segunda-feira, 10 de Dezembro de 2012 04:56h Atualizado em 10 de Dezembro de 2012 às 06:50h. Daniel Michelini

Reajuste na tarifa de água é antecipado e conta de água ficará 50% mais cara

Empresa confirma que será cobrado um aumento de 50% no valor da conta de água, que faz parte do planejamento de revitalização dos rios Pará e Itapecerica

A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) promoveu, na manhã de ontem (07), uma coletiva de imprensa, onde foram abordados assuntos como a despoluição do Rio Itapecerica, tratamento de água e esgoto, além do aumento na conta de água a partir da próxima fatura.

 


Em janeiro de 2012, a Copasa iniciou a operação do sistema de esgotamento sanitário da Cidade, executando, gratuitamente, cerca de mil novas ligações de esgoto, além de aproximadamente 5 mil outros serviços, incluindo trabalhos de desentupimento e correção de vazamentos de esgoto em redes e ligações. A companhia realizou também reformas visando melhorias em quatro Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) de pequeno porte, que já existiam em Divinópolis. Outras estações estão sendo construídas, porém, enquanto não ficam totalmente prontas para o serviço, a Copasa procura promover a manutenção e operação dos sistema existente, o que possibilita o atendimento a 90% da população Divinopolitana, de acordo com a empresa.

 


Além da ETE da Bacia do Rio Pará, que está em construção e deverá ficar pronta em meados de 2013, estão sendo projetadas também estações em  Santo Antônio dos Campos (Ermida) e da Bacia do Rio Itapacerica, esta que será realizada em duas etapas: a primeira, com previsão de conclusão para o ano de 2016, contando com a construção de dois reatores, quatro decantadores e outros quatro filtros. Na segunda etapa, serão anexados mais dois filtros, um reator e dois decantadores.

 


Estiveram presentes na coletiva o diretor de Operação Centro-Leste, Valério Máximo Gambogi Parreira, e do chefe do Departamento Operacional Centro-Oeste, Maurício Pereira, que apresentaram um balanço atualizado dos trabalhos da Copasa nos sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário de Divinópolis.

 

INVESTIMENTO

 

O valor total no investimento do serviço da Copasa em relação ao novo sistema esgotamento sanitário de Divinópolis chega a R$140 milhões, contando com cerca de 70 quilômetros de interceptores nas margens do Rio Itapecerica e, aproximadamente, outors dez quilômetros ao longo do Rio Pará, além da construição de várias estações elevatórias e outras quatro ETE’S: Rio Itapecerica, Rio Pará, Jardim Real e Ermida.
Segundo a Copasa, a ETE principal terá capacidade para tratar todo o esgoto gerado pela população localizada na Bacia do Rio Itapecerica, atendendo, diretamente, mais de 200 mil pessoas.

 

Ao todo, as quatro estações terão capacidade para atender mais de 300 mil pessoas com tratamento adequado de 100% do esgoto coletado na cidade.

 

CONTA

 

Um assunto que vem intrigando a população divinopolitana é a questão do aumento na conta de água. O reajuste estava previsto para março de 2013, onde seriam cobrados 50% adicionais no valor do consumo de água. Entretanto, o valor será anexado já na próxima fatura, a ser paga em janeiro. Indagado sobre o assunto, Maurício Pereira ressalta que a cobrança já é feita desde janeiro de 2012: “Para essa prestação de serviço, a Copasa já cobra essa tarifa, mas há um desconto concedido pelo município, destinando parte dos ativos que foram negociados com a Copasa para que isso fosse possível”, afirma o chefe do Departamento Operacional Centro-Oeste, enfatizando que na conta já vem especificando o porquê da tarifa. Ele explica ainda o que é o desconto: “A Copasa entrou em acordo com o Município, que fazia do recurso válido até o início de 2013. Como o recurso está se encerrando agora, o desconto não existirá”, confirma Maurício, ressaltando que as contas emitidas em dezembro com vencimento em janeiro já serão de responsabilidade dos clientes.

 


Este reajuste está regulamentado pela Agência Reguladora de Serviços de Abastacimento de Água e Esgoto de Minas Gerais (ARSAE-MG): “Para essa prestação de serviço, serão 50% do valor da tarifa de água, com total responsabilidade do cliente”, lembra Maurício.

 

ENCHENTES

 

Nos últimos anos, a população de Divinópolis sofreu, especialmente nos finais de temporada, com as enchentes, sendo que uma, em 2008, é constantemente lembrada pelas autoridades por ter sido classificada como ‘devastadora’ em alguns pontos da cidade. A própria estação da Copasa, no bairro Esplanada, ficou submersa após o nível do Rio Itapecerica subir acentuadamente na época. Parte da população chegou a ficar 72 horas sem abastecimento de água.

 


Embasando nestes problemas, a Copasa tomou providências para tentar amenizar a situação, caso ocorra novos problemas relacionados à enchentes. Primeiramente, a companhia contratou uma empresa especializada para estudar o comportamente hidráulico do rio: “Não existe prova de segurança em 100%”, disse Maurício, apontando que ninguém sabe o nível da enchente que poderá atingir o município no futuro.

 


No início deste ano, uma enchente inundou a unidade de Estação de Tratamento de Água (ETA) da Copasa, a mesma inundada em 2008. Porém, neste ano, algumas regiões ficaram sem abastecimento por somente 30 horas. O chefe do departamento afirma que as ações para a proteção contra essas enchentes não parte apenas da Copasa e dos moradores, mas também do poder público, que deve procurar a diminuição de construções ribeirinhas e desmatamentos. É grande a possibilidade de, em caso de nova enchente, que o abastecimento não seja afetado: “Depende do nível. Caso possuíssemos essa nova aparelhagem na enchente de 2008, teríamos ficado 24 horas apenas sem água”, revela, afirmando que o sistema está preparado para não afetar a distribuição.

 

ETA PADRE EUSTÁQUIO

 

Recentemente, a reportagem da Gazeta recebeu diversas reclamações de moradores da região do bairro Padre Eustáquio, onde está sendo construída uma estação de tratamento. As denúncias eram justamente sobre a falta de água no local.

 

Alguns moradores revelaram que, em duas semanas, suas casas ficaram sem água durante dez dias. Na época, a Copasa informou que, pelo fato da obra estar em andamento, o acúmulo de pessoas utilizando os serviços impossibilitava a normalização no abastecimento.

 


Segundo Maurício Pereira, isso continua acontecendo. As obras não acabaram: “No sábado, se concentra muita gente. Nosso sistema trabalha direto e mesmo assim não dá conta”, disse. A previsão é para que as obras terminem no final de janeiro, normalizando assim a situação de abastecimento de água.

 


A obra será finalizada em tempo recorde, de acordo com Maurício. Em apenas um ano, toda a parte burocrática e prática da obra foi realizada. O funcionamento está ainda em um período de testes, mas a expectativa é de que em janeiro ela seja colocada em constante trabalho.

 

RIO ITAPECERICA

 

Em maio deste ano, o prefeito Vladimir Azevedo assinou o documento que autoriza o início das obras de despoluição dos rios Pará e Itapecerica, juntamente com o presidente da Copasa Ricardo Augusto Simões e também o Diretor de Operação Centro-Leste Valério Gamboji. O custo total das obras será em torno de R$150 milhões. A primeira etapa do projeto terá valor de R$12,5 milhões.

 


O aumento na tarifa de água se deve também a esse projeto. De acordo com Maurício Pereira, a expectativa é de que os rios sejam totalmente revitalizados até 2016. A reestruturação das ETA’S do município também são parte do planejamento de limpeza dos rios Pará Itapecerica: “A Copasa dividiu a cidade em dois segmentos: bacias do Pará e Itapecerica. Na do Pará, já fizemos e licitamos o projeto, sendo que a obra já está em andamento. Na bacia do Itapecerica, estamos ainda concluindo o projeto, pois é mais complexo. Nosso compromisso é estar com o sistema concluído em 2016”, concretiza.
 

Leia Também

Imagem principal

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.