quarta-feira, 9 de Março de 2016 09:49h Jotha Lee

Prefeitura e sindicato iniciam discussão sobre campanha salarial dos servidores municipais

Categoria está em estado de greve e uma paralisação não está descartada

O Sindicato dos Trabalhadores Municipais (Sintram) e a prefeitura, através do Conselho de Acompanhamento Administrativo e Financeiro (CAAF), realizam hoje a primeira rodada de negociações para tratar sobre a pauta de reivindicações da campanha salarial 2016 dos servidores municiais de Divinópolis. A campanha salarial foi deflagrada em fevereiro em assembleia da categoria, que também aprovou o estado de greve, situação que indica paralisação das atividades a qualquer momento.

 

 


A deflagração do estado de greve é uma ameaça ao Executivo e a primeira estratégia adotada pelos servidores, para forçar o atendimento das reivindicações da classe. “É uma decisão que significa que a qualquer momento uma greve poderá ser deflagrada pela categoria, caso não haja bom resultado na negociação entre as partes”, conforme explicou nota oficial do Sindicato dos Trabalhadores Municipais (Sintram).

 


Os servidores aprovaram reivindicação de reposição da inflação no índice de 12%, mais 8% de ganho real nos salários, atingindo a 20% de ajuste. Isso significaria um impacto mensal de R$ 3 milhões na folha de pagamento, ou R$ 36 milhões em 12 meses. A categoria também quer reajuste de 185,71% no tíquete-refeição, elevando o valor dos atuais R$ 7 para R$ 20. Ainda constam da pauta os pedidos de mais segurança no trabalho e realização de concurso público.

 

 


INFLAÇÃO
De acordo a presidente do Sintram, Luciana Santos, a reposição de 12% relativa à inflação do ano passado, deverá ser retroativa a janeiro, para evitar que os servidores tenham perdas. Sobre o pedido de aumento de mais de 185% para o tíquete-refeição, a presidente alega que há 10 anos não há aumento no valor desse benefício e acrescenta que a categoria quer a partir de agora o reajuste anual, com base no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pela UFMG.

 

 


Até ontem à tarde, ainda não se sabia se a prefeitura vai apresentar uma contraproposta aos servidores na reunião de hoje. Segundo a Diretoria de Comunicação, os integrantes do CAAF passaram a tarde reunidos com o prefeito, porém não informaram se o assunto fez parte da pauta. Entretanto, uma fonte da área econômica da prefeitura disse que o assunto foi discutido anteriormente pelo CAAF e o pedido do Sindicato foi considerado completamente inviável. Ainda segundo a fonte, a proposta que a prefeitura tem é de reajuste de 10,5%, o que garantiria a reposição da inflação acumulada do ano passado, conforme prometeu o prefeito Vladimir Azevedo (PSDB).

 


PROFESSORES
A prefeitura ainda terá pela frente outra negociação que promete ser uma verdadeira queda de braço. Os trabalhadores da Rede Municipal de Ensino também já definiram a campanha salarial de 2016 e querem 26% de aumento salarial.  De acordo com Cida Oliveira, diretora do Sindicato da categoria, como no ano passado foi feita somente a revisão dos salários, sem ganho real, os professores definiram que o aumento não poderá ser inferior a 26%, para evitar perdas. A categoria também quer aumento de 200% no ticket-alimentação, elevando dos atuais R$ 7 para R$ 21.

 


No ano passado, a rede municipal trabalhou com 1.665 professores, dos quais somente 780 efetivos. Esse ano ainda não é possível conhecer o número de professores na rede, já que a Secretaria Municipal de Educação ainda está na fase de divulgação dos extratos de contratos dos professores que serão contratados temporariamente. Segundo Cida Oliveira, o professor da rede municipal concursado recebe salários de R$ 1.672,00, incluindo benefícios, entre eles o triênio. Já o professor contratado tem salário de R$ 1.280.

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