sexta-feira, 3 de Junho de 2016 13:39h

Prefeito abre o coração e se revela confiante para fechar o mandato

Na última quarta-feira, o prefeito Vladimir Azevedo (PSDB) comemorou o último aniversário da cidade nos seus dois mandatos consecutivos

POR JOTHA LEE

jotalee@gazetaoeste.com.br

 

 

A partir de agora, começa a contagem regressiva para sua saída do governo e Vladimir tem esse prazo para tentar reverter a imagem negativa que cresceu neste segundo mandato, fruto de equívocos, aliados à crise econômica do país e a um desregramento nos primeiros anos de governo. Durante as comemorações do aniversário da cidade, o prefeito, acompanhado da esposa, Janaina, estava sorridente e demonstrando confiança de que poderá concluir bem o mandato. Entre um intervalo e outro, ele encontrou tempo para conceder entrevista exclusiva ao Jornal Gazeta do Oeste, fazendo previsões otimistas para o fim de governo. O prefeito abriu o coração e abordou vários assuntos, admitiu algumas frustrações e arrependimentos, mas disse que vai chegar ao fim do mandato com a casa em ordem e a consciência tranquila.

GO – Já é possível fazer uma avaliação de sua passagem pela prefeitura?

VLADIMIR – Na verdade, é preciso fazer uma avaliação de como entramos na prefeitura, o que fizemos, o que avançamos, o que não avançamos como gostaríamos, mas com a certeza de que vamos entregar uma cidade melhor do que encontramos. Divinópolis está entre as maiores cidades do Brasil e quando a gente se torna uma das maiores cidades, é claro que temos problemas diferentes. De ordem de segurança pública, de ordem de infraestrutura urbana, vez que tivemos uma formação urbana explosiva e sem a devida base estrutural. Temos problemas de saúde de uma cidade polo, mas o Samu está chegando. Na área de educação avançamos muito na merenda escolar, na inclusão de mais de duas mil crianças e seis novas escolas de educação infantil em padrão “A”, sempre em parceria com outros governos. Eu nunca acreditei que fazer política é ser um herói sozinho. O verdadeiro resultado é alcançado na articulação com a própria sociedade, com o setor empresarial, com a área social e com os outros governos. Estou convicto de que é uma avaliação positiva. Uma avaliação de lições aprendidas com o que não conseguimos alcançar, mas para festejar com o que progredimos.

Nesses 104 anos, uma homenagem especial à ferrovia, que comemora o centenário de sua chegada à Divinópolis. Como o senhor avalia a presença da ferrovia na cidade?

As histórias de Divinópolis e da ferrovia se confundem. Divinópolis deixou de ser arraial por causa da vinda da ferrovia e aquela cidade tradicional, em volta da praça da igreja, se transformou na cidade cosmopolita, que recebeu várias culturas e vários segmentos econômicos aportaram aqui para chegarmos a essa cidade diversa, universitária, de hoje. A ferrovia tem um papel fundamental no perfil de Divinópolis, não só na formação econômica, como também na formação social. Esse centenário da ferrovia que estamos homenageando hoje nos mostra que não é somente um livro de história, não é só uma peça de museu. A ferrovia é hoje um dos maiores empregadores da cidade, com mais de 1,3 mil funcionários e é administrada pela VLI, a maior oficina ferroviária da América Latina. Isso tudo se mistura com a cidade que tem em seu DNA o empreendedorismo, a fraternidade, que a gente canta no hino [de Divinópolis], e a busca pela superação de crises pela própria sociedade.

O senhor chega satisfeito ao final desse ciclo de governo?

Na verdade, ainda temos sete meses de governo e teremos importantes entregas e vejo que o saldo é muito positivo pessoalmente, politicamente e cumpri o papel na história. É uma missão difícil, muitas vezes incompreendida, de muita pressão, de muito conflito de interesse, mas o que vale é a gente sempre buscar o interesse público, que ele esteja sempre à frente de tudo, que conduza o nosso norte.

Como o senhor avalia as críticas da oposição, que, nos últimos dois anos, elevou o tom muito acima do que ocorreu nos primeiros anos de mandato?

Eu nunca fiz política com raiva, com vingança, com rancor. Quem faz política dessa forma, tenho até pena, porque política tem que ser uma discussão de ideias, não de agressão pessoal, de invasão da vida privada das pessoas. Eu sigo a vida normal. A política tem que ser um ato de busca de diálogo e de avanço, principalmente nas dificuldades, nas crises mais agudas, nos conflitos de interesses mais ásperos, envolvendo interesses gerais com interesses corporativos. É assim que procuro fazer.

Alguma decepção?

Eu não colocaria dessa forma. Vamos refletir sobre isso para a próxima entrevista (risos).

Algum arrependimento?

Sempre há. Arrependimento de que talvez poderia ter feito diferente. Mas esse é o processo da vida. Muitas de nossas atitudes servem para aquela reflexão de que se pudesse voltar atrás, faria diferente. Mas é um aprendizado da existência e faz parte da maturidade.

Quais são as maiores dificuldades que o senhor acha que terá pela frente nessa reta final de governo?

Acho que o fechamento fiscal, com a crise que o Brasil vive, com a queda de arrecadação, acho que será um grande desafio, mas nós vamos tratar disso com muita transparência, dividindo essa dificuldade e trabalhando para atendermos todas as regras.

Qual a posição do senhor com relação à sucessão municipal?

Olha, na verdade eu sou o prefeito, sou um cidadão, mas sou um ser partidário. Estou filiado ao PSDB com muita honra, pois minha história foi toda construída no partido, e o grupo político é que vai decidir as possibilidades de coligações e a candidatura majoritária. Temos bons pré-candidatos [a prefeito] e a ideia é que a gente consiga se manter unidos para que tenhamos um projeto melhor do que o que eu representei.

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