terça-feira, 31 de Março de 2015 10:32h Atualizado em 31 de Março de 2015 às 10:36h. Jotha Lee

Prefeito reúne secretariado para discutir crise financeira do município

Fonte informou que demissões e cortes nos investimentos serão inevitáveis

O prefeito Vladimir Azevedo (PSDB) passou a manhã de ontem reunido com todo o seu secretariado para tratar especificamente da situação financeira do município. O encontro aconteceu na sala de reuniões da Regional Centro-Oeste da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), começou às 9h e só terminou às 13h. Durante as quatro horas em que conversou com seus secretários, o prefeito determinou economia em todas as secretarias, anunciou que provavelmente haverá demissões e pediu lealdade de todos que ocupam os cargos de primeiro escalão.
Um dos homens de maior confiança do prefeito e que ocupa função estratégica na administração foi o primeiro a deixar a sala de reuniões. Ele conversou rapidamente com a reportagem e admitiu que o encontro ocorreu na sede da Fiemg por ser um local “mais discreto”. Disse que o encontro era para discutir questões muito importantes, especialmente a busca de soluções para a crise financeira do município e que o prefeito procurou ter maior privacidade para conversar com o secretariado. A fonte informou que haverá corte nos investimentos, paralisação de obras e redução de cargos, com possíveis demissões entre os comissionados. “Não tem jeito, é economia de guerra”, sintetizou.
Ao deixar a sala de reuniões, o prefeito Vladimir Azevedo concedeu entrevista ao Gazeta do Oeste e minimizou os motivos do encontro, afirmando que ocorreram decisões rotineiras. “Ocorreram várias decisões, mas decisões de rotina, como ajuste da máquina, melhorar o ajuste das engrenagens para que rode melhor, atenda melhor e principalmente desatar as dificuldades dentro desse panorama macroeconômico, com o país crescendo pouco. E nessa reunião procuramos medir o impacto nas contas públicas dos municípios que já são deficitárias, muitas vezes sacrificadas”, afirmou.
O prefeito responsabilizou o governo federal pelas dificuldades econômicas dos municípios brasileiros. “A responsabilidade dos municípios no bolo todo, perante o que é feito pela gestão pública no Brasil, cresceu 11 vezes e meia enquanto a participação dos municípios no bolo das receitas dos tributos gerados no Brasil cresceu 0,5%. É uma equação quase impossível de fechar. Mas a gente vai ajustando, colocando todos a remar para o mesmo lado e fazendo entender as prioridades, isso requer um esforço de governo”, analisou.

IMPOSTOS
Vladimir Azevedo assegurou tratar-se de uma reunião rotineira e informou que um dos objetivos foi deixar muito bem definido as prioridades para o restante do mandato, além de melhorar a arrecadação de impostos. “Temos que melhorar a gestão fiscal, porque o cobertor é curto e a gente precisa priorizar as partes que têm que ser cobertas, mas sem perder o controle”, garantiu. Sobre os cortes que foram determinados em todas as secretarias, com responsabilidade para cada secretário encontrar formas de reduzir gastos, o prefeito contemporizou as determinações. “Na verdade a gente está fazendo uma leitura de macroambiente – PIB, economia, reflexos na arrecadação – para ver como vamos nos encaixar dentro dessa realidade da economia brasileira, já que os municípios estão ainda mais sacrificados diante disso, sem haver cortes significativos nos serviços públicos e nosso menu de obras que devem ser concluídas dentro da escala de prioridades que definimos”, avaliou.
Outro pedido feito pelo prefeito durante a reunião foi maior colaboração entre as secretarias. “É um time. Não tem um herói sozinho ou um vilão na história. O governo, para garantir uma gestão eficiente, tem que buscar formas para melhorar a capacidade de investimento nas áreas necessárias ao bom funcionamento da cidade”, sustentou.

LEALDADE
No momento em que o município encontra-se no vermelho na execução orçamentária, com déficit superior a R$ 129 milhões, o prefeito pede lealdade ao seu secretariado. “Lealdade é um requisito mínimo para qualquer relação, sejam as relações afetivas, familiares ou institucionais. E claro que um time, para que ele possa ter resultado, tem que ter vários valores e talvez um dos primeiros deles é confiança, lealdade, ética, moral, princípios e valores que norteiam uma relação que busque agregar, avançar e ser profícua”, explicou.
O prefeito admitiu que a grande dificuldade será administrar a folha de pagamento, que cresceu 15% contra apenas 7% na arrecadação. “É um dos grandes problemas. É um efeito macroeconômico, mas que também temos peculiaridades locais na política de remuneração dos servidores. Quando a gente coloca todas as leis que formam essa política – Plano de Cargos e Salários, gatilho, estatuto dos servidores – a folha tem um crescimento vegetativo acima da capacidade de geração de receita dentro desse cenário econômico. É um dos pontos que a gente discutiu”, frisou.
Embora não tenha confirmado, Vladimir Azevedo admitiu que poderão ocorrer demissões e redução de cargos comissionados. “Diante desse quadro, para ficar dentro da Lei de Responsabilidade Fiscal e nos manter dentro do limite prudencial de gastos, pode ser que tenhamos que fazer ajustes nos ditames da lei”, finalizou.

 

Crédito: Jotha Lee

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