sexta-feira, 24 de Abril de 2015 10:17h Atualizado em 24 de Abril de 2015 às 10:20h. Lorena Silva

Profissionais se manifestam contra cortes anunciados nas áreas de Educação e Saúde

Como forma de protesto contra os cortes anunciados para a área de educação e saúde

Como forma de protesto contra os cortes anunciados para a área de educação e saúde, diversos servidores do ensino municipal paralisaram as atividades ontem em Divinópolis e se manifestaram em frente à Secretaria Municipal de Educação (Semed) durante a parte da manhã. À tarde, eles estiveram em frente à Prefeitura e se reuniram em uma assembleia na sede do Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis e região Centro-Oeste (Sintram).
De acordo com o sindicato, cerca de 4 mil servidores foram chamados ao protesto – que reuniu aproximadamente 300 trabalhadores de cerca de 25 das 53 escolas do município. Em resposta ao ato, a Prefeitura disse que “apesar de reconhecer as manifestações como forma democrática da participação popular, acredita que o movimento realizado nesta quinta-feira foi precipitado e baseado em uma série de desinformações, que não coincidem com a realidade ou postura da Administração Municipal.”
“O prefeito alega que o município precisa ver as questões de custeio, ou seja, já deve estar no vermelho a lei de responsabilidade fiscal. Tem que demitir [funcionários], mas que se demitam os cargos comissionados. Hoje em dia também a gente precisa aprender a trabalhar de uma forma compartilhada. Ou seja, discutindo com as entidades representativas, porque pode-se buscar alternativas mais interessantes sem causar desgaste e prejuízo para a população”, frisou o presidente do Sintram, João Madeira.
Em reunião com o Sintram e o Conselho Municipal de Educação (Comed), na última quarta-feira, o prefeito Vladimir Azevedo (PSDB) disse que nenhuma decisão de possíveis cortes de despesas foi definida. “Soltamos uma diretriz para que cada secretaria elaborasse propostas para corte de despesas. Ainda estamos reunindo e não definimos nada. Estamos copilando informações para saber que atitude será adotada. Estamos em momento desfavorável economicamente”, explicou Vladimir, na ocasião.

 

OFICINA ITINERANTE
No entanto, de acordo com o vice-presidente do Comed, Cláudio Guadalupe, já houve o corte da “Oficina Itinerante” no município. Nesse projeto, quase 20 profissionais da área da educação eram contratadas para ir até as escolas em determinados dias e realizar atividades de teatro, música e linguagem do corpo com as crianças, enquanto os professores planejavam o calendário escolar para todo o mês. Segundo o vice-presidente, o sistema foi cortado das unidades desde o dia 1º de abril.
Uma das oficineiras era Micheline Pereira, que voltou a dar aulas depois de ter sido dispensada do cargo. Segundo a professora, das 19 profissionais, 14 eram contratadas e foram simplesmente mandadas embora, sem aviso prévio. “Ele [prefeito] mesmo cria [os projetos], contrata e depois demite esses funcionários do dia para a noite. A gente chega para trabalhar e não tem mais oficina itinerante. E as escolas ficaram desprovidas do planejamento”, relata.
Para Cláudio, uma perda enorme para o ensino do município. “Era a forma de dar uma melhor qualidade nas escolas de educação infantil. Tirando as oficineiras, as escolas perdem esse dia de planejamento. [Continuam com] o horário de planejamento, mas é o tempo de 50 minutos, uma hora e meia, que não dá para planejar o mês inteiro. Então esse dia é essencial para os Cmei’s. Por isso a nossa briga é que não deixe esse projeto. Aliás, que ele se estenda no município.”

 

COLETIVO DE EDUCADORES
Outro projeto que foi anunciado como um possível corte no ensino municipal foi o programa “Coletivo de Educadores”. De acordo com o professor da Escola Municipal Padre Guaritá, do bairro São Roque, Flávio Ribeiro, a informação era de que o projeto seria cortado no início deste mês. No entanto, com toda a movimentação em torno da redução de gastos da Semed, o corte foi suspenso.
Flávio explica que o projeto funciona como uma junção dos profissionais de todas as áreas – Matemática, Língua Portuguesa, Ciências Humanas e Naturais – no planejamento escolar. “Temos as aulas normais e sempre um desses professores fica fora da sala para dar apoio aos outros. A gente faz esse planejamento de onde está o problema maior da escola. Uma vez por semana tem um planejamento, [vemos] o que vai ser trabalhado com os alunos e também vemos os casos mais críticos dentro da escola”, explica.
Para o professor, a suspensão do projeto também seria uma grande perda para as três escolas onde hoje ele está em funcionamento – uma no São Roque, uma no Bela Vista e outra no Buritis – já que o projeto tem o diferencial de propiciar uma visão mais ampla de todos os professores sobre o mesmo aluno. “Eu já trabalhei em EJA, em escola regular e acho que é um processo que funciona. Acho que não deveria acabar justamente por isso, porque é um processo diferenciado e o aluno é bem acompanhado nesse sistema por todos os professores”, finaliza.

 

Crédito: Lorena Silva

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