terça-feira, 9 de Junho de 2015 10:05h Pollyanna Martins

Promotor mineiro lança livro “Todos Contra a Pedofilia”

O lançamento do livro será dia 16 de junho, mas ele já está à venda na internet

O promotor da Vara da Infância e da Juventude de Divinópolis, Casé Fortes, vai lançar, no dia 16 de junho, o livro “Todos Contra a Pedofilia”. A obra que foi escrita pelo promotor é baseada na campanha que começou há sete anos. No livro, o promotor relata casos que acompanhou, orienta os pais sobre os sinais de uma criança que foi abusada, explica como proceder caso o filho seja vítima de pedofilia, além de uma entrevista com um pedófilo.
O promotor conta que o livro também mostra a participação de famosos, como Paula Fernandes, Wilson Sideral, Titãs e o Padre Fábio de Melo na campanha “Todos Contra a Pedofilia”. Segundo Casé, a participação das celebridades é útil para chamar a atenção da população sobre o assunto. “O principal meio que nós temos de prevenção de abuso e exploração sexual contra crianças é justamente a informação. No livro tem uma parte com informações bem objetivas, como por exemplo, o que você pode fazer para proteger o seu filho na internet”, detalha.
Na obra, o promotor explica quais são os tipos de crimes de pedofilia e afirma que o crime é enraizado na cultura brasileira. Fortes desvenda ainda a lenda do boto cor de rosa, muito contada no Estado do Amazonas. “Essa lenda do boto muitas vezes é o próprio pai que estuprou a filha com 9, 10, 11 anos de idade, e ela engravida. Eu ouvi de um morador da Ilha de Marajó que lá existe um ditado de que ‘quem plantou a bananeira colhe o primeiro cacho’. Isso são pais que mantêm relações sexuais com as filhas menores. Isso tudo é retratado no livro”, revela.
Um dos pontos mais importantes que o promotor aborda no livro é como identificar se o seu filho foi vítima de pedofilia. Na obra, o autor traz desenhos de crianças que foram abusadas sexualmente e expressaram o sentimento através de ilustração. “O livro é feito pelas crianças e adolescentes, mas não é para eles. É um livro para pai, mãe, professor ler, porque é um livro pesado”, explica. Conforme Casé, apesar da ampla divulgação da causa através de caminhadas, campanhas publicitárias e outras iniciativas, muitas pessoas ainda não conhecem o assunto. “Infelizmente essa visão deturpada do assunto pode facilitar a ação desses criminosos. Eles vão atacar justamente onde está mais desprotegido. Ou seja, onde a pessoa não tem conhecimento do assunto”, afirma.

CRIMINOSOS
O promotor orienta ainda que, caso a criança tenha sofrido o primeiro abuso, é possível identificar e evitar mais violência, uma vez que o criminoso não age uma única vez. Segundo Casé, a linguagem que os pais usam com as crianças e estarem sempre abertos a diálogos são outros agentes primordiais na prevenção. “Às vezes, o abusador é uma pessoa que ela gosta, próxima dela, a criança às vezes não reconhece aquele fato como abuso. Por exemplo, uma criança que foi abusada desde muito novinha, para ela aquilo é normal”, descreve.
Na obra, o promotor esclarece ainda o perfil do criminoso. O que muita gente pensa é que o criminoso já foi vítima de pedofilia na infância, mas Fortes desmente este mito. Segundo o promotor, os pedófilos, na maioria dos casos, são abusadores que nunca sofreram qualquer tipo de violência. “Muitos pedófilos não sofreram nada, são simplesmente abusadores. Existem muitas pessoas que foram abusadas e não se tornaram criminosos”, esclarece.
No capítulo “Entrevista com Pedófilo”, o promotor relata a conversa que teve com um criminoso de Divinópolis. O homem de mais de 60 anos estuprou três crianças de cerca de oito anos, e tirou fotos delas. “Eu não alterei nada, ele conta o caso na visão dele. Ele fala que a culpa era da criança, que ela o provocou.”

IGREJA
Em um dos capítulos o promotor aborda a pedofilia na Igreja Católica. O assunto, que foi omitido pela instituição durante anos, frequentemente é divulgado na mídia. No capítulo, o promotor explica que os casos de pedofilia praticados por padres têm agravantes. “Com o Papa Francisco ele teve uma abordagem direta. Ele disse que o padre que cometeu isso é um criminoso e tem que pagar como qualquer outro. Só que com o agravante de ser padre, quem tem mais responsabilidade como juiz, médico, professor e tem acesso à criança, tem o agravante, porque ela é uma pessoa que inspira confiança.”

MISSÃO
Com o lançamento do exemplar chegando, o promotor revela que nunca pensou no tamanho da campanha que realiza, e nem em como atinge as famílias brasileiras, mas se sente agradecido por poder ajudar. “Eu acho que é uma obrigação minha, considerando que eu não posso simplesmente tomar conhecimento de tudo isso e deixar pra lá. Esse livro é muito importante para mim, é um desabafo. Eu fico muito feliz de poder ajudar algumas pessoas, mas também fico feliz em poder dividir essa responsabilidade com outras pessoas”, conclui. Apesar de o lançamento do livro ser na próxima semana, ele já está sendo vendido na internet, pelo site www.arraeseditores.com.br.

 

 

Crédito: Pollyanna Martins

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