quarta-feira, 29 de Janeiro de 2014 05:30h Simião Castro

Prefeitura cede imóvel para casa de recuperação

Local será destinado a meninas de 11 a 17 anos dependentes de drogas. Missão Maria de Nazaré já recebeu a chave do lugar e deve começar atendimento até março.

A prefeitura entregou sob comodato à antiga Escola Municipal Joaquim Rodrigues, na comunidade do Cacoco de Baixo, a Associação Missão Maria de Nazaré, que vai utilizar o imóvel como uma casa de recuperação para meninas. A entidade já mantém uma chácara que recebe adolescentes do sexo masculino com o mesmo propósito.
De acordo com o coordenador da chácara, Matheus Dias, o contrato de comodato para o novo local vale por 30 anos. Devem ser abertas 24 vagas para adolescentes de 11 a 17 anos. O prédio abrigava a antiga escola do Cacoco, e agora vai passar por reformas para adaptar as dependências ao novo uso.
O presidente da Associação Missão Maria de Nazaré, Eduardo Rivelly, afirma que é lugar-comum o receio em acolher adolescentes por serem considerados difíceis de lidar. E ressalta ser ainda mais o baixo número de entidades com foco em assistência à mulher dependente. “Mas se ninguém topar esse desafio, se ninguém tentar, como é que vai ser?” Segundo ele, esta será a primeira casa a atender meninas na região.
Reforma
Eduardo diz que devem ser poucas as intervenções estruturais para adequar o prédio, como reforma nos banheiros e melhorias nos muros. E que até a pintura do local ainda está em boas condições. A associação já conta com parceria para receber R$ 94 mil de um banco. Valor insuficiente para custear a instituição que demanda, segundo ele, cerca de R$ 20 mil por mês.
Ele reforça que apesar do incentivo financeiro do banco a Associação sobrevive de doações e campanhas, as quais devem também passar a auxiliar a casa de meninas. Fala que tem tentado convênios com governos federal e estadual, mas que ainda não foi nada concretizado, e reivindica, ressaltando a importância do apoio da comunidade e dos poderes públicos: “Sozinho a gente não vai dar conta. É um desafio que nós vamos precisar de uma rede boa de gente com disposição. Sem essa força, essa rede, nós não vamos conseguir nada.”
Tratamento
Eduardo explica que o tratamento pode durar de seis a doze meses e dispõe de uma equipe transdisciplinar com mais de 20 profissionais entre psicólogos, assistentes sociais, educadores, professores e monitores. A metodologia perpassa o atendimento terapêutico, psicossocial, terapia pelo trabalho e espiritualidade.
Cerimônia
Presente à solenidade de entrega das chaves, o secretário adjunto Antidrogas e de Direitos Humanos, Luíz Gonzaga Militão, afirmou que o local entregue à Associação foi considerado ideal para abrigar a casa de recuperação e disse que se sente feliz por ser protagonista no processo de tratamento e assistência à dependentes. Mas admitiu que é preciso ir além. “Claro que falta muita coisa ainda para que nós possamos ter a rede de atendimento dos nossos sonhos, mas esse com toda a certeza será um passo importante.”
O promotor da Vara da Infância e Juventude de Divinópolis, Carlos José e Silva Fortes, falou que é covarde a estratégia dos traficantes ao usar crianças e adolescentes, por vezes em situação de negligência familiar, como ferramentas para o tráfico de drogas. E disse que são poucas as cidades brasileiras que têm locais para amparar os dependentes. “É muito importante que tenhamos mesmo onde interná-los, onde cuidar deles. Esse é o ingrediente para a gente aplicar a receita que é o estatuto da criança e do adolescente.”
O prefeito Vladimir Azevedo disse que ainda não existe um norte bem definido para o enfrentamento do tráfico de drogas e dos problemas sociais resultantes do crime, afirmou que é problema complexo, multidisciplinar, e que não é possível resolvê-lo apenas com ações municipais. Disse que as estratégias são sempre muito caras e que é primordial a participação da comunidade, deixando o Estado como um apoio. “O governo tem que ser um apoiador e um articulador do sistema, mas o grande motor do sistema é a própria sociedade.”

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