sexta-feira, 3 de Outubro de 2014 05:22h Atualizado em 3 de Outubro de 2014 às 05:24h. Jotha Lee

Prefeito lança plano complementar para retirada dos aguapés

Executivo admite que balsa para limpeza do Rio foi uma aposta da administração

Crédito: Jotha Lee

 


Um dia depois do juiz, Núbio de Oliveira Parreiras, titular da Vara de Fazenda Pública e Autarquias, negar o pedido de liminar feito Ministério Público do Meio Ambiente solicitando prazos para o início e conclusão da retirada dos aguapés do Itapecerica, o Prefeito Vladimir Azevedo (PSDB) lançou ontem novo plano emergencial para a limpeza do Rio. O prefeito mostrou a seriedade com que pretende tratar a questão reunindo seus principais assessores políticos e secretários do Meio Ambiente e Defesa Civil para lançar o Plano Complementar, que ele chamou de Plano B.


Vladimir Azevedo admitiu o fracasso da balsa papa-aguapés na execução da limpeza do Rio. “O equipamento contratado tem apresentado problemas que, neste momento, têm impedido produtividade satisfatória e com a celeridade que a gravidade da situação exige”, afirmou.


O prefeito assegurou ainda que o contrato firmado com a empresa Logitec, dona do Papa-aguapés, que prevê o pagamento de R$ 255 mil, não contém cláusula de exclusividade e que a forma de pagamento prevista “contempla a efetiva retirada das plantas com regularidade”. Ele garantiu também que até agora a Prefeitura não fez nenhum pagamento à empresa, já que o contrato não está sendo cumprido.


Ao anunciar o Plano Complementar, o prefeito reafirmou seu compromisso de campanha em despoluir o Itapecerica, frisando ser esse um dos principais objetivos do seu mandato. “Morei às margens do rio por 40 anos e nunca vimos uma situação como essa”, afirmou.
Segundo ele, a questão do rio sempre foi prioridade desde que assumiu a Prefeitura e alfinetou a administração anterior. “Desde que assumi a questão do rio sempre foi uma prioridade, não prioridade política, mas de ação. E para minha tristeza, quando assumi a Prefeitura, não tinha nenhum rabisco de um estudo sobre o rio”, criticou.

 

 

APOSTA
Vladimir Azevedo lembrou que em junho, diante do agravamento na proliferação dos aguapés, foi decretado estado de emergência para facilitar a busca de soluções e admitiu que a balsa papa-aguapés foi uma aposta. “Apostamos na tal máquina papa-aguapés e trouxemos como uma experiência nova. Ocorre que a máquina que aí está, me parece que por questões de dimensionamento, apresentou vários problemas operacionais”, admitiu.
“Primeiro que demos um azar danado, já que no primeiro dia ela caiu do caminhão e quebrou, atrasando 20 dias. Depois, por causa do dimensionamento do motor, houve problemas com a calha do rio”, acrescentou Vladimir.
Para justificar a demora na adoção de um novo plano, diante da incapacidade de funcionamento da balsa, o prefeito assegurou que por força contratual o município deveria aguardar até a última quarta-feira. “Nós vivemos um dilema, pois havia um contrato e ela [Logitec] estava dentro do prazo contratual para colocar a balsa em operação, nós não podíamos ter outro tipo de ação”, frisou. “Diante da dificuldade da máquina apresentar uma resposta com regularidade, decidimos criar um Plano Complementar para a retirada dos aguapés”, explicou.

 

 

O PLANO
A Defesa Civil do município ficará responsável pela operação do Plano Complementar que começa a ser executado hoje, com a instalação de uma base fixa próxima ao Estádio Waldemar Teixeira de Faria (Campo do Guarani) no bairro Porto Velho. Serão utilizados dois barcos de alumínio, uma escavadeira hidráulica, uma motosserra, três ganchos âncoras, além de outros materiais como foices, cordas e cabos de aço.
A operação de retirada dos aguapés, com início previsto para a manhã de hoje, começará próximo ao local conhecido como “Carrapateiro” e terá quatro navegantes e seis operadores de ganchos. Os barcos arrastarão os aguapés até as margens, de onde serão retirados pela escavadeira. A execução do Plano terá ainda a colaboração do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar do Meio Ambiente.
Todos os operários a serem utilizados na operação são funcionários da Prefeitura e a estimativa de gastos com o aluguel da escavadeira é de R$ 40 mil mensais. Paralelamente ao Plano Complementar, a balsa papa-aguapés continuará em operação, pois segundo o prefeito o equipamento, quando funciona com normalidade, já demonstrou ser eficaz. O coordenador da Defesa Civil, Dreyfus Rabello, assegurou que a Logitec, proprietária da balsa, vai receber por metro quadrado de aguapés retirado do leito do rio.

 

 

LIMINAR
Vladimir Azevedo comentou ainda a decisão do juiz ao negar liminar pedida pelo Ministério Público, para estipular prazo de início e fim da operação de retirada dos aguapés. “A iniciativa do Ministério Público foi muito louvável e seguiu as prerrogativas e missão constitucionais que ele tem, em buscar uma solução de curto prazo”, afirmou.
O prefeito disse ainda que até ontem de manhã a Prefeitura ainda não havia sido notificada oficialmente da decisão do juiz, porém acrescentou que nesse momento o que vale é a responsabilidade que se deve ter com o Rio. “O que vale é nosso compromisso com o Rio. Eu que morei a vida inteira na beira do Rio sei de sua importância, sei que é um patrimônio e eu estou fazendo o dever de casa para salvá-lo. Independente de qualquer decisão judicial, a minha responsabilidade e prioridade política como gestor público dessa cidade sempre foram claras e nesta questão não poderia ser diferente”, finalizou.

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