terça-feira, 15 de Março de 2016 09:24h Mariana Gonçalves

Profissionais da educação iniciam greve nacional hoje

O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (SindUTE-MG) – em conjunto com outros órgãos sindicais da educação, inicia hoje a Greve Nacional da Educação

Em Divinópolis, estão programadas ações de panfletagem no quarteirão fechado da Rua São Paulo a partir das 9h.
A coordenadora do Departamento de Políticas Sociais e Imprensa do SindUte, Maria Catarina Vale, destaca que a paralisação irá durar até o dia 17. “Nosso lema é ‘Não à perda de direitos dos trabalhadores da educação’, essa é uma pauta nacional. Já conversei com os colegas dos sindicatos da rede municipal da educação, que é importante eles entrarem nessa mobilização também”, diz.

 


A mobilização tem o objetivo de cobrar do governo o cumprimento da Lei do Piso, que, segundo Maria Catarina, já é uma luta antiga da categoria. “Em 1827, Dom Pedro II já lutava para pagar o piso às professoras primárias, portanto há 169 anos. Essa Lei foi assinada em 2008 pelo presidente Lula, e se contarmos nos dedos não tem nem 35% dos Estados e municípios que cumprem a Lei do Piso, em Minas Gerais, conquistamos voltar de novo para o vencimento básico, o governo se comprometeu a cumprir a Lei do Piso, mas ainda estamos em dificuldades para que possa ser cumprido o reajuste que foi anunciado pelo Ministério da Educação (MEC) em janeiro deste ano, que é 11,36%, um reajuste que tem que ir direto para a categoria e que ainda não recebemos” pontua a sindicalista.

PELO FIM DA TERCERIZAÇÃO

Entre as demandas da educação está o desejo pelo fim da terceirização, a qual já é realidade em muitos setores da sociedade civil. De acordo com Maria Catarina, esse é o momento de união da categoria para que haja uma pressão contra a entrada da terceirização na educação. “Em Divinópolis, já tem alguns setores da rede de educação em que já há terceirização, um dos piores males da terceirização, em nossa opinião, é que não haverá mais compromisso com concurso, então, a profissionalização dos educandos ficará comprometida, além disso, sabemos como funciona a terceirização, sem direitos algum e é um ‘troca-troca’ de empresas quando quiserem”, explica a sindicalista, chamando também a atenção para outro ponto de discussão da categoria durantes estes dias de greve. “A entrega das escolas às organizações sociais está virando uma grande ameaça no país. O Estado de Goiás já estava com isso em andamento, não sei se parou, temos onze escolas em Goiás que foram entregues para organizações sociais, é a mesma coisa de terceirização, ou seja, se nós não lutarmos contra isso, logo vira moda toda a educação ficar tomada pelas organizações sociais e nisso o compromisso dos governos com a educação, que, aliás, já não é quase nenhum, não vai existir. Mesmo que isso não esteja acontecendo em nossa cidade e Estado, nós não estamos livres”, afirma Maria Catarina.

 

 

PARCELAMENTO DE SALÁRIO

O parcelamento de salários também será posto na mesa das discussões. Segundo a ativista, em Minas Gerais, embora a maioria da categoria esteja recebendo no quinto dia útil, temos pessoas que estão recebendo parcelado, em outras regiões do país, a situação chega a ser ainda pior, pois tem governos e prefeituras que nem data para pagamento destes parcelamentos está falando. “Em Minas, o governo afirmou que, a partir do mês seguinte, não terá mais o parcelamento, mas isso é uma perspectiva por agora, uma vez que os Estados estão todos endividados”, salienta.

 

 


A militarização dentro dos ambientes escolares também é algo visto como uma situação que precisa de mudanças, segundo Maria Catarina. “Não vamos permitir o que está acontecendo em alguns Estados, em que polícia está tomando contas das escolas. A violência nas escolas está dentre outros assuntos ligados a este universo que já estamos falando há mais tempo, é uma questão de responsabilidade do poder público viabilizar políticas sociais que evite essa onda de violência nas escolas, porque isso é uma sequência de instituições que não estão dando conta de lidar com essa problemática da juventude, a função da polícia é outra, estar dentro das escolas não resolverá o problema, é muito lamentável ver isso, ver polícia dentro das escolas buscando alunos”, completa Maria Catarina.

 

 

CONFIRA O CALENDÁRIO

Amanhã haverá assembleia estadual na capital mineira e, dia 17, Primeiro Encontro dos Assistentes Técnicos da Educação Básica (ATBs). Ainda no calendário de ações do Sind-Ute, consta uma reunião com o Conselho de Representantes das Superintendências Regionais de Ensino e, após a reunião, grupo de trabalho.
Dia 31, será promovida a Participação do Dia Nacional de Mobilização, com Marcha à Brasília, evento promovido pelas frentes Brasil Popular e Povo sem Medo. A mobilização será contra a reforma da previdência, ajuste fiscal e cortes sociais, defesa do emprego e dos direitos dos trabalhadores, e o pedido de saída de Eduardo Cunha.

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