeste de Minas. Esse já é o segundo evento desse porte, no qual conseguimos discutir essa política. A região conta com seis serviços implementados sendo um deles em Divinópolis e outros cinco em municípios vizinhos, sendo o nosso município aqui como referência para os demais”, explica o professor.

Além da apresentação de renomados profissionais da saúde, específicos dessa área, o evento proporcionou aos participantes um momento de conhecimento acerca das novas tecnologias para serem aplicadas nos tratamentos. “Estivemos com laboratórios parceiros nesse evento que nos trouxeram tecnologias novas para esses cuidados. Porque às vezes isso está muito distante do usuário e até mesmo do próprio profissional da saúde, que fica perdido em meia a tanta tecnologia”, pontua Juliano.


DEMANDA

Segundo o professor, hoje Divinópolis tem em média 190 pessoas estomizadas cadastradas no serviço, que funciona na Policlínica. “O serviço possui equipe especializada e capacitada. A UFSJ, por meio do projeto PET Redes, conseguiu desenvolver esse serviço junto com esses profissionais, no qual pudemos deixá-lo como sendo referência para a região. Ele atende qualquer pessoa, solicitação ou encaminhamento, seja de serviço público ou privado”, afirma.

É importante que o paciente procure por auxílio especializado, até mesmo porque hoje o SUS fornece uma gama de equipamentos e tratamentos para esse problema. “Muita gente não sabe, não tem a ideia da importância desse serviço de assistência, mas ele se faz necessário principalmente no que diz respeito ao uso correto dos dispositivos de tratamento. Porque muitas das vezes é negligenciado pelo profissional que desconhece esse dispositivo, ou pelo próprio serviço que também não conhece, então é feito uma avaliação e daí é indicado o melhor dispositivo. Hoje o SUS fornece todos esses dispositivos e com a melhor tecnologia, eu falo isso enquanto especialista dessa área”, salienta Juliano.

ENTENDA

A realização de um estoma é um procedimento médico no qual é realizada a exteriorização de víscera oca presente no corpo, como é o caso da colostomia, que representa a exteriorização do cólon. São diversas as causas que levam à realização de um estoma. Dentre as principais, podem-se citar as neoplasias malignas, os traumas abdominais, o desvio de trânsito intestinal ocasionado por úlceras de pressão, dentre outros.

Os pacientes que são submetidos a uma ostomia adquirem uma série de problemas, sejam eles físicos, psicológicos, sociais ou espirituais, representando assim pacientes que necessitam de extrema atenção dos profissionais da saúde que estão lhes prestando cuidados, compreendendo desde o pré-operatório até o momento da alta hospitalar, onde a enfermagem entra com um papel relevante de prestador de cuidados voltados ao ser visualizado em sua integralidade.

De acordo com a Associação Brasileira de Ostomizados, o número de ostomizados no Brasil ultrapassa os 50 mil, representando uma população de pacientes que merece um cuidado humanizado e sistemático de dimensão biopsicossocial, voltado a amenizar os impactos que um estoma pode provocar na vida do indivíduo que o possui. A enfermagem tem um papel de extrema relevância na promoção da qualidade de vida a qual tanto se busca para o paciente ostomizado.

“A atenção à saúde da pessoa estomizada foi normatizada no Brasil em 2009, com a publicação da portaria 400 do Ministério da Saúde. Ela instituiu diretrizes para atenção a saúde da pessoa estomizada no país. Essa portaria define uma assistência a esse tipo de cuidados no âmbito do Sistema Único de Saúde e em sistema de rede. Quando eu digo rede, é pensando no serviço que possa realmente englobar a atenção primária, secundária e terciária e com referência e contrarreferência local e regional”, encerra Juliano.

 

Crédito: Mariana Gonçalves

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