quinta-feira, 18 de Agosto de 2016 17:29h Pollyanna Martins

Reflexos da greve dos servidores do meio ambiente perduram até hoje

Apesar de a greve ter acabado dia 20 de julho, filas quilométricas continuam se formando todas as manhãs na porta do IGAM de Divinópolis

POR POLLYANNA MARTINS

pollyanna.martins@gazetaoeste.com.br

 

O reflexo da greve dos servidores públicos do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos continua em Divinópolis. Apesar de o movimento ter terminado no dia 20 de julho, filas quilométricas se formam todas as manhãs na porta do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM). Algumas pessoas chegam ao local às 5:30h para conseguir pegar uma das 40 senhas distribuídas diariamente no órgão, e chegam a passar mais de nove horas aguardando atendimento. Como no caso de um consultor ambiental, que preferiu não se identificar. Ele chegou ao IGAM pouco depois das 5h e, às 14h, ainda não havia sido atendido. “Quem precisa vir aqui todos os dias enfrenta essa fila sempre, tem um rapaz que chegou aqui às 1h. A gente dorme na fila”, conta.

Os servidores públicos dos cargos de Gestor Ambiental, Analista Ambiental, Técnico Ambiental e Auxiliar Ambiental iniciaram a greve no dia 20 de maio deste ano e, como o IGAM de Divinópolis atende 68 cidades da região, e conta com apenas cinco guichês de atendimento, o serviço acumulou durante este tempo. O instituto estabelece que, para cada senha, o usuário tem direito a ter três processos atendidos, o que gera uma média de 120 processos atendidos por dia no órgão. Conforme o consultor ambiental, a explicação que recebem para o baixo número de atendentes no instituto é o fato de o órgão só poder contratar funcionários por meio de concursos. “Parece que tem um concurso em andamento para contratar mais funcionários, e quem sabe resolve a nossa situação”, emenda.

 

SEMAD

 

Quando questionados sobre a precariedade no atendimento do IGAM em Divinópolis, a assessoria de comunicação do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos se limitou a informar que “o Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema) está buscando formas de regularizar o atendimento em suas unidades regionais após a greve dos servidores. Também está sendo estudada a implantação de mecanismos informatizados de marcação para o atendimento, buscando melhorar o atendimento ao cidadão”.

 

GREVE

 

O Sindicato dos Servidores Públicos do Meio Ambiente no Estado de Minas Gerais (SINDSEMA) e a Associação Sindical dos Servidores Estaduais do Meio Ambiente (ASSEMA) anunciaram em maio o início da greve por tempo indeterminado dos servidores públicos do Meio Ambiente do Estado de Minas Gerais no dia 20 daquele mês. De acordo com a Assema, a decisão foi tomada mediante a falta de resposta do Governo do Estado à proposta de Plano de Carreira, apresentada em outubro de 2015. “Após aprovação em assembleia geral da categoria, que tem como foco o reconhecimento e a valorização da classe por meio da revisão do plano de carreira atual”, informou.

A classe reivindicava redução de oito para cinco anos no tempo em que o servidor leva para conquistar sua primeira promoção; alteração das regras de promoção e progressão; abrir negociação para a discussão e envio à Assembleia Legislativa do novo Plano de Carreira; a correção da fórmula de cálculo da Gratificação de Escolaridade, Desempenho e Produtividade Individual e Institucional, GEDAMA, em 50%; que as questões de pessoal, recursos humanos, sejam resolvidas, por meio de aumento e da qualificação do quadro de funcionários do Sisema; mais investimentos no Sisema Valorização e reconhecimento dos servidores do meio ambiente; regularização da escala de pagamento dos salários, hoje pagos em atraso e parcelados; e regularização do pagamento de direitos já adquiridos.

Conforme o presidente da Assema, Adriano Tostes de Macedo, todas as pautas foram reconhecidas e as reivindicações da classe foram atendidas, foi então feito um acordo judicial com o Governo.

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