segunda-feira, 15 de Agosto de 2016 12:27h Atualizado em 15 de Agosto de 2016 às 12:30h. Pollyanna Martins

Queimadas aumentam mais de 100% em Divinópolis

Só em julho, foram registradas pelo Corpo de Bombeiros 65 queimadas em Divinópolis

O número de queimadas subiu em Minas Gerais, conforme o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Além de o tempo seco ajudar na propagação do fogo, há aqueles que ateiam fogo em lotes vagos para “limpá-los”. De acordo com o INPE, em julho, foram registradas, em média, 1.004 queimadas em todo o estado. Um aumento de 248%, comparando com o mesmo período do ano passado, quando foram registradas 288 queimadas em Minas Gerais.

O número aumentou também em Divinópolis. De acordo com o Corpo de Bombeiros, de janeiro a junho de 2015, foram registradas 52 queimadas, no mesmo período deste ano, foram registradas 105. Conforme o Tenente Boaventura, o aumento de 101% é preocupante, pois exige a atuação do efetivo do Corpo de Bombeiros para controlar as queimadas, o que pode desassistir em outros atendimentos na cidade. “A nossa atuação é redobrada, porque nós vamos atender mais queimadas e menos possíveis vítimas de acidentes. Nós vamos envolver muito efetivo nessa parte de queimadas e desabrigar em outras áreas que também são importantes”, explica.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, em julho deste ano, foram registradas 65 queimadas. Segundo Boaventura, muitas queimadas saem do controle e a maioria é causada pelo homem. Em 90% dos casos, a população ateia fogo no lote para limpá-lo, porém, com o tempo seco, a situação muitas vezes sai do controle, além de atingir áreas que muitas pessoas nem imaginam. “A pessoa ateia fogo no lote para limpá-lo, a queimada sai do controle e pode afetar outras localizações. A prática é perigosa, porque, em muitos casos, o fogo chega próximo a residências, prédios e da fiação da Cemig também”, detalha.

Provocar queimadas é crime, pois, além de causar poluição, acarreta também na morte de animais. O artigo 54 da Lei N° 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, determina que: “Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. § 1º Se o crime é culposo: Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa”. “As queimadas trazem riscos para as residências, para os animais, além de causar poluição, que impacta na saúde das pessoas também”, frisa. O Tenente ressalta que, ao ver alguma queimada, deve acionar o Corpo de Bombeiros e denunciar o causador no 181. A denúncia pode ser feita de forma anônima. “Quem souber quem são os incendiários deve denunciar. Essas denúncias devem ser feitas para responsabilizar os causadores desses incêndios”, finaliza.

 

CEMIG
 

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) alerta a população na tentativa de reduzir os desligamentos da rede elétrica provocados por queimadas. Conforme a companhia, as queimadas elevam significativamente o número de ocorrências na rede de distribuição. Somente nos sete primeiros meses de 2016, a empresa registrou 63 casos em sua área de concessão, que prejudicaram o fornecimento de energia elétrica para cerca de 50 mil consumidores da companhia.

De acordo com a estatal, ao atingir redes de distribuição, os incêndios podem provocar a queima de postes e cruzetas de madeira e, consequentemente, o rompimento dessas estruturas e de cabos condutores. O gerente do Centro Integrado da Operação da Distribuição, Carlos José Thiersch, destaca que, nesses casos, é necessário substituir os materiais e equipamentos danificados, atividade que exige um tempo maior para religar os circuitos atingidos. “Há também o risco de curtos-circuitos em linhas de transmissão e de distribuição de energia elétrica, causados pelo aquecimento das proximidades dos cabos condutores”, ressalta o gerente da Cemig.

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