sábado, 9 de Maio de 2015 09:10h Bruna Costa

Projeto da UFSJ capacita professores da rede pública sobre sexualidade na adolescência

O projeto “Programa de Educação em Saúde: sexualidade e prevenção de DST/AIDS”

O projeto “Programa de Educação em Saúde: sexualidade e prevenção de DST/AIDS”, realizado desde 2012 pelos professores Denise Alves Guimarães e Carlos Alberto Pegola da Gama, da Universidade Federal São João del-Rei (UFSJ), inicialmente tratava da sexualidade e prevenção das doenças sexualmente transmissíveis de forma geral.

Mas agora volta suas ações para a prevenção de gravidez e das DST/AIDS na adolescência, com a capacitação de professores de ensino médio do município de Divinópolis. O projeto fez parte do Programa Nacional de Reorientação da Formação Profissional em Saúde (PRÓ-SAÚDE), articulado ao Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-SAÚDE).

Esse ano, a proposta é capacitar professores de quatro escolas públicas escolhidas em conjunto com a Secretaria Municipal de Educação (Semed). A própria instituição escolhida selecionará dez professores que participarão do projeto.

Segundo o professor Carlos da Gama, o processo de formação dos professores conta com oficinas e rodas de conversa, além de metodologias ativas de ensino/aprendizagem que contemplem aspectos concretos e práticos. Desse modo, é possível fazer o levantamento dos conhecimentos, dúvidas, dificuldades, crenças e comportamentos acerca da sexualidade e prevenção de gravidez na adolescência.

A primeira instituição a receber o projeto será a Escola Estadual Antônio da Costa Pereira, localizada no bairro Nações. Após a formação, esses professores se tornam multiplicadores, organizando oficinas com seus alunos abordando a sexualidade, gravidez na adolescência, métodos anticonceptivos e doenças sexualmente transmissíveis.
“Estima-se que um total de mil pessoas sejam atingidas pelo programa proposto, sendo de forma direta 40 professores de ensino médio e 460 alunos de todos os turnos oferecidos nas quatro instituições de ensino selecionadas e de forma indireta 500 familiares dos professores e alunos”, destacou Carlos.
MÃES ADOLESCENTES

Uma entrevista com dez adolescentes com histórico de gestação atual ou recente foi realizada, com o objetivo de analisar a percepção de mães adolescentes acerca da gravidez, definindo três categorias a serem discutidas: gravidez e suas repercussões, planejamento familiar e perspectivas para o futuro.

Pelos resultados do projeto, a gestação foi recebida pela maioria das jovens com conotação positiva. As mudanças mais citadas foram o amadurecimento, a responsabilidade pelo filho, as restrições sociais e a evasão escolar. Nenhuma gestação foi planejada, sendo o uso inadequado ou inconsciente de método contraceptivo citado pela maioria.
          
Notou-se a pouca aproximação das jovens com a Atenção Primária de Saúde e a pouca discussão sobre planejamento familiar. As perspectivas sobre o futuro foram vagas e sucintas, sendo o cuidado com o filho, a casa própria e um melhor emprego as pretensões mais relatadas.
ETAPAS ANTERIORES
O projeto também capacitou Agentes Comunitários de Saúde do município de Divinópolis como multiplicadores. O trabalho foi feito em dois Programa Saúde da Família (PSFs) de Divinópolis, escolhidos em acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa).

A principal metodologia utilizada na formação de multiplicadores foi as “rodas de conversa”. De acordo com Carlos, é um tipo de metodologia participativa que consiste na criação de espaços de diálogo, em que os trabalhadores possam se expressar e escutar os outros e a si mesmos.

Segundo o professor, foram realizadas oito rodas de conversa, sendo as quatro primeiras preparadas pelos acadêmicos de Medicina e Enfermagem. Os encontros contaram também com a participação de acadêmicos de Psicologia de outra IES do município, que levaram os Agentes Comunitários de Saúde a discutirem temas como adolescência, sexualidade, doenças sexualmente transmissíveis, métodos contraceptivos e gravidez na adolescência.

Em seguida, os próprios agentes comunitários planejaram e aplicaram o conteúdo da capacitação a alunos do nono ano de escolas públicas de Divinópolis. Segundo Carlos, o projeto já gerou artigos científicos, monografias e apresentações dos resultados em Congressos. Cerca de dez trabalhos foram aprovados e serão apresentados no ABRASCÃO 2015, maior congresso de saúde coletiva do país.

 

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