terça-feira, 23 de Fevereiro de 2016 10:45h Jotha Lee

Rede municipal de ensino inicia campanha salarial e deve reivindicar 26% de revisão

Os trabalhadores da Rede Municipal de Ensino iniciam amanhã a campanha salarial de 2016, quando será realizada assembleia geral da categoria às 18h na sede do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Municipal de Divinópolis (Sintemmd)

De acordo com a diretora do Sindicato, Cida Oliveira, a pauta de reivindicações será aprovada pela categoria, porém deverá ficar em 26% de aumento salarial, podendo chegar a 30%. Segundo ela, como no ano passado foi feita somente a revisão salarial, sem ganho real, o sindicato concluiu que para não permitir perdas, o aumento deverá ficar em 26%. “A assembleia é quem vai definir, mas essa será a sugestão apresentada pelo sindicato”, garantiu. A categoria também quer aumento de 200% no tíquete-alimentação, elevando dos atuais R$ 7 para R$ 21.

 

 


No ano passado, a rede municipal trabalhou com 1.665 professores, dos quais somente 780 efetivos. Esse ano ainda não é possível conhecer o número de professores, já que a Secretaria Municipal de Educação ainda está na fase de divulgação dos extratos de contratos dos professores que serão contratados temporariamente. Segundo Cida Oliveira, o professor da rede municipal concursado recebe salários de R$ 1.672,00, incluindo benefícios, entre eles o triênio. Já o professor contratado tem salário de R$ 1.280.

 

 


Além da campanha salarial, os professores também querem a solução de problemas que eles consideram urgentes. Na semana passada, o Sindicato da classe enviou uma correspondência a todos os vereadores, pedindo ajuda na busca dessas soluções. De acordo com o sindicato, “a rede municipal de Ensino vem sofrendo corte e baixa na prestação de serviços de qualidade por falta de investimento público”.

 

 


O sindicato critica duramente a política educacional do município e assegura que não há planejamento adequado. “As escolas municipais e Cmei’s continuam debilitados no que se refere ao tempo disponibilizado para o Planejamento Coletivo Pedagógico dos Professores, para garantir um trabalho de qualidade e que seja de acordo com a necessidade do aluno. A debilidade piorou ainda mais, a partir do momento que a Secretaria Municipal de Educação e a Prefeitura interromperam o oferecimento do serviço de Apoio Pedagógico e das Oficinas Itinerantes que contribuíam para a regulação do tempo de planejamento e do trabalho da rotina escolar na Rede Municipal de Ensino”, assegura.

 

 


ESPECIALIZADO
O sindicato denuncia que o Atendimento Educacional Especializado foi duramente atingido pelas medidas de redução de serviços. “Muitos alunos tiveram seus acompanhamentos interrompidos por falta de recursos, como transporte e deslocamento. Outra questão é a situação de aglutinação de turmas e de Unidades de Ensino na Rede, que vem acontecendo gradativamente. O que tem ocasionado trauma, assédio e congestionamento no trabalho e na rotina escolar de professores, diretores e alunos”, acrescenta.

 

 


O professor da Rede Municipal e representante do Conselho Municipal de Educação, José Heleno Ferreira, ocupou a tribuna livre da Câmara, ocasião em que denunciou a redução das aulas de educação física e criticou a terceirização de alguns serviços. Segundo ele, a terceirização dos serviços de servente escolar e serviços gerais, vem gerando uma série de problemas. “É preciso que tenhamos clareza de que ainda que esses profissionais terceirizados não sejam contratados pela prefeitura, a responsabilidade do serviço ali oferecido é do município”, afirmou. “Nós não estamos discutindo a legalidade da terceirização, mas a qualidade do serviço prestado”, acrescentou.

 


O professor referia-se especificamente à JCAS, empresa envolvida em denúncia de atraso de salários para os 112 servidores contratados. De acordo com o Sintemmd “essa empresa já recebeu milhões dos cofres da prefeitura e sequer honrou seus contratos de trabalho desde que ganhou a licitação. Jamais poderia continuar prestando serviço ao município, já que é caloteira e prejudica a educação municipal que é prioridade no serviço de qualquer administração pública. Não podemos permitir que esta situação perpetue em Divinópolis”, finaliza.

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