quarta-feira, 6 de Julho de 2016 14:39h Jotha Lee

Prefeito se defende das acusações de envolvimento em fraudes do PAC Saneamento

O prefeito Vladimir Azevedo (PSDB) convocou a imprensa para uma entrevista coletiva ontem à tarde, para falar sobre o inquérito da Polícia Federal (PF), divulgado na segunda-feira, que indiciou 15 pessoas

POR JOTHA LEE

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O delegado federal Antônio Benício de Castro, que conduziu o inquérito, disse que tem provas robustas para indiciar o prefeito, porém não o fez porque ele tem foro privilegiado. Na entrevista de ontem, o prefeito disse que havia necessidade de dar explicações à população. “Senti uma necessidade desse esclarecimento, pelos princípios que me nutre, princípios morais, éticos, que vêm para mim de berço, e os princípios políticos, de transparência e de total disponibilidade para que possa aclarar as questões que a mim possam ter sido imputadas e que para mim são muito caras, a defesa da moral, a defesa da honra e da dignidade”, afirmou.

 

 

De maneira serena, falando em tom baixo, o prefeito discordou da afirmação do delegado de que havia uma organização criminosa na prefeitura. “Eu não entendendo essa afirmação de que houve a formação de uma organização criminosa na prefeitura de Divinópolis. Quando tomei posse já existia um contrato, um plano de trabalho, recursos disponíveis e uma necessidade da comunidade, principalmente da população mais carentes. Não havia nenhuma recomendação, nem interna e nem externa, apontando problemas nesse contrato”, garantiu.

 

 

Sobre a manutenção de Lúcio Espíndola em sua equipe, apontado como o mentor do esquema criminoso pela PF, Vladimir disse que foi uma decisão necessária. “Foi uma decisão técnica e buscando agilidade na continuidade das obras, porque era isso que a população almejava”, sentenciou. “Tudo que foi tocado foi dentro dos princípios do direito administrativo, do direito público e na busca de celeridade para a realização das obras”, acrescentou.

 

 

IRREGULARIDADES

O prefeito afirmou que em 2014 recebeu uma recomendação da Controladoria Geral da União (CGU) para que fosse feita uma avaliação do contrato, pois havia suspeita de irregularidades. “Por excesso de zelo paramos a execução do contrato a partir de maio de 2014 quando recebemos a recomendação, e agora, estamos com uma licitação em andamento para continuar aplicando os recursos do PAC Saneamento. Enquanto a CGU levantou que poderia haver problemas, nós esclarecemos e ela mesma declinou e cancelou a recomendação de maio de 2014, nós não executamos nada desse contrato por excesso de zelo”, esclareceu.

 

 

Sobre o afastamento de quatro servidores em 2013, entre eles Lúcio Espíndola, Vladimir disse que a medida foi tomada imediatamente após a recomendação do Ministério Público. “No final de 2013, nós tivemos a recomendação para afastamento de algumas pessoas e de pronto nós acatamos. Então, toda vez que houve uma provocação interna ou externa, dos órgãos de controle externo, a nossa atuação foi de excesso de precaução e zelo da conduta da gestão”, assegurou.

 

Sobre a declaração do delegado Antônio Benício de que há provas para seu indiciamento, já que foram encontradas várias assinaturas comprometedoras do prefeito no processo do PAC, Vladimir disse que tem o direito de discordar. “Com a autoridade que ele tem, ele tem o direito de tirar as conclusões que lhe cabe. Tenho todo respeito institucional, mas tudo que nós fizemos foi dentro da legalidade. Todas as assinaturas que eu fiz foi dentro desse ambiente de controle e de zelo. Se ele tem esse entendimento cabe a mim aceitar, discordar e me defender no foro devido. Vou me defender com todos os documentos disponíveis e espero que seja preservada a verdade e a Justiça”, finalizou.

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