terça-feira, 9 de Abril de 2013 05:30h Daniel Michelini

Reajuste da energia pode chegar a 6,98%

Setor comercial reclama do aumento, dizendo que é preciso movimentação por parte da população para conter os abusos das tarifas.

A próxima fatura na conta de energia recebida por grande parte da população divinopolitana fará uma não grata surpresa ao consumidor. O reajuste na taxa foi definido, na semana passada, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), órgão que fiscaliza todo o setor de energia do Brasil. Os valores entraram em vigor ontem (08) e os clientes da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) pagarão 2,99% mais caro.
Para os consumidores cativos de média e alta tensão, como indústrias e setor de serviços, a redução foi de 4,83%. Já para os consumidores de baixa tensão, o reajuste médio foi de 6,98%. Para o Residencial Pleno 4,87% e para o Residencial Baixa Renda 6,30%, chegando à média ponderada de 4,99%.
Obviamente, a notícia não agradou aos consumidores e trabalhadores divinopolitanos, já que, em 2012, a CEMIG divulgou a informação de que o município teve um aumento de 6,5% do consumo de energia no primeiro semestre, números que ultrapassaram os dados registrados no mesmo período do ano anterior. Na oportunidade, de acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, o consumo nacional de eletricidade também teve um acréscimo, chegando a 223,4 mil gigawatts-hora (GWh) nos seis primeiros meses do ano. O maior consumo foi observado no setor de comércio e serviços, que registrou 7,4%. Esse acréscimo deve-se ao comportamento da classe industrial, que representa cerca de 50% do consumo de energia do município.
Segundo Milene Neves, gerente de uma sorveteria no centro da cidade, o aumento é extremamente maléfico aos serviços utilizados e prestados pelo comércio e dispara contra as ações das autoridades brasileiras: “Já estamos pagando mais caro pela água e agora pela energia. Tudo que eles falam sobre redução de impostos ou tarifas é enganação. Parece que estão fazendo os consumidores e trabalhadores de palhaços. Uma vez, vi uma notícia de que o brasileiro trabalha cerca de três meses apenas para pagar impostos. Não tem condições”, reclama.
Segundo ela, por mais que consigamos economizar, a conta fica cara, fazendo uma comparação com as faturas anteriores: “Nós precisamos de água para viver e trabalhar e de energia para trabalhar. Isso nos obriga a usá-los muito e pagar ainda mais. Se você pegar uma conta atual e uma de dez anos atrás, dá para ver a diferença enorme. Na época dos apagões, fizemos racionamento todos os dias e funcionou”, disse Milene, cobrando ações dos cidadãos também: “A população deveria protestar, pois estamos pagando cada vez mais caro por um serviço que não nos atende da maneira esperada. Quanto mais caro, melhor deveria ser o serviço, e não é isso que vemos”.
Ela lembra os episódios ocorridos ainda este ano na área do comércio divinopolitano: “Aqui no centro, só nesse ano, a energia acabou, pelo menos umas três vezes na parte da manhã e prejudicou o trabalho de várias pessoas”.
E não é só Milene que reclama disso. De acordo com Agnaldo Freitas, dono de um açougue no bairro São José, o trabalhador fica no prejuízo com o aumento: “Trabalhamos o dia inteiro com energia. Os comércios deveriam ser isentados desses reajustes ou ter um aumento menor, pois trabalhamos também em prol da população. Não só açougue, mas padaria, supermercados e outros lugares. É uma vergonha o que estão fazendo”, disparou, compartilhando da opinião de Milene, em relação aos movimentos dos cidadãos: “Enquanto a população mesmo não tomar uma medida, não vamos a lugar algum. Estão fazendo o que querem conosco. Não podemos aceitar isso mais. Falam em diminuição, iludem as pessoas e acabam aumentando. Desanima a pessoa de vir trabalhar”, completa.
Segundo a Cemig, as revisões tarifárias previstas nos contratos de concessão das empresas de distribuição de energia elétrica são precedidas de audiência pública, nas quais a sociedade, os agentes do setor e os demais interessados discutem o assunto e dão suas contribuições. No caso da Cemig Distribuição, o processo ocorre a cada cinco anos, sendo que os anteriores ocorreram em 2003 e 2008. Nos anos entre revisões (2014 a 2017, por exemplo), são feitos reajustes tarifários: “É importante ressaltar que a Cemig Distribuição é a empresa do grupo Cemig que atende diretamente aos consumidores e que o processo de revisão trata apenas da empresa de distribuição, e, portanto, não engloba as usinas, linhas e subestações de transmissão ou outras atividades da Holding”, publicou, em nota, a assessoria da empresa.


 

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