sábado, 9 de Janeiro de 2016 04:34h Pollyanna Martins

Produtores rurais protestam contra instalação de aterro sanitário no “Quilombo”

Empresa responsável pela coleta de lixo na cidade adquiriu um terreno na comunidade rural e pretende fazer um aterro sanitário no local

Os moradores das comunidades rurais Quilombo, Choro e Macuco realizaram um protesto na tarde de ontem, no KM 18 da BR-494, contra a instalação de um aterro sanitário na comunidade rural Quilombo. De acordo com os moradores, a empresa que cuida coleta de lixo de Divinópolis, Viasolo, comprou um terreno na comunidade e iniciou o processo para transformar o local em aterro há dois anos, sem o conhecimento das comunidades. Só em novembro que os moradores ficaram sabendo qual a intenção da empresa.
Conforme o produtor rural, João Evangelista da Silva, o medo que ele e outros produtores rurais têm é de que a instalação do aterro no local prejudique a produção de frutas, verduras, legumes, leite e outros que são feitas nas comunidades. “Para nós, é uma indignação, porque o lugar não é adequado para fazer este tipo de empreendimento. Depositar lixo, mesmo que seja processado. As famílias sobrevivem da produção de leite, de queijo, de hortaliças nesta região. Nós zelamos pelo meio ambiente. Aqui não é área de lazer, todo mundo produz, é sobrevivência mesmo”, justifica.
Na região há três nascentes, a poluição das águas também preocupa os produtores rurais, que esperam uma intervenção por parte do estado. “Os próprios técnicos do FEAM tem que ter a consciência que este não é o lugar ideal para fazer esta proposta, que é armazenar lixo”, apela. O produtor rural mora na comunidade do Macuco há 30 anos e afirma que esta é a primeira vez que as comunidades se sentem ameaçadas. José Evangelista afirma que foram surpreendidos pela ação da empresa. “Meu pai mora aqui desde 1951, e isso tudo foi uma surpresa para nós. Nós nunca imaginávamos que fosse encaminhado para cá um aterro sanitário. Sabemos que é importante ter um aterro sanitário em Divinópolis, mas em um local adequado”, ressalta.
A discussão acerca do aterro sanitário começou em dezembro do ano passado, quando os moradores foram surpreendidos pelo processo. Na época, a presidente do Conselho Comunitário do Quilombo, Adriana Silva, reforçou que o local não é apropriado para receber o aterro, principalmente por estar próximo de três nascentes e de terrenos cujos proprietários são produtores rurais. “A população da comunidade não estava sabendo dessa instalação, até então, as informações que temos é que eles deram entrada nos papeis em 2013, mas somente há cerca de trinta dias é que ficamos sabendo disso. Perto do terreno que a Viasolo comprou, tem produtores de hortaliças e pecuaristas, e alguns deles não estão nem a 200 metros de distância”, afirma.


AUDIÊNCIA PÚBLICA

Para discutir o processo de instalação do aterro sanitário na comunidade rural Quilombo, os moradores solicitaram ao superintendente da Superintendência Regional de Regularização Ambiental (Supram), Paulo Tarso Alvim Miguel, uma audiência pública. O advogado, Pedro Paulo Pozzolini, está assessorando juridicamente os moradores das comunidades e diz que será apresentada na audiência pública a inviabilidade de a Viasolo implantar o aterro sanitário na comunidade. “Nós tivemos uma reunião com o superintendente da Supram, e ele entendeu por bem paralisar o processo de empreendimento, e marcar uma audiência pública. A audiência é para que a sociedade participe do processo de licenciamento, aliás, um requisito legal. A comunidade quer o que ela não teve durante dois anos, ter vez e voz”, afirma.

A audiência será realizada no dia 21 de janeiro, às 19h, no auditório da Faculdade Una, que fica na Rua Coronel João Notini, n° 151, Centro. Segundo o advogado, caso a Supram insista na concessão de licença prévia para a instalação do aterro sanitário, a comunidade recorrerá ao judiciário para impedir a continuidade do empreendimento. Representantes da Viasolo estiveram na BR-494 durante a manifestação para dialogar com os produtores rurais, mas preferiram não gravar entrevista. De acordo com o assessor de comunicação da Viasolo, Roberto Lange, a empresa se posicionará após a audiência pública.

 


Créditos: Pollyanna Martins

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